Edu pode aparecer como
titular pela primeira vez.

Paris – Jogo do século, duelo de estrelas, o confronto (ou tira-teima) dos dois últimos campeões mundiais, jogo da vingança, a grande revanche. Definições não faltam para ilustrar a importância da partida de hoje, entre França e Brasil, nas comemorações dos 100 anos da Fifa, a entidade que comanda o futebol mundial.

As duas seleções, aliás, são as primeiras colocadas no ranking da entidade, Brasil à frente, e uma vitória francesa deve inverter as posições. Mas o encontro das 16h de Brasília (com transmissão pela TV Globo) no mesmo Stade de France em que em 12 de julho de 1998 os brasileiros sucumbiram diante dos franceses com a derrota por 3 a 0 numa final que a precedê-la teve uma até hoje misteriosa convulsão de Ronaldo, tem outras motivações.

O técnico Carlos Alberto Parreira, porém, teve problemas para escalar a equipe -que vai entrar de camisa branca, lembrando a primeira camisa da seleção. Os zagueiros Roque Júnior, com dores na panturrilha, e Juan, com estiramento muscular na coxa esquerda, foram vetados. Os dois vão passar por reavaliação nos próximos dias, embora ontem pela manhã o médico da seleção, José Luís Runco, tivesse dito que Juan seria liberado do jogo de hoje e do contra a seleção da Catalunha, dia 25.

Assim, a zaga terá Luisão e Cris, o último a ser convocado e que vem jogando futebol protegido por um efeito suspensivo da suspensão de 9 meses. Luisão, do Benfica, mas pretendido pelo Real Madrid, espera ajudar a zaga brasileira a anular Henry e Trezeguet, para se firmar na seleção. “Esse é o meu objetivo. E jogar uma partida dessas é uma oportunidade que não se pode desperdiçar.” No meio-campo, Zé Roberto, também com dores musculares, só terá sua escalação definida nesta quinta. Se não puder jogar, entra Edu, o volante do Arsenal inglês.

No ataque, Ronaldo, após ficar fora da goleada por 4 a 1 sobre a Hungria, volta à seleção e recompõe o trio de ouro com Kaká e Ronaldinho Gaúcho. “Esse trio tem dado o que falar, mas é só o início. A gente tem de mostrar o que é capaz de fazer”, afirmou o Fenômeno, que tem um plano para esta tarde: “Pretendo dar uma ?caneta? no Zidane (seu companheiro de Real Madrid. E sei que, se ele tiver chance, vai querer dar uma em mim.” Mas Parreira prefere que não aconteçam brincadeiras contra uma seleção francesa, que, considera, é ainda melhor que a de 1998. “Está mais experiente e tem ataque, que era o que faltava para eles. Agora estão com um poder ofensivo bem melhor.” Em 1998, a França tinha o inoperante Guivarch como atacante. Hoje conta com Henry e o bem mais experiente Trezeguet.

França com seis da final de 98

Paris – Mesmo desfalcada de alguns de seus titulares atuais, o técnico Jacques Santini vai colocar em campo, hoje, uma equipe muito semelhante à que disputou a Copa de 98, pelo menos com seis jogadores que derrotaram o Brasil e alguns dos seus jogadores mais conhecidos atualmente: Zidane, Thuran, Desailly e outros nomes que participaram como reservas da Copa de 98, entre eles o jovem Thierry Henry, hoje titular absoluto e um dos jogadores de maior destaque da Europa.

Setenta mil pessoas assistem o espetáculo no Stade de France, pois os franceses consideram “um privilégio” jogar contra o Brasil, mesmo sendo essa uma partida amistosa em comemoração aos 100 anos da Fifa. Estão fora do jogo o goleiro Barthez, Sagnol e Lizarazu.

Camisa é réplica de 1914

Paris – A seleção brasileira vai vestir hoje uma camisa que remete ao ínicio da trajetória de um time que viria a conquistar cinco campeonatos mundiais. É uma camisa branca, com uma listra azul em cada manga – na direita tem o símbolo em comemoração aos 100 anos da Fifa -, cordões no decote e gola, uma réplica da utilizada pela seleção no primeiro jogo de sua história, em julho de 1914, na vitória por 2 a 0 sobre o Exeter City, da Inglaterra, no Estádio das Laranjeiras. O distintivo no peito é o da antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos).

O uniforme – calções e meias também serão diferentes dos atuais -, foi confeccionado pela Nike especialmente para a partida. No segundo tempo, está previsto que o Brasil voltará a jogar com a vestimenta atual, da qual a tradicional camisa amarela faz parte. O Exeter City é pouco falado atualmente, mas ainda existe. Disputa o equivalente à 5.ª Divisão inglesa. E no dia 30 tem marcada uma partida contra uma seleção brasileira composta por vários jogadores do time campeão nos Estados Unidos em 1994. Márcio Santos, Taffarel, Jorginho e Bebeto são alguns dos tetracampeões convidados pelos ingleses.