Washington mostrou que não pode
ficar fora do time atleticano.

Será que o técnico Mário Sérgio ainda acha que o atacante Washington está com deficiência de coordenação motora? Após ficar quase um mês afastado dos gramados, o artilheiro estreou com a camisa do Atlético no Brasileirão e mostrou que continua o mesmo (com problemas ou não): decidindo jogos. Desta vez, não era nenhum time do interior e sim o poderoso Santos, de Vanderlei Luxemburgo, na sexta rodada do Campeonato Brasileiro. Com um matador na frente e a primorosa atuação de Marinho na zaga, o Rubro-Negro venceu o Peixe por 1 a 0, sábado, na Arena, e já ensaia uma entrada no rol dos favoritos à conquista da competição.

Atuando ainda no 3-5-2 herdado dos últimos anos, o Furacão começou a partida titubeando diante do entrosado time santista. Os zagueiros quase não se entenderam, o meio-de-campo se perdeu e o insinuante e ágil adversário começou a se impor. Nem a torcida ajudou. Entre um protesto e outro contra o presidente do conselho deliberativo, Mário Celso Petraglia, xingamentos constantes e um burburinho nervoso numa Arena sem a vibração permanente da organizada Os Fanáticos.

O ala-esquerdo Marcão sofreu mais e foi vaiado sistematicamente enquanto todos corriam atrás dos leves Robinho, Elano, Léo e companhia. Sorte atleticana que Deivid e Basílio só entraram em campo. Como o Santos estava com apenas um jogador fixo na frente, Levir Culpi resolveu se antecipar e, ainda na primeira etapa, mudou o esquema tático para o 4-4-2, equilibrou as jogadas e passou a pressionar a equipe de Luxemburgo.

O polivalente Raulen entrou no lugar de Ígor e Fernandinho foi jogar onde sempre rende mais: no meio. Começou a brilhar a estrela de Marinho, ganhando todas as jogadas, driblando e puxando contra-ataques com mestria. Enquanto isso, o adversário via seu meio-de-campo sumir. Sem Diego, poupado, Luxa tentou Basílio, mas não deu certo. No intervalo, entrou Preto Casagrande, que pouco acrescentou.

Quem passou a dominar a partida foi o time da casa, apesar de o árbitro começar a se comprometer e prejudicar o Rubro-Negro. Mesmo assim, a raça atleticana prevaleceu, a torcida começou a jogar junto e, mesmo com frio de rachar, o jogo pegou fogo. Num belo contra-ataque puxado por Raulen, Fernandinho foi lançado na linha de fundo e cruzou para a cabeceada certeira de Washington. Sempre ele, que não deixou de lutar um minuto sequer.

Poucos minutos depois, o matador sofreu pênalti, mas o árbitro preferiu poupar o time santista. Fez vistas grossas para algumas faltas e deixou de dar alguns cartões, apesar das seguidas infrações, que resultariam em expulsões. Luxemburgo ainda tentou colocar os inexpressivos Lopes e Leandro Machado, enquanto Levir procurou melhorar a proteção da defesa com Bruno Lança. O Santos esboçou um abafa, mas sem a devida categoria, não tinha como vazar o gol defendido por Diego. Já Robinho foi homenageado pela torcida atleticana ao final da partida. De dentro do bolso de Alan Bahia, ouviu a galera gritar seu nome em coro.

Campeonato Brasileiro

6.ª Rodada
Local:
Arena da Baixada
Árbitro: Edílson Soares da Silva (RJ)
Assistentes: Eurivaldo Faria Lima (RJ) e Marcos Venício Sá Freire (RJ)
Gol: Washington aos 27 do 2.º tempo
Cartão amarelo: Paulo César, Alan Bahia, André Luís, Preto Casagrande, Fernandinho, Raulen
Renda: R$ 197.271,00
Público pagante: 15.95
Público total: 17.412

Atlético 1 x 0 Santos

Atlético
Diego; Marinho, Fabiano e Ígor (Raulen); Fernandinho, Alan Bahia, William, Jádson (Bruno Lança) e Marcão (Ivan); Ilan e Washington. Técnico: Levir Culpi.

Santos
Júlio Sérgio; Paulo César, Pereira, André Luís e Léo; Paulo Almeida (Leandro Machado), Renato, Elano e Basílio (Preto Casagrande, depois Lopes); Robinho e Deivid. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.