A seleção brasileira masculina de basquete precisou superar Porto Rico e mais as 6 mil pessoas que lotavam o Ginásio Coliseo Roberto Clemente, na cidade de San Juan, para ficar com o bicampeonato consecutivo da Copa América na noite deste domingo. Depois de fazer um bom início de jogo contra os anfitriões da competição, o Brasil se desesperou no quarto final e quase viu a vitória escapar, vencendo no sufoco, por 61 a 60.

Com ambos os times garantidos no Mundial do ano que vem, o título da Copa América tinha significado parecido para os finalistas. Enquanto a seleção, comandada pelo técnico espanhol Moncho Monsalve, via a chance de resgatar a autoestima do basquete brasileiro, Porto Rico também queria provar que podia voltar a figurar entre os melhores, depois de ficar fora da Olimpíada de Pequim. Além disso, tinha toda a torcida local a seu favor.

Para conquistar o bi – venceu também em 2005, na República Dominicana -, o Brasil começou imprimindo um bom ritmo. Na final, os brasileiros já chegaram sabendo da força dos porto-riquenhos, responsáveis pela única derrota do time de Moncho até então, no último jogo antes das semifinais. Logo de cara, a seleção acertou dois arremessos de três e abriu vantagem, fazendo 8 a 5. Com Porto Rico errando muito, o time brasileiro venceu o primeiro quarto por 19 a 13.

Seguro em quadra, o Brasil não se importava com a torcida contra e seguia jogando bem. Liderada sempre por Leandrinho, a seleção contou com um arremesso de três do ala/armador para abrir 28 a 16 no segundo quarto. Enquanto Porto Rico tentava apenas cestas de três para diminuir a vantagem, o time de Moncho ia se distanciando no placar, que chegou a marcar 34 a 18. No entanto, o Brasil relaxou e viu os anfitriões fazerem 36 a 28 no final do período.

Após o intervalo, a seleção brasileira voltou arrasadora. Tiago Splitter, que não vinha bem, começou a desequilibrar e se juntou a Varejão, que também fazia a diferença. O Brasil então conseguiu sua maior diferença no marcador, ficando alguns minutos na frente por 16 pontos. No fim do terceiro quarto, John Ramos ainda errou um tapinha fácil e parecia desmotivar Porto Rico. Mas Rivera acertou um chute de três no estouro do cronômetro e deu novo ânimo aos anfitriões.

No quarto decisivo, o Brasil começou vencendo por 50 a 37. Desde o início, Porto Rico apertou a marcação e mostrou que não venderia fácil a derrota em casa. Mesmo assim, os brasileiros pareciam segurar bem a vantagem quando Huertas conseguiu a infiltração e fez 59 a 50, restando aproximadamente três minutos para o fim. A seleção, porém, começou a sofrer com os seguidos erros de ataque, enquanto os porto-riquenhos seguiam diminuindo a vantagem.

Faltando ainda um minuto e meio, Porto Rico teve a chance de passar à frente, mas errou o arremesso de três. Na sequência, Splitter sofreu falta e fez 61 a 57 para a seleção. Mas logo depois o pivô cometeu falta sobre Santiago. Sorte do Brasil que o porto-riquenho errou os dois lances livres. Eles fariam falta logo depois. Arroyo cortou a diferença para dois e Varejão errou uma saída de bola para Leandrinho, que fez falta em Vassalo.

Nos lances livres, mais uma vez Porto Rico falhou. Vassalo acertou o primeiro, mas errou o segundo, deixando o Brasil com a chance de garantir a vitória em San Juan. No ataque seguinte, porém, Splitter errou o arremesso e tudo ficou nas mãos do melhor jogador porto-riquenho: o armador Carlos Arroyo. Com poucos segundos para definir a jogada, ele partiu para a lateral e tentou o chute de três. Bem marcado por Alex, errou e os brasileiros puderam respirar aliviados.

Leandrinho terminou como o cestinha da final, com 24 pontos. Splitter foi importante no garrafão, anotando 13 pontos e nove rebotes. Alex fez mais nove pontos e Varejão terminou o jogo com oito. Já Marcelinho Machado, que foi o reserva mais utilizado por Moncho, com 19 minutos em quadra, não foi bem e falhou em todas as suas tentativas de pontuar. Pelo time de Porto Rico, que primou pelo jogo coletivo, apenas Arroyo pontuou em dígitos duplos, com 14 pontos.

Agora, a seleção já começa a pensar no Mundial, que acontece entre os dias 28 de agosto e 12 de setembro de 2010. Mesmo com o bom desempenho na Copa América, que terminou com nove vitórias em dez jogos para o Brasil, Moncho ainda não tem presença garantida na competição em Istambul. Até lá, o time nacional pode ter um novo técnico, apesar do sistema de jogo do espanhol ter sido bem assimilado pela equipe, salvo alguns momentos de nervosismo que podem custar caro no Mundial.