Um time retrancado, com medo de enfrentar o adversário dono da casa. Uma equipe que preferia empatar a arriscar vencer. Um time que só jogava no chutão. Uma equipe que perdeu com justiça. É a seleção brasileira de Dunga, que foi derrotada pela primeira vez em uma estreia de Eliminatória de Copa do Mundo. Jogando em Santiago, o Brasil foi presa fácil para o Chile, que fez 2×0 e ainda mandou duas bolas na trave. Faltam 17 jogos ainda. Dá tempo para trocar de técnico.

No início do jogo o Brasil já mostrou sua forma de atuar – recuava todo, dava a bola para o Chile e tentava sair no contra-ataque com Willian e principalmente Douglas Costa. Os donos da casa adiantavam a marcação e buscavam jogar nas costas de Marcelo com as subidas do ala Isla. Como a seleção marcava bem na defesa, era uma partida de pouquíssimas oportunidades e nenhum perigo para Jefferson e Bravo. O melhor lance foi praticamente no apagar das luzes da etapa inicial. Após uma bobeada da defesa, Alexis Sánchez mandou uma bomba na trave. Pouco depois, Hulk também tentou na pancada, mas Bravo defendeu.

Pequena melhora

No segundo tempo, o Brasil decidiu ter mais o controle do jogo. Ajudou nisso a aparição de Oscar, que não jogou nada no primeiro tempo e passou a atuar mais próximo de Marcelo e Douglas Costa, este a melhor opção ofensiva da seleção. Faltava a aproximação do restante do time, pois Elias e Luiz Gustavo ficavam fixos à frente da defesa e com isso o Chile tinha espaço para jogar no meio-campo. Era como se tivéssemos um time só com defesa e ataque, sem meio.

O resultado foi que os chilenos podiam arriscar. E Isla acertou um pombo sem asa na trave, a segunda dos donos da casa (que lamentam até hoje outra bola no poste, aquela de Pinilla na Copa de 2014). O lance fez a seleção voltar a jogar na retranca – e sem explorar direito os contra-ataques. Quer dizer, começou o sofrimento. Toda hora a bola passava perto de Jefferson. Enquanto isso, Dunga ficava com aquele olhar superior que não leva a lugar nenhum.

E era evidente que o Brasil ia tomar um gol. Mark González cobrou falta, Vargas desviou e Jefferson aceitou. O toque do ex-gremista foi bonito, mas o goleiro do Botafogo levou um frango. Com a casa derrubada, a seleção e Dunga perceberam que era possível atacar. Só que quem tinha a posse de bola era o Chile, e a torcida em Santiago gritava “olé”.

Desespero

Sem a menor criatividade, o treinador tirou Hulk e colocou Ricardo Oliveira. O artilheiro do Brasileirão precisou de dois lances para jogar mais que qualquer outro homem de frente. Para marcar o centroavante, Jorge Sampaoli atacou de Vilches – e Dunga enfim largou mão da retranca ao colocar Lucas Lima na vaga de Luiz Gustavo. Mas isso aos 36 da etapa final. Tarde demais. E ainda cedendo espaço para o Chile, que marcou o segundo com Alexis Sánchez após uma belíssima troca de passes. Gol para fechar a conta.