O Bom Senso FC, grupo de jogadores que cobra melhoras na gestão do futebol no País, publicou nesta terça-feira uma carta aberta aos candidatos que disputam o segundo turno das eleições à presidência da República: Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). No documento, eles exigem “o compromisso explícito com as bandeiras de reforma e democratização das entidades que administram o futebol brasileiro”.

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O pedido pelo “compromisso explícito” é a única referência que o Bom Senso faz aos presidenciáveis. No restante da carta, o grupo expõe algumas das suas teses, mostrando um cenário problemático no futebol brasileiro.

“No ano em que o País recebeu a Copa do Mundo, os sete gols da Alemanha pintaram o retrato das décadas de autoengano que vive o nosso futebol. Na nossa própria casa, o visitante veio nos escancarar a enorme fragilidade daquele que, apesar de tudo, ainda é um dos nossos maiores patrimônios culturais”, começa o texto.

O Bom Senso levanta, na carta, uma das causas da campanha: a gestão amadora do futebol no País. “Embora o negócio movimente cerca de R$ 11 bilhões por ano, não se sabe para onde vai boa parte dos recursos. O que se sabe é que a gestão amadora não tem sido capaz de financiar o desenvolvimento desse esporte no País.”

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Os jogadores lembram aos candidatos que, mesmo com expressivo aumento de receitas, os principais clubes brasileiros aumentaram em 100% suas dívidas nos últimos cinco anos. “Apenas ao governo, eles devem cerca de R$ 4 bilhões”, reforçam.

Outro ponto citado pelo Bom Senso é o calendário do futebol nacional, que faz com que 80% dos jogadores profissionais fiquem “desempregados ou subempregados sistematicamente por seis ou seis meses ao longo do ano, sem que nenhuma atitude das autoridades públicas seja tomada.”

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Dizendo que “é preciso que o Estado assuma o seu papel no desenvolvimento do esporte”, o Bom Senso cobra um posicionamento dos candidatos. “Ficamos no aguardo de vossos posicionamentos, na convicção de que este apoio ao futebol e ao esporte brasileiro significa também a esperança para a democracia em toda a nossa sociedade.”