Amigos, amigos, rivalidades à parte. O clássico Atletiba que irá decidir o Campeonato Paranaense de 2016 tem um ambiente totalmente diferente das duas últimas vezes que Atlético e Coritiba se encontraram em uma final de campeonato. Desde que o presidente do Coxa, Rogério Portugal Bacellar, ganhou as eleições, em dezembro de 2014, o clima entre os dois clubes mudou drasticamente.

Com Vilson Ribeiro de Andrade comandando o Coxa, as brigas com Mário Celso Petraglia eram constantes. Desde provocações, notas oficiais, passando por empréstimo (ou não empréstimo no caso) de estádio e outras questões, Furacão e Alviverde trocaram farpas e aumentaram a rivalidade.

Quase um ano e meio depois, a situação é bem diferente. Desde o Campeonato Paranaense do ano passado, inúmeros eventos foram realizados pelas duas diretorias. Entrevistas coletivas pré-jogos, para anunciar patrocinadores em conjuntos (que até hoje estampam a marca nas camisas das equipes) foram apenas algumas iniciativas tomadas. Fora do âmbito campo e negócios, Atlético e Coritiba também deram passos juntos em outros aspectos.

Os dois foram, junto com Flamengo e Fluminense, os idealizadores da Primeira Liga. A competição regional começou a ganhar força muito graças aos paranaenses, que tomaram a iniciativa, reuníram times de outros estados e tiraram do papel um torneio independente. A ideia, na verdade, também surgiu pelos dois estarem lado a lado contra a Federação Paranaense de Futebol (FPF).

No ano passado, nas eleições presidenciais da entidade, Furacão e Coxa apoiaram Ricardo Gomyde, candidato da oposição, contra Hélio Cury, que foi reeleito. A dupla, insatisfeita com a FPF, tentou mudar o comando, mas sem sucesso. Uma outra solução encontrada foi a criação de uma liga estadual. Mais uma vez, encabeçada por alviverdes e rubro-negros, que no mês passado reuniram clubes de todas as divisões paranaenses, com o objetivo de controlar o futebol local.

A amizade envolvendo os dois clubes e, principalmente, os dirigentes, tem encerrado qualquer briga também nos bastidores. No clássico do primeiro turno, na Arena da Baixada, o Atlético liberou, em um primeiro momento, cerca de 1.700 ingressos e, na sequência, uma carga extra de mais 500 bilhetes para a torcida do Coritiba, aproximadamente 1.800 entradas a menos do que o adversário teria direito, devido à capacidade do estádio (40 mil lugares). A atitude do Furacão revoltou o presidente Rogério Bacellar, que disse que a decisão atleticana teria volta e que eles iriam agir da mesma maneira no próximo clássico no Couto Pereira.

Porém, para este primeiro jogo da final, as diretorias chegaram a um acordo e a torcida coxa-branca terá quatro mil ingressos à sua disposição, com os 10% da capacidade do Couto liberados para os atleticanos. Ou seja, apesar de um desentendimento ou outro, os dois lados acabam sempre se acertando, deixando a rivalidade apenas na hora de a bola rolar.

Um cenário completamente diferente de 2012 e 2013, quando a diretoria atleticana, então comandada por Mário Celso Petraglia, voltou ao clube. Nas fina,is daquele ano, por todos os problemas com o próprio Petraglia, Vilson aproveitou para provocar o rival após os títulos e volta e meia alguma polêmica ou indireta, de ambas as partes, acabavam surgindo.