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Blatter diz que o futebol tem uma ‘dívida enorme’ com Havelange

Braço-direito de João Havelange na Fifa, o suíço Joseph Blatter afirmou nesta terça-feira que o futebol “tem uma enorme dívida de gratidão” com o brasileiro, que faleceu nesta terça-feira, no Rio, aos 100 anos. “Sua ambição era a de fazer o futebol um esporte global”, disse.

O dirigente suíço, que está sob investigação judicial e foi suspenso por seis anos da Fifa, foi um aliado de décadas de Havelange. “Ele o chamava de linguagem universal e ele conseguiu atingir esse objetivo”, afirmou Blatter, que lembrou que esteve ao seu lado desde fevereiro de 1975. “Eu o ajudei a desenvolver a Fifa no que ela é hoje”, afirmou.

Em 1998, Havelange deixou a presidência da Fifa para ser sucedido por Blatter. Juntos, ele foram apontados como participantes diretos em um esquema de corrupção. O brasileiro renunciou ao cargo de presidente de honra em abril de 2013. Já o suíço anunciou a sua renúncia à presidência em junho de 2015.

Blatter fez uma avaliação positiva da carreira de Havelange, exaltando a contribuição que deu ao mundo do futebol. “O nome de Havelange será sempre sinônimo do desenvolvimento do futebol – e com o movimento olímpico, do qual o estádio Olímpico João Havelange no Rio é uma testemunha”, disse. “Graças a ele, o futebol é o esporte mais popular do mundo, inclusive em termos de impacto político”, acrescentou.

Havelange transformou a Fifa e o futebol em um lucrativo negócio, mas também é apontado como um dos responsáveis pela eclosão de vários casos de corrupção envolvendo os membros da entidade. O brasileiro expandiu a Copa do Mundo de 16 para 32 seleções e a converteu em um dos eventos mais populares do planeta. Também conseguiu contratos lucrativos, incorporou novas federações à Fifa e criou o Mundial Feminino.

A sua morte ocorreu exatamente durante o período em que o Rio sedia a Olimpíada, na primeira vez em que a América do Sul recebe o evento, sendo que ele foi decisivo para escolha da cidade ao participar da apresentação final antes da votação do COI em 2009 – o brasileiro renunciou ao seu cargo na entidade em 2011, alegando problemas de saúde, após ser alvo de investigação por denúncias de suborno.

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