O futebol é assim, ele transforma os renegados em heróis em um lance. Quem não lembra de Adriano Gabiru? O torcedor do Atlético o conhece e o admira. Só brilhou com a camisa rubro-negra. Mas no Internacional era execrado. Até a final do Mundial de Clubes, contra o Barcelona, e o gol do título. Virou mito colorado, e o grito “me perdoa, Gabiru” virou sucesso no Beira-Rio. O veterano Lucho González ouviu várias críticas, pedidos pra que saísse do time. Paulo Autuori o manteve. E no final ele acabou sendo o heroi da classificação para a fase de grupos da Copa Libertadores. O gol do argentino contra o Deportivo Capiatá serviu como uma libertação – para ele e para o Rubro-Negro.

Lucho González chegou ao Atlético no segundo semestre do ano passado com a responsabilidade de ser o armador que o time precisava tanto. Não conseguiu ser, nem jogando como meia adiantado, nem mais atrás, como vem atuando nesta temporada. Mas não há a menor possibilidade de sair do time. Ele é o jogador de extrema confiança de Paulo Autuori. Pela liderança, pelo controle emocional, pela atitude. E principalmente pelo exemplo. “Para nós, é importante ter um jogador que coloque tudo dentro de campo. Isto agrega muito e não podemos abrir mão disso”, resumiu o treinador, ainda em Capiatá.

Foto: Aniele Nascimento.
“É importante ter um jogador que coloque tudo dentro de campo”, elogia Autuori. Foto: Aniele Nascimento

Não foi à toa que Lucho González foi titular nas quatro partidas da Libertadores. Acabou sendo substituído em todos os jogos. Na série contra o Millonarios, Matheus Rossetto entrou em seu lugar. Na ida contra o Deportivo Capiatá, João Pedro o substituiu para dar mais força ofensiva. Na volta, na quarta-feira, foi Wanderson que foi chamado para ajudar na defesa. Em nenhum momento o argentino reclamou. Até porque geralmente ele deixa o campo em seu limite físico. “É um jogador que tem se superado, com pouco tempo de trabalho”, comentou Paulo Autuori.

A importância do gol de Lucho González pode ser vista nos números. Vale quase dois milhões de dólares de premiação da Conmebol, pela participação na fase de grupos. Vale muita exposição nacional e internacional. Faz o Atlético dar solidez à sua quinta participação na Libertadores. Em resumo, faz o Atlético crescer. “A Libertadores é importantíssima, independe do adversário. É uma competição muito boa para todos os atletas e também para o clube”, diz o volante Otávio, um dos destaques da classificação.

Vitória pessoal

Para o argentino, também foi importante. Foi o primeiro gol de Lucho González pelo Furacão. “Para qualquer jogador, é bom demais marcar”, lembrou. E um gol decisivo, que fez o argentino confessar que a classificação rubro-negra ganhou um lugar especial em sua carreira. “Apesar da experiência e de ter passado por fases diferentes, esta foi uma coisa nova para mim. Sabíamos que era um grande desafio e um objetivo do Atlético. Acredito que fizemos tudo certo para conseguir esta classificação”, festejou o camisa 3.

Agora, estão pela frente Flamengo, San Lorenzo e Universidad Católica. “Sabemos que será difícil. Temos adversários que são grandes times, com grande história também no torneio. Mas nós precisamos seguir com o trabalho e ser fortes, sobretudo em casa. Sabemos que em casa podemos fazer a diferença. É isso o que vamos tentar fazer”, comentou Lucho González, lembrando do “fator Arena”. O segredo para se classificar para as oitavas de final? Repetir a receita de Capiatá. “Lutamos quando tivemos que lutar”, finalizou o gringo.