Desacreditada antes dos Jogos de Londres, a seleção brasileira feminina de vôlei entrou para a história ao conquistar o bicampeonato olímpico neste sábado, com vitória sobre os Estados Unidos por 3 sets a 1, com parciais de 11-25, 25-17, 25-20 e 25-17.

Vice-campeã do Grand Prix com uma campanha irregular em toda a competição, as meninas do Brasil conseguiram se recuperar de um mau início na competição, com derrota para as próprias americanas e para a Coreia do Sul.

A última vez que um brasileiro chegou a uma edição de Jogos Olímpicos na condição de atual campeão e voltou para casa com a medalha de ouro, foi Adhemar Ferreira da Silva, vencedor no salto triplo em Helsinque 1952 e Melbourne 1956.

O técnico José Roberto Guimarães foi outro que entrou para a história, como o primeiro brasileiro a conquistar três títulos olímpicos: Barcelona 1992 (com a seleção masculina), Pequim 2008 e Londres 2012 (com a seleção feminina).

Zé Roberto ainda impediu que o neozelandês Hugh McCutcheon se igualasse a ele, como campeão olímpico no masculino e no feminino. O treinador da seleção vice-campeã em Londres conquistou o ouro quatro anos atrás treinando a seleção americana que derrotou o Brasil, entre os homens.

A seleção brasileira feminina de vôlei foi campeã nos Jogos de Pequim, quatro anos atrás, vencendo na final, justamente a adversária deste sábado, por 3 sets a 1.

As americanas podem lamentar não ter “entregado” a partida contra a Turquia, na última rodada da primeira fase, quando teriam eliminado a seleção brasileira, que aproveitaram a vitória dos Estados Unidos e ao vencer a Sérvia garantiram a classificação na quarta colocação do grupo B.

Depois de eliminar Rússia e Japão, o Brasil cresceu na competição e chegou para a decisão contra as americanas embaladas depois de duas grandes atuações. As rivais, que entraram invictas no “mata-mata” sem sustos venceram República Dominicana e Coreia do Sul, entrando como favoritas no duelo final.

O primeiro set do duelo define a expressão “apagão” no esporte. As brasileiras não se encontraram em quadras e as americanas não tiveram dificuldade alguma. Com Sheilla e Thaisa, principalmente, com péssimo aproveitamento e muitos erros de saque, a derrota veio em 21 minutos: 25 a 11.

A reação veio de forma arrasadora no segundo set para a seleção comandada por José Roberto Guimarães. Sheilla e Fabiana cresceram e levaram junto toda a equipe, que incendiou a partida. O set foi equilibrado até as brasileiras abrirem 13 a 12. Daí até o fim foram apenas cinco pontos das americanas, até que um ataque certeiro de Fabiana fechou o set em 25 a 17.

De volta ao jogo, as brasileiras mostraram tranquilidade para conduzir a terceira parcial, que foi liderada desde o princípio. Com ataque e bloqueio precisos de Jaqueline, Sheilla e Fernanda Garay, a vantagem só cresceu, chegando a ser de 15 a 10. As americanas chegaram a ficar atrás por dois pontos no fim do set, mas as meninas do Brasil não vacilaram e fecharam em 25 a 20, com ataque de Sheilla.

No quarto set, mais uma vez as brasileiras largaram na frente, em um período marcado pelo nervosismo das duas equipes. As americanas superaram no quesito as brasileiras, que abriram frente no placar logo cedo, mantendo margem de segurança de pelo menos três pontos até a vantagem de 15 a 10.

A partir daí, a vantagem aumentou e as brasileiras chegaram a abrir 22 a 14. Sem sustos, o ponto da vitória veio logo no primeiro match point, em contra-ataque que terminou com ponto de Fernanda Garay. 25 a 17 para o Brasil e ouro histórico para o Brasil.