Brucutus e Cuattrin ganham títulos nas canoas havaianas

A equipe Brucutus, de Bertioga, e o olímpico Sebastian Cuattrin, maior nome da canoagem nacional, comemoraram neste domingo em Santos, os títulos brasileiros de canoas havaianas. A competição foi realizada na Ponta da Praia, reunindo mais de 100 atletas e um bom público prestigiando, num dia de grande festa para os canoístas de Bertioga, que levaram quatro das cinco vitórias em disputa nesta 3.ª e última etapa do ranking.

Na competição por equipes masculinas, os atletas de Bertioga quebraram a hegemonia da Opium Master (antigo Paulistano), tricampeão da categoria, numa final emocionante. Já na individual, Sebastian, que já participou de quatro olimpíadas, confirmou o favoritismo, conquistando o seu 94.º título oficial na carreira. A final mais esperada foi da OC6 (seis atletas) masculina.

Depois de dois vice-campeonatos, em 2001 e ano passado, e um 3.º lugar, em 2002, o time de Bertioga, composto em sua maioria de atletas novatos, chegou motivado com a vitória na etapa anterior e um conjunto perfeito nas remadas, pronto para superar a Opium Master, que contou com destaques da modalidade, como Fábio Paiva, Sebastian Cuattrin, Jefferson Libório e Eduardo Coelho.

Na bateria inicial, no sábado, os canoístas da Brucutus abriram 20 segundos de vantagem e podiam administrar esse tempo na decisão. Mas a disputa foi acirrada desde o início e, logo na 1.ª bóia, os dois times cotados acabaram se chocando e parando. "Como na Fórmula 1, a 1.ª curva é sempre muito disputada e o vento leste estava muito forte e nos jogou contra a outra canoa. Felizmente todos jogaram limpo e continuamos uma disputa saudável", comentou o capitão da Brucutus, Everdan Riesco.

Quem aproveitou foi a equipe Ohana, de Santos, com uma curva mais aberta, assumindo a ponta momentânea. Logo depois, os novos campeões recuperaram terreno com um sincronismo nas remadas, assumiram a liderança e ainda foram beneficiados com um erro da Opium numa das bóias. Na somatória final dos tempos, o grupo de Bertioga marcou 25min55seg25, 50 segundos à frente dos rivais.

Bertioga colhe os bons frutos

"Estamos muito felizes. Essa é a recompensa de um trabalho sério, feito desde que as canoas havaianas chegaram ao Brasil. Estamos perseguindo esse título há quatro anos. Sempre chegamos perto, mas a Opium era mais forte. Foi a vitória do conjunto, da união, com muito esforço, treinamento", afirmou Riesco, um dos remadores de canoa havaiana mais antigos do País.

"Esse ano, montamos uma equipe com molecada mais nova, mais disciplinada e levamos pelo nosso sincronismo. Se for colocar individualmente contra os remadores da Opium, não teríamos chance. Eles são muito fortes, contam com grandes nomes do esporte, mas nossa vantagem é que treinamos todos os dias, enquanto que eles remam juntos duas vezes por mês", acrescentou o capitão da Brucutus, que está com 33 anos e teve como companheiros de vitória Pedro Bichir, de 17, Marcelo Arias, 22, Marcel Correa, 17, Gabriel Gaspar, 16, Cadu Zaidan, 18, e Wagner Riesco, 30.

Além da OC6 masculina, Bertioga levou os títulos na categoria mista e também na individual, com Luana Munhoz. Na etapa, os bertioguenses só não levaram no individual masculino, vencido pela fera Sebastian Cuattrin. Entre os amadores, dobradinha com a Burikioka e a Brucutus. Nas mistas, outra vitória dupla, com a Shark, de Boracéia, e a Brucutus Cão Selvagem (campeã nacional por antecipação). Já na individual feminina, domínio total, com vitória de Sara dos Santos numa chegada emocionante contra a sua sobrinha Sofia, a mais nova da competição, de 14 anos.

Para Fábio Paiva, capitão da Opium, o título da Brucutus foi merecido. "Isso prova que as equipes estão crescendo cada vez mais. Eles treinam habitualmente e mostraram que o conjunto é importante. O bom é que em 2005 a disputa deve ser mais acirrada ainda, porque vamos querer recuperar o título", disse Paiva.

Quem também comemorou muito o resultado foi a equipe Ohana, que chegou a liderar a prova e terminou em 2.º lugar, à frente dos favoritos da Opium. Todos vibraram muito. "Mostramos que a Ohana está viva e vai dar trabalho. Foi uma satisfação muito grande superar uma equipe com dois grandes nomes e ídolos da canoagem, o Fábio Paiva e o Sebastian Cuattrin. Foi um gosto especial", afirmou o capitão e leme da equipe, Rogério Lopes, o competidor mais velho do evento, com 50 anos de idade.

Hula-hula no encerramento

Logo após as disputas, os atletas e o público acompanharam um show de hula, a típica dança do Havaí, mantendo a tradição de resgatar a cultura do arquipélago. "A idéia é sempre mostrar que as canoas têm toda uma mística", lembrou Fábio Paiva, presidente da Associação Brasileira de Canoas Havaianas. Outros destaques foram a massagem havaiana Lomilomi e a homenagem a ex-remadores de Santos.

O evento contou com o patrocínio da Opium Fiberglasse e o co-patrocínio da Clínica Veterinária Filetti. Apoio da Prefeitura Municipal de Santos, através da Semes, Associação Sabesp, Prorider e FMA Noticias. Realização da Associação Brasileira de Canoas Havaianas (Abracha), com organização da Canoa Brasil.

Visita ilustre

O medalhista Sebastian Cuattrin aproveitou a passagem pela cidade para visitar o núcleo santista do projeto Navega São Paulo. Surpresas, as crianças corresponderam com perguntas curiosas sobre o esporte e a participação de Cuattrin nos Jogos Olímpicos. "Eu comecei a remar com a idade deles e tinha muito menos oportunidades", comentou. O convite foi feito por Guto Mattos, instrutor de canoagem do projeto. "Uma visita ilustre como essa ajuda essa criançada a querer ir mais longe", acredita o professor.

Em Piraju, cidade onde reside atualmente, Sebastian acompanha o projeto Navegar, também criado por Lars Grael quando ainda estava no governo federal. "Temos atletas que estão aqui competindo que vieram do projeto e já são medalhistas", comenta.

Um deles é Anderson Geraldo, duas medalhas de ouro no campeonato brasileiro realizado em Curitiba e medalha de ouro no campeonato paulista desse ano. "Meu incentivo para esses alunos é buscar mais títulos, quem sabe consigo um aqui em Santos", comenta ele, que participa da equipe Tribo dos Pés.

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