Alvo de críticas da Fifa, a Austrália defendeu sua candidatura à sede da Copa do Mundo nesta sexta-feira, negou qualquer irregularidade e reiterou que fez campanha “limpa” para receber o Mundial de 2022. A entidade máxima do futebol atacou a Austrália e outros países, como a Inglaterra, no polêmico relatório que isentou Rússia e Catar, suspeitos de corrupção na eleição em que foram vitoriosos para sediar as duas próximas edições da Copa.

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“Eu já deixei claro para todos os envolvidos em nossa candidatura que realizamos uma campanha limpa e destaquei este objetivo em toda oportunidade que tive”, declarou o presidente da Federação Australiana de Futebol, Frank Lowy. “A Austrália fez seu melhor para colocar em prática uma candidatura competitiva e adequada.”

A candidatura australiana foi acusada pela Fifa de fazer “determinados pagamentos” à dirigentes da Concacaf, que votariam em favor do país da Oceania na eleição para a Copa de 2022. Frank Lowy afirmou que o pagamento não envolveu integrantes da equipe responsável pela candidatura. “Nossa equipe foi enganada. Foi revelado mais tarde que houve um desvio.”

O dirigente disse ainda ter ficado decepcionado com o processo de escolha das sedes da futura Copa. “Há muitas coisas que poderíamos ter feito de forma diferente e continuamos desapontados pela nossa experiência de tentar sediar uma Copa do Mundo”, declarou.

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As críticas da Fifa estão contidas no relatório de 42 páginas divulgado na quinta-feira pelo juiz Hans-Joachim Eckert, contratado pela entidade para avaliar documento mais amplo que investigou as suspeitas de corrupção. O documento original produzido pelo advogado norte-americano Michael Garcia tem 350 páginas.

Em seu relatório, Hans-Joachim Eckert inocentou tanto a Rússia quanto o Catar, mantidos com as sedes dos Mundiais de 2018 e 2022. O juiz admitiu que empresários e cartolas do Catar pagaram cerca de R$ 12 milhões para conseguir apoio.

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No caso dos russos, ele informou que responsáveis pela candidatura destruíram os computadores onde estavam os arquivos e alegaram que não poderiam passar os e-mails enviados porque o Google não havia autorizado. Ele, no entanto, não recomenda que haja um novo processo de seleção e a Fifa não acredita que os incidentes são graves o suficiente para justificar a Copa dos dois países.

Responsável pela investigação das suspeitas de corrupção, Michael Garcia se mostrou insatisfeito com o resultado final do caso, resumido no relatório do juiz alemão. Ele afirmou que vai apelar contra o relatório. “A decisão de hoje [quinta-feira] contém numerosas interpretações incompletas e errôneas dos fatos”, declarou o advogado, que tenta obter permissão para divulgar seu relatório completo.