Oito motos, carros blindados, mais de 30 soldados, policiais e representantes da Polícia Federal. A escolta do presidente da Fifa, Joseph Blatter, é equivalente a de um chefe de Estado. Mesmo dentro do luxuoso hotel onde está hospedado em São Paulo, Blatter apenas caminha de um lugar ao outro na companhia de até seis seguranças, que impedem qualquer aproximação ao cartola.

Na Suíça, Blatter circula praticamente sem segurança. Na Copa de 2006, na Alemanha, apesar de o governo ter criado dispositivos para protegê-lo, o número de homens era pequeno. Na África do Sul, quatro anos atrás, a segurança foi reforçada diante dos índices de criminalidade do país.

No Brasil, a garantia de segurança da Fifa se transformou em uma real preocupação depois que, em 2013, a Copa das Confederações foi realizada em meio a protestos que pegaram todos de surpresa. Naquela ocasião, a Fifa cobrou do governo brasileiro garantias de que as seleções e os cartolas seriam protegidos.

Agora, as autoridades não querem dar qualquer brecha para um eventual problema de segurança. No total, 157 mil homens farão a segurança da Copa, com gastos recordes para esse segmento da organização.

No lobby do hotel e em cada acesso, seguranças foram colocados, restringindo até mesmo a movimentação de outros hospedes. Funcionários da Fifa contaram à reportagem que, antes de desembarcar no Brasil, foram orientados a não sair às ruas caminhando.

Nos últimos dias, tanto Blatter como o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, tem insistido: direcionar os protestos contra a entidade é um equívoco, já que os problemas seriam do governo brasileiro. Segundo Blatter, a Fifa jamais utilizou dinheiro público para a Copa.