Orlando Kissner
Técnico tricolor afirma
que o time pode render
muito mais do que no sábado.

O tropeço em Florianópolis não foi contestado pelo Paraná Clube. Nem poderia. Resignados, jogadores e integrantes da comissão técnica reconheceram o desempenho medíocre do time, que em momento algum lembrou a equipe vibrante de jogos anteriores. Dispersivo em campo, o Tricolor foi refém de seus próprios erros e o Figueirense não precisou fazer muita força para garantir o placar (2×0).

A nona derrota da equipe na competição pode comprometer o sonho de pela primeira vez disputar a Copa Libertadores da América.

O técnico Luiz Carlos Barbieri não baixou a guarda e garante que o revés foi um fato isolado, fruto de uma má jornada do time. ?Temos que recuperar a mesma pegada de jogos anteriores?, afirmou, numa referência à série invicta que o Paraná ostentava até então. Nas cinco rodadas anteriores, o clube obtivera quatro vitórias e um empate. ?O time esteve muito aquém do que pode render. Isso, ao menos, me dá a confiança para a seqüência do Brasileiro?, disse Barbieri, logo após a partida.

A reação terá que ser imediata. Afinal, na próxima rodada o Tricolor vai a São Paulo, encarar o líder e grande favorito ao título Corinthians. Mesmo não trabalhando com projeções, Barbieri sabe que para tornar real o sonho da Libertadores o Paraná precisa de pelo menos mais sete vitórias. ?Ficou mais difícil, mas não impossível?, lembrou o técnico. Nas dez rodadas restantes, o clube terá que elevar para 70% seu rendimento, que hoje é de 53,12%.

O Paraná disputa mais quatro jogos em casa contra São Caetano, Paysandu, Flamengo e Cruzeiro , um em ?estádio neutro? frente ao Internacional, em Cascavel, e outros cinco fora frente a Corinthians, Atlético-PR, Santos, Botafogo e Vasco.

?Não podemos perder a mobilização. Se fracassamos frente ao Figueirense, é hora de mostrar a força do grupo e não se deixar abater?, afirmou Barbieri, lembrando que oscilações são normais em uma competição tão equilibrada.

Todos têm consciência de que a derrota complicou em muito a trajetória do Tricolor. Tivesse somado três pontos, o jogo do próximo sábado poderia colocar o clube na briga pelo título. Agora, é juntar os cacos e pensar na reabilitação. ?Já mostramos antes que sabemos jogar sob pressão. É ter a cabeça fria para analisar onde erramos e reagrupar o time. Temos que passar uma borracha neste jogo?, finalizou o atacante André Dias.

Paraná ficou sem reposição

Desta vez, as opções não foram suficientes. As ausências de dois titulares (e um suplente imediato) comprometeram o nível defensivo do Paraná Clube. Principalmente o fato de a equipe ter atuado sem um especialista na ala esquerda. Parral até se esforçou, mas, torto pelo lado contrário de onde está acostumado a jogar, foi uma peça nula na equipe. O Figueirense soube tirar proveito dessa fragilidade e por ali construiu a vitória.

Tudo isso no primeiro tempo, já que na fase complementar, sem se lançar à frente, Parral pelo menos impediu os avanços do ala e dos meias catarinenses pelo setor. Mas, ficou evidente que a saída de Edinho comprometeu o estilo de jogo do Paraná, acostumado a avançar com freqüência pelos lados do campo. Como Barbieri precisou corrigir o posicionamento do time com a entrada de mais um meia, no caso Sandro, também as descidas de Neto se tornaram mais escassas.

Isso sem contar o desequilíbrio da zaga a partir da ausência de Marcos. O líbero vinha sendo o jogador mais regular do setor e com sua experiência garantia também maior tranqüilidade a Daniel Marques e Aderaldo. Só que dificilmente Marcos se recuperará a tempo de encarar o Corinthians. Como Daniel Marques está suspenso pelo terceiro cartão amarelo, Barbieri terá que se virar para arrumar a cozinha tricolor. Principalmente diante de Tevez e companhia.

Já para a ala esquerda, a tendência é que pelo menos um dos jogadores da posição seja liberado pelo departamento médico. Edinho, que sofreu uma contusão na coxa, já estava correndo normalmente na sexta-feira. ?Vamos ter que observar sua evolução, mas ele já está sem dor?, disse o médico Milton Nagai. Vicente, o reserva imediato, se recupera de uma entorse de tornozelo, que sofreu em um treino antes do jogo frente ao Fluminense, quando pisou num buraco no gramado do Pinheirão.