Marcel tem orientação para se movimentar
e abrir espaços no ataque.

A característica mais evidente das semifinais do campeonato paranaense é a forte marcação. Antes do calor, da boa média de gols e da boa presença de público, os quatro semifinalistas não dispensam um jogo de pressão e de, quando necessário, acompanhamento individual aos destaques de cada time. E tal imposição física do Londrina surpreendeu o Coritiba no sábado – justamente uma das grandes virtudes alviverdes na temporada.

Quem fala isso é o técnico Paulo Bonamigo. Segundo ele, o Coritiba só rende quando consegue impor seu jogo, incluindo a marcação. “Nós temos um time de pegada, e no momento em que conseguimos jogar com essa aplicação dificilmente somos derrotados”, avalia. Para o treinador, a única derrota em 2003 – para o Ituano – aconteceu muito pela dificuldade coxa na marcação, tanto que os destaques do time paulista assumiram o controle da partida. A intenção é ?amassar? o Londrina no jogo de amanhã, às 16h, no Couto Pereira.

No caso da partida de sábado passado, alguns jogadores do Cori reconhecem que faltou pegada. “Acho que a gente não conseguiu fazer o que temos que fazer”, resume o volante Reginaldo Nascimento. “O Londrina veio marcando muito forte, e nós não reagimos a isso. Aí a partida ficou muito mais difícil do que ela normalmente seria”, completa o meia Tcheco. “Não podemos esquecer que a partida foi disputada sob forte calor, e isso atrapalha”, ressalva Roberto Brum.

Mas Bonamigo não acredita que o Coritiba tenha sucumbido à marcação adversária. “Acho que nós tivemos aplicação e pegada. Só que nós talvez não esperássemos que o Londrina viesse jogando daquela forma. E quando eles marcaram o gol, eles se empolgaram”, resume o treinador alviverde, que acredita que o ?contexto? do jogo de amanhã ajude o Coxa a impor-se ante o Tubarão. “Jogando em casa, com o apoio da nossa torcida, temos a obrigação de jogar o nosso jogo.”

Ataque

O Coxa também trabalha para se desvencilhar taticamente da marcação do Londrina. No sábado passado, Dário grudou em Tcheco, Germano em Lima e Dé em Marcel, além dos laterais que colaram em Ceará (depois Pepo) e Adriano. “Precisamos buscar espaços, sair desses acompanhamentos individuais”, diz Bonamigo, que afirma que a partida de amanhã terá (como ele gosta de dizer) vários ?duelos individuais?.

Para conseguir isso, o técnico alviverde exigiu dos seus titulares muita movimentação, principalmente no ataque. “Ele quer que eu saia para buscar o jogo, o que vai atrair a marcação”, resume o centroavante Marcel, que não será poupado dessa ?correria?. “Disse ao Marcel que ele só é o grande atacante que é quando ele participa do jogo. Quando ele não participa, ele cai muito de produção”, finaliza Bonamigo.

Quatro para vaga de Alan

Márcio Alan é a dor de cabeça de Roberto Fernandes esta semana. O meia, com dores na coxa esquerda, ainda não sabe se joga contra o Coritiba, amanhã. Alan não apenas é o meia de ligação, mas também o líder da equipe no gramado. Seu desfalque deixa quatro reservas mais ansiosos. As opções de Fernandes, o treinador, incluem o volante Germano, o meia Marquinhos Guarapuava e os atacantes Zaltron e Fábio Zeni.

Se colocar Zaltron, o que é mais provável, ou Fábio Zeni, o técnico vai recuar Marcelo Silva. Se adotar um esquema mais defensivo, o Londrina terá Germano na vaga de Alan.

Roman apita a semifinal

Bonamigo está preocupado. Ainda sem saber da escalação de Evandro Rogério Roman para apitar Coritiba x Londrina, o treinador alviverde fez um apelo por uma boa arbitragem na partida de amanhã.

Para o técnico, pior é saber que os erros (em cada jogo, houve um pênalti não marcado em Edu Sales) foram transmitidos ?via satélite? para todo o Estado. “Estou preocupado porque aconteceram dois erros nos prejudicando em duas partidas que passaram na TV”, reclama.

Claro que ele não pretende ver arbitragem tendenciosa. “O que eu quero é um juiz corajoso, que não tenha medo de marcar as faltas e punir o jogo violento”, diz Bonamigo.

Guerra pode devolver Adriano antes

Os planos do técnico Paulo Bonamigo para as próximas partidas do Coritiba mudaram. O lateral-esquerdo Adriano vai estar à disposição pelo menos para a segunda partida da final, se o Cori chegar a ela. Com o adiamento (sem data marcada) do Mundial Sub-20, por causa da guerra EUA x Iraque, o destaque coxa volta ao clube no mínimo um mês antes do previsto.

E Adriano até poderia voltar antes, se a diretoria coxa pedisse a liberação do jogador. Mas isso não acontecerá, segundo o secretário Domingos Moro. “A tendência é que ele dispute o torneio da Malásia, até porque eles já viajaram. E é importante que o Adriano esteja com a seleção brasileira”, afirma o dirigente.

Segundo Moro, o Coritiba não foi oficialmente informado do adiamento do Mundial, porque a CBF sequer voltou às atividades – o retorno, previsto para ontem, só acontece na segunda. “Não sabemos ainda se o torneio da Malásia vai acontecer”, diz o secretário. Saindo a competição (que aconteceria entre 13 e 16 de abril) ou não, a delegação brasileira chega hoje ao sudeste asiático, depois de uma viagem com escala na África do Sul.

Para o técnico Paulo Bonamigo, importante é contar com Adriano de volta, mesmo que seja apenas para a segunda partida da final (marcada para o dia 23). “Ter um jogador da qualidade dele é muito importante, ainda mais em um momento crucial da temporada”, afirma. Para a partida de amanhã, entretanto, o treinador já confirmou Ricardo na lateral-esquerda. “Ele é um jovem que estava sendo preparado para jogar, e acredito que ele vai render bem”, comenta.

A segunda opção – colocar Almir como um “médio-ala” – ficou para o decorrer da partida. “Se for o caso, posso usar essa opção. Mas vou começar o jogo com o Ricardo”, explica Bonamigo. Dessa forma, o Coritiba está definido para o jogo de amanhã, contando com Fernando; Ceará, Fabrício, Juninho e Ricardo; Reginaldo Nascimento, Roberto Brum, Tcheco e Lima; Edu Sales e Marcel.