"Acho que Curitiba me traz bons fluidos." Paulo Bonamigo olhou para os interlocutores, muitos deles conhecidos desde os tempos de Paraná Clube, e sorriu. O técnico do Botafogo encerrou uma trajetória de sofrimento com a salvação do clube carioca, que garantiu-se na Série A em 2005 – logo na cidade que o acolheu e que o fez "aparecer" no futebol brasileiro. E muito por trabalho do treinador e de sua comissão técnica, quase a mesma que colocou o Paraná entre os oito melhores da Copa do Brasil em 2002 e levou o Coritiba à Libertadores no ano passado.

Bonamigo não esconde o desafio que enfrentou. "A gente teve que encarar uma grande dificuldade, mas contou sempre com o auxílio do presidente (Bebeto de Freitas), que é uma pessoa fanstástica, e com o grupo de jogadores, que não desistiu em um momento sequer", elogia, valorizando também a entrega dos veteranos Fernando (38 anos) e Valdo (40) – este, que encerrou a carreira no empate com o Atlético, foi companheiro do agora técnico no Grêmio.

A defesa que o treinador faz de Bebeto tem resposta. "Estou plenamente satisfeito com o trabalho do Paulo Bonamigo e não vejo outro profissional para trabalhar no Botafogo em 2005. Se depender de mim, ele continua", afirma o presidente do Fogão, ainda eufórico com o empate na Baixada e a salvação na última rodada. "É complicado viver neste mundo do futebol, ainda mais tentando trabalhar com seriedade e honestidade", desabafou, em entrevista à rádio Transamérica.

Bonamigo, ao contrário, não fez desabafos – como aquele do dia em que levou o Coxa à Libertadores. Escaldado, comemorou com os jogadores e festejou com a cidade que o adotou, e que foi adotada por ele. Os abraços foram muitos, a começar por Levir Culpi, que o cumprimentou ainda no gramado do Joaquim Américo. Depois, foram jogadores e dirigentes dos dois times, jornalistas e torcedores do Botafogo que conseguiram entrar na zona de imprensa da Arena. E, é claro, dos parceiros de sempre: os auxiliares Alciney de Miranda e Édson Gonzaga e o preparador físico Róbson Gomes. Cassius Hartmann, que trabalhou com o técnico no Coritiba e no Atlético-MG, também apareceu para cumprimentá-lo.

Tudo muito normal para ele, que não esconde o carinho que tem por Curitiba. "Foi nesta terra que tive as primeiras oportunidades em times de ponta, e onde consegui grandes conquistas. E fico muito feliz de atingir mais um objetivo aqui, perto de pessoas que gostam de mim e que me ajudaram muito", finalizou.

Futuro

Qual seria o próximo desafio? Muitos falam sobre uma possível contratação pelo Atlético. Ele já esteve na mira dos dirigentes rubro-negros há dois anos – e, naquela oportunidade, ele acertou primeiro com o Coritiba e manteve a palavra. Agora, com a saída de Levir Culpi, Bonamigo volta a aparecer como o principal nome. Por enquanto, o treinador não fala no assunto, mas vai passar as festas de final de ano na casa que adquiriu em Curitiba em 2003.