Acostumada a decidir as eleições do Atlético, a Torcida Organizada Os Fanáticos deverá ter seu apoio bastante disputado nas próximas semanas pelas três chapas que vão concorrer ao pleito do Furacão, que acontece em dezembro deste ano. De um lado, a chapa Democracia Atleticana garante que alguns comandos já confirmaram seu apoio à ala liderada pelo empresário Nadim Andraus. Do outro, a chapa Atlético de Novo contou no lançamento oficial, anteontem, com a presença de ex-presidentes da principal organizada do Furacão.

Entretanto, os ex-presidentes da Os Fanáticos, Renato Sozzi e o ex-vereador Júlio César Sobota, o Julião, foram ao evento para conhecer as propostas da chapa liderada pelo advogado Henrique Gaede que, no seu pronunciamento, anunciou a presença dos membros da organizada.

No entanto, ontem, através de um comunicado pela sua página oficial do Facebook, a chapa oposicionista afirmou que a torcida Os Fanáticos ainda não declarou apoio oficial para nenhuma das chapas e que os ex-presidentes da facção só estiveram presentes para conhecer melhor uma das alas que pretende comandar o Furacão a partir da temporada de 2016.

“Pessoal, só um esclarecimento sobre o evento de ontem. Ficamos muito orgulhosos com a presença da Torcida Organizada Os Fanáticos, mas é bom deixar claro que eles não declararam apoio nenhum. A torcida se fez presente para conhecer os membros da nossa chapa e as nossas principais propostas. É lógico que queremos muito o apoio da TOF, mas vamos respeitar a independência da instituição no processo eleitoral”, disse o comunicado.

Farinhaki agora é forte adversário

Dirigente do Atlético na década de 90 e braço direito do atual presidente, Mário Celso Petraglia, nas últimas eleições realizadas no final de 2011, José Carlos Farinhaki é um dos líderes da chapa Democracia Atleticana e tem uma empatia muito grande com a torcida rubro-negra. A Tribuna teve acesso a um documento escrito pelo ex-dirigente direcionado a Petraglia pontuando e esclarecendo algumas situações que aconteceram no passado e que, segundo ele, precisam ser esclarecidas, principalmente depois de ter sido citado por Petraglia em tom irônico de que poderia iniciar um processo de renovação dentro do clube.

Farinhaki lembra que foi seu o convite para Petraglia, em 1973, para fazer parte da famosa Retaguarda Atleticana. Além disso, em 1994, o ex-dirigente lembra que recebeu um pedido inusitado. “Em uma noite, fui convidado por Petraglia para jantar e foi aí que ele fez um ardoroso pedido para que eu não concorresse à presidência. Ele sabia que não ganharia a eleição. Em um ato de desprendimento em favor do Atlético, abri mão para que Petraglia concorresse sozinho”, contou.

União

O ano de 2011 foi bastante peculiar para os dois dirigentes. Petraglia, segundo Farinhaki, pediu sua ajuda para duas frentes de trabalho. A primeira era de realizar reuniões com grupos de conselheiros para a apresentação do seu projeto para a reforma e ampliação da Arena da Baixada. Depois dessas reuniões, seu projeto foi aprovado por grande maioria dos conselheiros. No mesmo ano, Farinhaki coordenou a campanha da chapa CAP Gigante, ajudou a angariar votos e foi o responsável direto por conseguir o apoio da torcida Os Fanáticos.

Depois disso, segundo Farinhaki, Petraglia desandou no comando do clube, não cumpriu diversas promessas de campanha e isso causou o rompimento no bom relacionamento dos dois. Isso aconteceu em meados de 2012, quando Petraglia pediu a Farinhaki informações sobre o zagueiro Luiz Alberto. “Depois de colher informações sobre o jogador, comuniquei a Petraglia que, sob o ponto de vista comportamental, as informações eram as piores possíveis. Foi informado também que o empresário do jogador ofereceu dinheiro para que desse boas informações do jogador. Mesmo assim o zagueiro foi contratado e foi uma grande surpresa negativa”, disse.

Andraus está confiante

Do lado da chapa de oposição Democracia Atleticana, sobretudo por causa do momento ruim que o Atlético vive nos gramados e dos recentes protestos contra o atual presidente Mário Celso Petraglia, há uma confiança muito grande que a torcida Os Fanáticos lance seu apoio ao grupo de Nadim Andraus. No último pleito, em 2011, José Carlos Farinhaki ajudou a angariar votos para a atual gestão liderada por Petraglia e, de acordo com o Andraus, alguns comandos da facção já se posicionaram favoráveis à esta ala de oposição.

“A torcida depositou um voto de confiança em nossa chapa graças às pessoas que estão nos apoiando e participam deste movimento atleticano. Vários comandos vieram conosco, várias alas e pessoas também que não fazem parte da torcida organizada. Penso que cortaram a festa deles e nós temos que voltar a fazer aquela festa dentro da Arena e que fazia parte do show”, concluiu Andraus.

Enquanto as duas chapas já começaram a ser articular nos bastidores e realizar suas campanhas, a chapa CAP Gigante, da situação, ainda segue fechada em copas. O presidente Mário Celso Petraglia afirmou publicamente que não deverá ser candidato, mas que vai apoiar o candidato da chapa da situação que deverá ser lançada nos próximos dias. Apesar do anúncio do atual mandatário rubro-negro, os oposicionistas não acreditam que Petraglia abrirá mão de concorrer à presidência do Atlético. (LF)

Nada certo

A chapa Atlético de Novo, que definiu apenas o advogado Henrique Gaede como candidato à presidência do conselho deliberativo, deve apostar em João Alfredo Costa Filho, que participou em duas oportunidades da atual gestão de Petraglia, para ser candidato à presidência do conselho administrativo. Em contato com a reportagem, Costa Filho afirmou que há uma conversa em andamento, mas que está em viagem e deverá se reunir com outros membros desta chapa oposicionista no final de semana para a definição dessa situação.

Ajuda

Farinhaki confirmou participação também no entrave envolvendo a negociação do zagueiro Manoel. Depois de se desentender com o defensor, Petraglia pediu e até ofereceu dinheiro ao ex-dirigente para tentar negociar com o atleta. Depois de muitas tratativas e de conversas com o ex-jogador Dirceu, ex-Coritiba, que levou Manoel ao Furacão, o zagueiro aceitou o acordo, mas exigiu que fosse vendido, pois não suportaria mais a convivência com Petraglia. 

Acabou em Luque! Leia a opinião de Mafuz sobre a derrota atleticana!

Paraná Online no Facebook