Que era difícil, todo mundo sabia. Mas o Atlético saiu tonto de Porto Alegre. Após uma recuperação incrível no Campeonato Brasileiro, o Furacão se viu totalmente envolvido pelo futebol mais bonito do País e perdeu por 4×0 para o Grêmio, ontem, em Porto Alegre. O resultado transforma a classificação para a semifinal da Copa do Brasil em um feito que será histórico se for conquistado. O foco total é a Libertadores, agora sem qualquer outra dúvida.

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O Atlético escolheu. Na escalação, Eduardo Baptista optou por Deivid e não por Matheus Anjos ou Carlos Alberto. A intenção era clara. Impedir que o Grêmio jogasse e, quando fosse possível, Nikão e Douglas Coutinho promovessem uma correria para criar alguma oportunidade. Isso faria o Furacão praticamente “dar a bola” aos donos da casa – e sabendo que o tricolor gaúcho era a equipe que melhor tratava a criança no futebol brasileiro. Com Pablo em vez de Grafite, o Furacão também ganhava outro jogador voluntarioso. Seria, portanto, um time lutador, pronto para correr, para marcar, para tentar surpreender. E, como todo mundo já imaginava, para sofrer.

Deixar a bola nos pés dos gremistas é um perigo. O Atlético corria para tentar segurar Ramiro, Arthur, Luan, Pedro Rocha e Barrios. Mas toda hora aparecia alguém para arriscar. Weverton saltava de um lado, saltava do outro, defendia quando dava e até quando não dava. Na bola parada, ainda havia Pedro Geromel para assustar. Era muita gente de camisa tricolor vindo para a área rubro-negra.

(Mesmo assim, houve uma chance de mudar a história. Numa arrancada de Douglas Coutinho, Pedro Geromel se enrolou todo e recuou para Marcelo Grohe. Dentro da área. Quase na pequena área. Mas na hora da consagração, Nikão acertou Ramiro. O que poderia ser uma virada não passou de um parêntese.)

Um time que se defende e só se defende pode ter sucesso, mas corre riscos permanentemente. Afinal, é tanta bola que vai rondando a área que uma hora… Sim. E em dez minutos o Grêmio resolveu o jogo. Pedro Rocha para Barrios, 1×0. Pedro Rocha para Barrios, 2×0. Kannemann de cabeça, 3×0. 22, 29 e 32 minutos do primeiro tempo. E nem dava para dizer que era injusto, pois os donos da casa amassaram o Atlético.

Se em campo o Furacão estava perdido, fora estava perplexo. Eduardo Baptista não sabia o que fazer. Resolveu colocar Lucho González no intervalo – acima de tudo, para tranquilizar os jogadores em campo. E faltava calma, pois Nikão e Wanderson passaram barato depois de lances perigosos. A segunda alteração foi a entrada de Carlos Alberto no lugar de Deivid. E enquanto isso Weverton se virava para salvar o time.

Nikão estava pedindo para ser expulso, mas ninguém no banco de reservas do Atlético percebeu. O resultado foi o cartão vermelho. E até o final o Rubro-Negro tentou se segurar para não sofrer o quarto. Mas sofreu, com Everton, de contra-ataque, gol que praticamente inviabiliza qualquer chance de virada. Pra eliminar o Grêmio, agora será preciso vencer por 4×0 para levar para os pênaltis, por cinco gols ou mais de diferença para se classificar.