Brasil venceu fácil a Venezuela.

A seleção brasileira se despediu de forma tranqüila do território nacional, vencendo com sobras a Venezuela por 3 a 0, ontem à noite, no Estádio do Mangueirão, em Belém (PA).

Para completar a festa, o Brasil ficou com a primeira colocação nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo da Alemanha em 2006, depois da derrota da Argentina para o Uruguai, por 1 a 0. As duas seleções fizeram 34 pontos, mas o saldo de gols dos brasileiros foi melhor (18 a 12).

Com um Roberto Carlos participativo como há muito não se via, um Ronaldo com fome de gol, até individualista algumas vezes por querer quebrar o jejum de mais de um ano sem marcar pela equipe, e um time superior ao adversário do goleiro ao camisa 11, a expectativa de bom espetáculo dos 47 mil torcedores no Mangueirão tinha tudo para se confirmar.

Logo a um minuto, Kaká por pouco não abriu o placar. A seleção ia assim, sobrando em campo. Bastava querer jogar que chegava perto do gol. Faltava Ronaldinho Gaúcho aparecer mais. O time tinha habilidade de sobra na frente, boas jogadas pelas laterais, mas sentia falta de um armador que chamasse o jogo para si, que colocasse os companheiros em condição de fazer o gol.

Ronaldinho Gaúcho deve ter percebido isso e quando resolveu jogar deu passe decisivo para o primeiro gol. Aos 28 minutos, tocou com perfeição para Adriano, que dominou, girou o corpo e chutou cruzado no canto esquerdo.

A seleção voltou para a segunda etapa da festa ainda mais motivada. Pobre Venezuela que viu, aos seis minutos, Ronaldo fazer o gol que ele e o time tanto esperavam. Ronaldinho Gaúcho acertou passe milimétrico para Adriano. Em vez de concluir, o atacante tocou para o Fenômeno. Ronaldo podia também só ter chutado, mas driblou o goleiro, um zagueiro e tocou, cheio de habilidade, no canto esquerdo.

Péssimos anfitriões os brasileiros. Já não deixavam os venezuelanos jogar e ainda por cima faziam-nos passar por situações como a bomba na falta de Roberto Carlos, aos 16 minutos. Um ?pombo sem asa?, como diriam os antigos locutores, indefensável para Dudamel: 3 a 0.

Festa completa que só faltava ter Robinho em campo. Ele entrou aos 19 minutos e infernizou os defensores. Merecia ter feito o seu gol, chegou perto apenas. A Venezuela, quando podia, arriscava chutes de longe, mas, a rigor, teve de se contentar em admirar a exibição brasileira.

?Xô, jejum?

Ronaldo desencantou. Esperou um ano e três dias para voltar a marcar gol com a camisa da seleção brasileira. E teve paciência para ser em grande estilo. O atacante do Real Madrid balançou a rede da Venezuela, fazendo o segundo do Brasil na vitória por 3 a 0. Driblou até o goleiro Dudamel antes de empurrar a bola para o fundo do gol.

Seu último gol havia sido em 9 de outubro de 2004, também nas Eliminatórias e diante da mesma Venezuela. Assim, ele se despede da competição como seu maior artilheiro, com dez gols – já é o brasileiro que mais marcou gols numa mesma eliminatória.

?Xô, jejum! Espero não passar por outro tão longo. Falaram tanto das nossas comemorações e agora quem marca, apanha?, disse Ronaldo, referindo-se aos tapas que levou dos companheiros após o gol.

Uruguai na repescagem

O Uruguai será o representante da América do Sul na repescagem que vai definir um dos últimos cinco classificados para a Copa do Mundo de 2006. A ?Celeste Olímpica? terminou as eliminatórias em quinto lugar ao derrotar a Argentina por 1 a 0, ontem à noite, no Estádio Centenário, em Montevidéu. O gol foi de Recoba, a um minuto do segundo tempo.

O adversário do Uruguai na repescagem será a Austrália, que foi a campeã do grupo da Oceania. O confronto é um repeteco do que havia acontecido no Mundial de 2002.