A diretoria do Atlético resolveu se posicionar oficialmente sobre as críticas e pressões que vem sofrendo da torcida nas últimas semanas – e que devem ser a tônica do protesto dos torcedores nesta quarta-feira (11), antes do jogo contra o Atlético-GO pelo Campeonato Brasileiro. Numa nota oficial, assinada pelo Conselho Administrativo (presidido por Luiz Sallim Emed), os cartolas defendem os atos do clube, mantêm as críticas às torcidas organizadas e pede apoio em um momento de “defesa do patrimônio do Clube”, como diz o texto.

A medida mais concreta foi o anúncio de uma comissão “para analisar a revisão do atual plano de sócios e venda de ingressos”, para a qual serão convidados inclusive membros da oposição, como os líderes do grupo Atlético de Novo, Henrique Gaede e João Alfredo Costa Filho. Mas na própria nota já há uma crítica à falta de associações, dizendo que o clube esperava um aumento de sócios com a nova Arena.

Segundo a diretoria, outro ponto reivindicado pelos torcedores será atendido. Apesar de dizer que “já havia iniciado estudos”, é a primeira vez que o Atlético trata de “pintar” a Baixada de vermelho e preto. No caso, seriam coberturas vermelhas nas cadeiras. Além disso, outra novidade – dizem os comandantes do clube que foi aprovado projeto para “colorir a Arena de vermelho e preto”.

Contas

A oposição também pede, e está em um dos pontos do abaixo-assinado que irritou a diretoria rubro-negra, a exposição e possível revisão das contas das obras da Arena da Baixada. Para os atuais cartolas, os dados já foram “fornecidos aos órgãos de controle”, e estariam também à disposição no clube – não se precisou se apenas na administração ou se em uma página específica no site oficial.

A única posição em que o Atlético é irredutível é em relação às torcidas organizadas. A definição é que há “intolerância com grupos organizados que patrocinam a violência e afastam os verdadeiros torcedores do estádio”. A mesma posição do clube se aplica em relação à biometria, “que não comporta flexibilização nem mudanças”.

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Mesmo mantendo o tom crítico à “autodenominada oposição do Atlético” e às organizadas, a nota oficial termina com um pedido de apoio, pois segundo o clube “o parcial descumprimento do acordo tripartite, como já foi amplamente divulgado pela imprensa, exige união dos Atleticanos em defesa do patrimônio do Clube”. O texto é finalizado com um apelo: “Não é hora de divisão”.

Leia a íntegra da nota oficial do Atlético:

A autodenominada oposição do Atlético anuncia a convocação de uma assembleia geral de sócios. Há um rol de assuntos que devem ser tratados, segundo a convocação. De lado os aspectos legais da limitação de assuntos a deliberar, é evidente que o movimento é politicamente legítimo (previsto, inclusive, no Estatuto). No entanto, a assembleia tem sido apresentada como um movimento contrário à atual gestão, como se os Conselhos do Clube fossem contra todas as propostas cogitadas. Não é isso. A verdade não está com a atual gestão; a verdade está com todos os Atleticanos.

Com estas considerações, o Conselho Administrativo, levando em consideração as legítimas manifestações dos Atleticanos que estão a convocar a assembleia, toma as seguintes decisões: 

a) Criar uma comissão para analisar a revisão do atual plano de sócios e venda de ingressos, estudando a possibilidade de tornar compatível um acesso maior dos torcedores, sem descuidar da arrecadação. Importante lembrar que todos esperavam uma adesão maior de sócios com a nova Arena – o que acabou não se confirmando. A Fundação Getúlio Vargas pode assessorar a Comissão, com as despesas pagas pelo Clube. A Comissão será também integrada pelos sócios da hoje intitulada oposição. Aliás, fica aqui registrado o nosso convite para que os Senhores Henrique Gaede e João Alfredo Costa Filho componham esta comissão. Assim, o Clube aguarda suas posições para oficialização de todos os nomes que irão contribuir com este trabalho;

b) Em relação à vedação de cessão da Arena para datas que conflitem com jogos do Clube, trata-se de deliberação já tomada pelos Conselhos Administrativo e Deliberativo do CAP – desde o triste episódio em que o Coritiba descumpriu um contrato e obrigou o Clube a jogar a Copa Libertadores da América noutro estádio, sem a capacidade de atendimento a todos os sócios;

c) Atendendo a reivindicações da torcida, o Clube já havia iniciado estudos para colorir a Arena, além do colorido que a torcida traz em dias de jogos. Em breve os sócios terão capas em vermelho para voluntariamente cobrir o encosto das cadeiras. Além das capas, o Clube está com projeto aprovado para colorir a Arena de vermelho e preto, além dos painéis de “led”, solução que fez parte do projeto inicial e por falta de recursos e prioridade até a presente data não foi realizado;

d) Embora os dados já tenham sido fornecidos aos órgãos de controle, o Clube sempre deixou abertas todas as suas contas, inclusive as da construção da Arena, mantendo à disposição dos sócios para consulta no Clube, contemplando também todas as consultorias e auditorias. Sobre os processos envolvendo a Arena da Baixada, de igual forma, são todos públicos (inclusive a defesa do Clube). Ainda assim, o Clube está à disposição, como sempre, por seus advogados, para prestar os esclarecimentos necessários – como reiteradamente tem feito ao Conselho Deliberativo;

e) Em relação à torcida organizada, o Clube ratifica por meio de suas mesas diretoras de seus Conselhos a intolerância com grupos organizados que patrocinam a violência e afastam os verdadeiros torcedores do estádio. O mesmo se diga em relação à biometria. Trata-se de política de segurança do Clube que não comporta flexibilização nem mudanças das decisões já tomadas;

O Atlético vive um momento delicado da sua história. O parcial descumprimento do acordo tripartite, como já foi amplamente divulgado pela imprensa, exige união dos Atleticanos em defesa do patrimônio do Clube. Não é hora de divisão. Os Atleticanos unidos são capazes de encontrar os melhores caminhos para os grandes desafios. E a verdade estará sempre com os Atleticanos. 

Saudações rubro-negras,
Conselho Administrativo