A estrela de Joel Santana brilhou mais uma vez. Três semanas depois de assumir o comando do desestruturado e humilhado Botafogo, o técnico que conquistou o Campeonato Carioca pelos quatro grandes guiou a equipe ao título da Taça Guanabara, com uma vitória por 2 a 0 sobre o Vasco, neste domingo, no Maracanã. As duas equipes não se enfrentavam na decisão do primeiro turno do Estadual desde 1997.

É apenas a sexta vez que o Botafogo – que vencera aquela partida também sob o comando de Joel – ergue a taça do turno, em 46 edições. Esta com um gosto muito especial, depois que o mesmo Vasco havia imposto uma goleada de 6 a 0 sobre o rival, que buscou então Joel, especialista em arrumar times, em particular os de elenco limitado.

“Foi um título de muito trabalho. Entramos conscientes e vencemos até com facilidade no segundo tempo. Nilton Santos, este título é para você”, comentou Joel, dedicando o troféu a antigo ídolo alvinegro, que sofre com sérios problemas de saúde.

O time de Joel agora já está garantido na decisão do Carioca, pelo quinto ano consecutivo (venceu em 2006 e foi vice em 2007, 2008, 2009).

O panorama tático da partida foi o que se antecipava. O Botafogo recuado, mas não acuado, aguardando a bola perdida, o desarme providencial para iniciar os contra-ataques. E a tática funcionou ainda melhor do que contra o Flamengo, na semifinal, uma vez que o Vasco jogava mal e errava muitos passes.

Mas os dois homens de frente do Alvinegro não estavam em tarde inspirada. Principalmente Herrera. O argentino vivia uma tarde discreta.

No lado vascaíno, quem também jogava mal era Dodô. Entregue à marcação, o atacante não aparecia, reforçando o rótulo de homem que desaparece nas grandes decisões.

Mesmo com as duas equipes sofrendo para criar boas chances, os botafoguenses têm o direito de reclamar de um pênalti de Fernando em Abreu, aos 34, com um carrinho frontal dentro da área.

O erro não foi determinante, e o Vasco implodiu em dois minutos. Aos 24, Marcelo Cordeiro cobrou escanteio e Fábio Ferreira subiu mais do que Fernando para testar para as redes, desguarnecidas pela saída em falso de Fernando Prass.

Dois minutos depois, Nilton deu uma entrada dura em Caio, e recebeu o cartão vermelho direto. O Vasco bem que buscou o empate, mas a tarde não era sua. Sem criatividade e preso na marcação adversária, a equipe de Vágner Mancini nada criava.

Aos 37, a vitória foi selada com outra expulsão. Segundos após receber o amarelo por falta em Caio, Titi puxou Loco Abreu dentro da área e foi para o chuveiro mais cedo. O uruguaio cobrou bem a penalidade e garantiu a festa alvinegra.

“Foi uma vitória da humildade. Trabalhamos quietinhos, com respeito e dedicação”, disse Leandro Guerreiro, em referência ao fato da equipe ser considerada a mais fraca entre os grandes do Rio.

FICHA TÉCNICA:

Vasco 0 x 2 Botafogo

Vasco – Fernando Prass; Elder Granja, Fernando, Titi e Márcio Careca; Nilton, Souza (Rafael Carioca), Leo Gago (Magno (Rodrigo Pimpão)) e Carlos Alberto; Philippe Coutinho e Dodô. Técnico – Vágner Mancini.

Botafogo – Jefferson; Fábio Ferreira, Fahel e Wellington; Alessandro, Leandro Guerreiro, Eduardo, Lúcio Flávio (Caio) e Marcelo Cordeiro; Herrera (Renato) e Loco Abreu. Técnico – Joel Santana.

Gols – Fábio Ferreira, aos 24; Loco Abreu, aos 39 do segundo tempo.

Juiz – Marcelo de Lima Henrique.

Cartões amarelos – Leo Gago, Titi. Marcelo Cordeiro e Fábio Ferreira.

Cartões vermelhos – Nilton, Titi.

Renda e público – R$ 2.078.890,00 para 66.957 pagantes.

Local – Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ).