Diário do Pará/Arquivo Tribuna
Borges é o principal artilheiro paranista no Brasileirão.
Já balançou as redes 16 vezes.

O período de ?vacas magras? foi superado com vitórias e gols. Invicto há cinco jogos, o Paraná Clube marcou, neste período, 16 gols. Mesmo assim, o técnico Luiz Carlos Barbieri quer mais. Pelo menos foi o que se percebeu no treino de ontem, num trabalho específico de finalizações. ?Perdemos muitas chances na última partida. Era jogo para fazer nove, dez gols?, disse o treinador.

Esse tipo de trabalho sempre foi muito enfatizado por Barbieri. ?Acho fundamental. Aqui, tenho trabalhado pouco este fundamento devido à seqüência de jogos e por estarmos na reta final do campeonato, onde o treinamento é muito mais de manutenção?, confirmou. O Paraná, com a recentes goleadas – 4×1 sobre Brasiliense e 6×1 contra o Fluminense – melhorou seu aproveitamento ofensivo. Mesmo assim, o Tricolor tem apenas o 11.º ataque da competição, com 49 gols marcados.

Mesmo distante dos ataques mais efetivos do Brasileiro, o Paraná Clube tem uma virtude: a boa distribuição de gols. Não só apenas em relação aos jogos – o Tricolor só passou em branco em seis dos 31 jogos que disputou – mas também na questão de seus artilheiros. A exceção é Borges, que com 16 gols está ?na cola? dos principais goleadores do Brasileirão 2005 (Alex Dias, do Vasco, tem 19; e Róbson, do Paysandu, 18). André Dias, com 7, e Neto, com 5, são os outros ?matadores? da equipe. Mas, catorze jogadores do atual elenco já balançaram as redes.

Entre eles, Sandro, que vem sendo um atacante extremamente preciso. ?Reserva de luxo?, o jogador tem três gols e no último sábado fez o milésimo gol do Brasileiro. ?Tenho procurado aproveitar cada chance?, afirma. Curiosamente, no único jogo em que começou como titular – frente ao Atlético Mineiro – Sandro não balançou as redes. ?O importante é que o time está vencendo. Temos que trabalhar muito para garantir a manutenção desta boa fase até a última rodada?.

Barbieri, no intuito de manter o embalo, tem feito alterações mínimas do time. ?Tenho mudado somente na necessidade. O segredo, nesta fase, é a simplicidade. Isso vale na hora de escalar do time e lá dentro de campo. O jogador deve sempre fazer o simples que tudo ocorre com maior facilidade?, justificou o treinador.

Para o jogo de sábado – às 18h10, no Orlando Scarpelli -o treinador terá que improvisar na lateral-esquerda. Edinho e Vicente estão lesionados e foram vetados pelo departamento médico, o que obrigará Barbieri a utilizar ou Parral (lateral-direito) ou até mesmo Aderaldo (zagueiro) no setor. ?Vou buscar a alternativa que me permita manter o equilíbrio do time. O adversário vive momento delicado e será um jogo dificílimo?, finalizou o treinador paranista.

Entrevista

Luiz Carlos Barbieri completou oito jogos no comando do Paraná. Após um início desastroso (com três derrotas seguidas), conquistou a confiança do grupo e soma cinco jogos invicto. Garante ter grandes ambições neste Brasileirão, mas mantém discurso de humildade para a reta final. Evita projeções e prepara seu time jogo a jogo, mantendo vivo o sonho da Libertadores.

Paraná-Online: Você diz que o futebol é simples. Até que ponto?
Barbieri: Quanto mais você simplificar, a tendência é obter evolução. O que não pode é inventar. Peço isso também para os atletas. Se você tem um companheiro bem posicionado, o simples é fazer a assistência. Jogada de efeito, acaba dificultando.

Paraná-Online: Que peso tem o fato de você ter sido jogador?
Barbieri: É importante. Eu posso dizer que conheço tudo que se passa nos vestiários, no dia-a-dia, na cabeça dos atletas. Às vezes o jogador tem um problema familiar e não se abre. Por saber como as coisas acontecem, posso orientar ou pedir que alguém converse com ele. Mas há muitos profissionais que não foram atletas e são brilhantes. O importante é conhecer futebol.

Paraná-Online: Há vários estilos de treinador. Como você se define?
Barbieri: Sou exigente, mas dou sempre liberdade para o atleta expor seu ponto de vista. Quando cheguei, deixei claro que sou eu quem escalo. Porque, se as coisas não vão bem, estoura sempre no treinador. Não sou de vigiar jogador. O profissional tem que ter responsabilidade. Precisa chegar inteiro para o treino. Não é sacrifício fazer o que gosta. Além da boa remuneração, têm uma boa exposição na mídia. Poucas profissões dão um status como esse.

Paraná-Online: Até que ponto o jogador pode ter uma vida social intensa?
Barbieri: Todos têm o direito de tomar uma cervejinha e sair. Mas precisam ter uma vida regrada. Hoje, não se pode admitir o cara ir dormir às 4h e querer treinar às 8h. Tem hora pra tudo. No dia seguinte ao jogo, eles podem fazer o que bem entenderem -churrasquinho, sair com a família, namorar. Mas depois, têm que pensar na recuperação. O jogador está na mídia, vai sempre aparecer menina atrás. Ganha bem e tem carro. Faz bem pra auto-estima, mas é preciso ter cabeça. Sempre cobro de meus jogadores que estudem, não viver só o hoje e pensar no futuro.

Paraná-Online: Você busca seu espaço no futebol. Como você recebeu o fato de ser o técnico da rodada, segundo a Espn Brasil, após a goleada contra o Flu?
Barbieri: Pra mim, foi importante. Tenho ambições e busco o sucesso profissional, pensando na família. Sei que há pessoas que dependem do mim. Todo ser humano tem problemas. Também tenho, mas procuro separar as coisas. Sou jovem e procuro estudar bastante, leio muito e procuro estar a par de tudo. Assisto todos os jogos e tenho uma relação de jogadores que possam ser úteis no futuro. O bom trabalho sempre é premiado.

Paraná-Online: Qual o tipo de leitura que você curte?
Barbieri: Completei o segundo grau e sempre digo que a minha maior faculdade é a vida. Sempre procurei tirar proveito dos ensinamentos que tive. Hoje, leio muito sobre o poder da mente. Acredito no pensamento positivo. Não sou de me empolgar com o sucesso, nem me desesperar quando vai mal. Acreditar. Insistir. Assim objetivos são alcançados.

Paraná-Online: Foi essa filosofia que o ajudou a superar as três derrotas?
Barbieri: O trabalho é medido por resultados. Você faz o certo e dá errado. Aí você vê alguém fazer errado e, às vezes, dá certo. Cada um tem seu estilo. Tenho a consciência tranquila, pois desde o primeiro momento fiz o trabalho da melhor forma possível. O grupo assimilou o trabalho e a evolução aconteceu.

Paraná-Online: Até onde você e o Paraná podem chegar nesse Brasileiro?
Barbieri: Acho bom que a mídia de Rio e São Paulo deixe a gente de lado. O grupo segue trabalhando com simplicidade. Internamente devemos pensar em ser grandes, em chegar. Fora, é seguir com os pés no chão, um passo de cada vez. Temos que ser Paraná. Guerreiros. Não queremos badalação. O grupo está unido e buscando o que quer. E garanto, esse grupo vai chegar longe. Podemos perder, mas vão ter que suar sangue para ganhar da gente.