Foto: Orlando Kissner / O Estado
O zagueiro Paulo André, herói da noite, fez dois gols na virada do Atlético sobre o Cianorte.

Ufa! Foi por pouco. Depois de entrar mal escalado e em pane no primeiro tempo, o Atlético conseguiu virar um jogo que parecia perdido e passou pelo Cianorte por 4 a 3, ontem, na Kyocera Arena. Sorte do Rubro-Negro. Um empate ou derrota derrubaria o Furacão na tabela do Campeonato Paranaense e acabaria com uma invencibilidade de mais de oito meses em casa. Com os três pontos conquistados, graças ao herói Paulo André, são 21 partidas sem derrota na Baixada e a subida para a terceira colocação no estadual.

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No início da ?era Lothar Matthäus?, mesmo com o alemão no camarote, tudo o que a torcida não queria ver era o que viu no gramado: um time ainda amarrado pelos lados, aberto pelo meio e sem quase nenhum poder ofensivo. Mesmo com o novo treinador passando suas impressões ao interino Vinícius Eutrópio, os erros e vícios das partidas anteriores permaneceram. Pior para o meia David, que fez sucesso no Náutico, mas que no Atlético insistem em colocá-lo de lateral ou volante. Coitado, se perdeu em campo e foi queimado com uma substituição aos 44 do primeiro tempo.

Saiu vaiado, mas não merecia os apupos sozinho. Quem o escalou de forma errônea deveria se penitenciar. O Cianorte não quis nem saber. Partiu para cima e logo abriu o marcador, após Tiago Cardoso dar rebote para Bruno Batata tocar para a rede. Não demorou muito para Ninja entrar pela esquerda e ampliar. Com a confusão armada em campo, só a bola parada poderia mudar o panorama e Paulo André aproveitou bem um cruzamento de Jancarlos para diminuir.

Seria o prenúncio de uma reação, com a torcida apoiando, mas o meio estava vulnerável demais e propiciou ao Leão do Vale do Ivaí a oportunidade de ampliar. Novamente, Tiago deu o rebote, ninguém ajudou o arqueiro e Sinval só completou. Perdendo por três, Vinícius colocou Erandir para aumentar a marcação no meio faltando quatro minutos para o final do primeiro tempo. O time só poderia sair vaiado de campo.

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?Não sei o que está acontecendo, o time está correndo, mas as coisas não estão acontecendo?, resumiu Tiago Cardoso. Para tentar fazer as coisas acontecerem, Vinícius trocou William por Cléo. A torcida pediu ?raça? e a equipe foi para cima dos comandados de Gílson Kleina, que prometeu continuar mandando sua equipe ao ataque. Jogo aberto e com as peças se encaixando, o Rubro-Negro passou a mandar na partida. Mandou tanto que Danilo se apavorou e fez pênalti em Cléo (substituto de William), que foi convertido por Alan Bahia.

Daí em diante foi na raça mesmo. Primeiro com Jancarlos. Mais solto, foi à frente, deixou a zaga para trás e mandou para a rede. Quase no final, Ferreira mandou uma bola para a área para Paulo André matar no peito, fuzilar e tirar o grito da garganta do torcedor.

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O zagueiro goleador dedica triunfo a Vinícius Eutrópio

?A equipe lutou e é isso que a gente tem que apresentar dentro de casa.? A opinião é do zagueiro Paulo André e herói da vitória de ontem do Atlético sobre o Cianorte por 4 a 3. Para ele, o time só se encontrou no segundo tempo e reagiu após a sonora vaia tomada das arquibancadas no intervalo. Novo líder da equipe, ele foi até a bancada da entrevista coletiva e dedicou o resultado para o técnico interino Vinícius Eutrópio.

?A gente saiu do campo, no primeiro tempo, vaiado, com vergonha. Fomos para o vestiário e arrumamos o time e essa luta e essa vontade é que tem que ser ressaltada?, desabafou, na saída do gramado. Como não poderia deixar de ser, a torcida aplaudiu de pé a reação e a virada. Por isso, quando voltou para a coletiva de imprensa, Paulo André enalteceu o trabalho de Vinícius. ?Ele também é merecedor dos méritos dessa vitória porque tem muita moral com o grupo, trabalhou duro, recebeu críticas e tem nos ajudado muito?, elogiou.

Já o treinador interino reconheceu os erros cometidos na escalação. Principalmente a retirada de David aos 44 do primeiro tempo. ?Eu fiz uma coisa e pedi desculpas aos jogadores por substituir um atleta antes do intervalo. Isso é terrível e para você fazer isso é uma posição radical. Graças a Deus, todos me abraçaram e vieram dedicar essa vitória a mim?, revelou. Segundo ele, faltou um melhor entendimento no meio para o esquema inicial ter funcionado. ?A gente queria que o David desse um passo à frente do Alan, mas não vários e isso acabou ocasionando esse espaço no meio e um congestionamento na frente?, analisou.

CAMPEONATO PARANAENSE
Grupo A – 1.ª Fase – 7.ª Rodada
Local: Kyocera Arena
Árbitro: Nilo Neves de Souza Jr.
Assistentes: José Amílton Pontarolo e Sidnei Nairne
Gol: Bruno Batata aos 2, Ninja aos 15, Paulo André aos 17 e Sinval aos 26 do 1.º tempo; Alan Bahia aos 6, Jancarlos aos 30, Paulo André aos 42 do 2.º tempo
Cartão amarelo: Ninja, Alan Bahia, Adriano, Emanoel
Renda: R$ 71.827,50
Público pagante: 5.305
Público total: 6.761

Atlético 4 x 3 Cianorte

Atlético
Tiago Cardoso; Jancarlos, Danilo, Paulo André e Moreno; Alan Bahia, David (Erandir), Adriano e Ferreira; William (Cléo) e Dênis Marques (Ricardinho). Técnico: Vinícius Eutrópio

Cianorte
Danilo; Emanoel, William e Montoya; Daniel Marques, Gilmar, Mikimba, Fernandinho (Robert) e Ninja (Amaral); Bruno Batata e Sinval (Ademílson). Técnico: Gílson Kleina

Cientista será o intérprete

O Atlético anunciou ontem quem será o auxiliar técnico e intérprete de Lothar Matthäus no dia-a-dia do CT do Caju.

O também alemão Jost Vieth chega com fluência em inglês e português, além de ter sido observador do Internacional e assistente em clubes da Alemanha. Ele também é presidente da federação de futevôlei em sua terra natal.

A diretoria do clube escolheu o novo braço direito do treinador através dos vários currículos enviados para a Baixada. Ele deve chegar na cidade nos próximos dias.

A palavra final acabou sendo dada pelo próprio Matthäus, que já conhecia Vieth e confia no novo parceiro. Vindo de Hamburgo, onde mora atualmente, o novo auxiliar já atuou como observador do Colorado em 1998 e auxiliar das categorias de base no Beira-Rio. Também trabalhou em categorias de formação em seu país como o Rugenbergen, de Bönningstedt, e Altona e Hamburgo, da cidade de mesmo nome.

No CT do Caju, ele será o responsável por fazer o meio-de-campo entre Matthäus e jogadores, comissão técnica e diretoria. No momento, esse trabalho é feito por Klaus Junginger. Em 2002, o mesmo Vieth já havia entrado em contato com o Atlético para formar uma parceria com o clube para a busca de novos patrocinadores. Não deu certo e Vieth continuou atuando como auxiliar. Ele tem licença para atuar como técnico de futebol profissional dada pela federação alemã e também tem mestrado em Ciência do Esporte pela Universidade de Hamburgo.