“Estréia”: sem Ivan, machucado,
Ronildo começa jogando pela
primeira vez como titular.

Agora é com Washington, Jádson, Fernandinho e companhia. Se o time de advogados do Atlético não conseguiu se livrar da perda de mando de campo no tapetão, são os jogadores que precisam mostrar, em campo, porque a equipe é líder do campeonato brasileiro.

Tentando esquecer a punição e se concentrar apenas em jogar futebol, o Rubro-Negro encara o Palmeiras para manter a ponta da tabela e quebrar o tabu de nunca ter vencido na casa do adversário. Contra os paulistas, Marcão, Ronildo e Dênis Marques serão as novidades. O confronto está programado para as 18 horas, em São Paulo.

“O Santos tem somente um ponto a menos que nós e outras duas equipes estão encostando. Temos uma responsabilidade a mais e vamos lutar muito para continuar na liderança”, apontou o meia Jádson. O time ficou desapontado com a punição no tapetão, mas espera manter a regularidade e a liderança, para superar mais esse problema. “Temos de correr muito, lutar e nos dedicarmos muito. Vamos para vencer e a nossa determinação será forte para isso”, destacou o volante Alan Bahia.

Os dois sabem que a parada não será fácil. Mesmo com o treinador do Palmeiras, Estevam Soares, jogando o favoritismo para o Furacão, uma vitória do time da Baixada seria a quebra de um tabu. O Atlético nunca venceu o Alviverde em São Paulo. Isso sem contar que o time do Parque Antártica leva ampla vantagem sobre o Rubro-Negro. Na história, foram 24 jogos e o time de Levir Culpi venceu apenas duas vezes. Nas outras 22 partidas, sofreu 14 derrotas e empatou 8 vezes. Foram 26 gols favoráveis e 44 contra.

Além dos números contra, Levir ainda não poderá contar com o ala-esquerdo Ivan. O jogador machucou o tornozelo direito e só deverá voltar na partida contra o Goiás. Em seu lugar, Ronildo fará sua estréia no time principal. A outra novidade é a volta do zagueiro Marcão (após suspensão) e de Dênis Marques, que herdou a posição de Dagoberto (fora do campeonato por contusão). A única dúvida do treinador é na ala-direita. William e Raulen disputam o lugar.

Estevam aposta na leveza do time

São Paulo – Marcinho vai seguir os passos de Jádson. Gabriel colará em Washington – com o auxílio de Daniel, que ficará na sobra. E Nen passará os 90 minutos de olho em Dênis Marques. Será esta a tática do Palmeiras, que quer anular os pontos fortes do Atlético Paranaense para, só então, tentar sair no contra-ataque. “Mesmo jogando em casa, acho que o Atlético é o favorito, por ser líder, estar há 18 jogos sem perder e ter um time muito bem armado, com jogadores capazes de decidir uma partida”, diz o técnico Estevam Soares. “Nem por isso vamos jogar só na defesa. Quando der, vamos atacar também, é lógico.”

E, para atacar, a esperança é o que Estevam chama de “estratégia da leveza”, com a dupla de “baixinhos” Pedrinho e Ricardinho. O primeiro, tem 1,70m e 65 quilos. O segundo, substituto do lesionado Osmar, artilheiro do time no Brasileirão tem 1,73m e 70 quilos.

Ainda segundo Estevam, sem um centroavante forte na área “o time perde em estatura, mas ganha em técnica, no ataque”. Para o banco de reservas, o técnico disse que levará dois dos seguintes três atacantes: Thiago Gentil, Zé Eduardo e Alex Afonso. Desses, só o último tem características de centroavante alto e trombador (vale lembrar que Kahê, em má fase, não tem sido relacionado nem para ficar na concentração, com o time).

CAMPEONATO BRASILEIRO

Súmula

Local: Parque Antártica (São Paulo)
Horário: 18 horas
Árbitro: Lourival Dias Lima F.º (BA)
Assisntes: Alessandro A. Rocha Matos (Fifa-BA) e Belmiro da Silva (BA)

Palmeiras x Atlético

Palmeiras
Sérgio; Rodrigo, Daniel e Nen; Baiano, Marcinho, Magrão, Diego Sousa e Lúcio; Pedrinho e Ricardinho. Técnico: Estevam Soares

Atlético
Diego; Marinho, Fabiano e Marcão; William (Raulen), Alan Bahia, Fernandinho, Jádson e Ronildo; Dênis Marques e Washington. Técnico: Levir Culpi

Jogo na Baixada, agora só em dezembro

Dia 5 de dezembro. É quando o torcedor atleticano de Curitiba poderá ver sua equipe novamente, pelo campeonato brasileiro, na Arena. Com a perda de dois mandos de jogos, o Rubro-Negro terá que jogar contra Internacional e Criciúma a, pelo menos, 150 quilômetros de casa e ainda terá que pagar R$ 60.000,00 de multa. A punição aconteceu ontem, no STJD, devido a um copo d?água e um rolo de papel higiênico atirados ao gramado do Joaquim Américo, na partida contra o Galo. A diretoria do clube está decidindo entre Londrina e Brasília, para cumprir essa pena.

O clube acabou sendo denunciado pela procuradoria do tribunal, na terça-feira, após ampla divulgação no programa Terceiro Tempo, da Rede Record, de imagens de atos dos torcedores na partida do dia 2 de outubro. O Furacão foi indiciado no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que previa punição de 1 a 3 jogos de perda de mando e multa de R$ 50.000,00 a R$ 250.000,00. Por três votos contra apenas um pela absolvição, na comissão disciplinar 4, o Atlético acabou pegando dois jogos de perda de mando e a multa.

“Como torcedor, estou extremamente triste e entendo como injusta a decisão. Mas, eu presenciei um julgamento técnico. Eu discordo, acho que foi muito rigorosa no final do campeonato, mas eles mantiveram uma fundamentação que é de se respeitar”, lamentou Gil Justen Santana, advogado do Rubro-Negro. Segundo ele, os auditores do STJD não fizeram um julgamento político. “A comissão entendeu que o clube realizou bem a prevenção, mas a repressão do clube não foi suficiente para evitar a quantidade de copos, que foram arremessados”, apontou.

Mesmo resignado, Santana e Marcos Malucelli (o outro advogado do clube no caso) irão tentar o efeito suspensivo, para não ter que cumprir a perda dos dois mandos. “Quanto ao recurso, sempre o advogado tem o dever de ofício de utilizar os meios legais e civilizados”, disse. Ele sabe que não vai ser fácil conseguir isso. “Temos a jurisprudência do presidente Luís Zveiter no caso do Santos, onde não deu efeito suspensivo. Mesmo assim, nós vamos tentar porque entendemos que o nosso caso é diferente”, analisou.

Se não conseguir mesmo derrubar a decisão do tapetão, terá que enfrentar o Internacional e Criciúma longe de casa. O regulamento da competição diz que, para uma partida ser alterada, é necessário dez dias de antecedência para a publicação, mas a CBF tem diminuído este espaço e deve divulgar na segunda-feira o local do jogo contra os gaúchos. A maior probabilidade é de que a partida vá para Brasília. Assim, a delegação seguiria de Goiânia, onde joga na terça-feira, direto para a capital federal.

Milton Neves responde ao torcedor atleticano

Em resposta aos e-mails de repúdio que recebeu da torcida atleticana, o apresentador do programa Terceiro Tempo, Mílton Neves, redigiu uma carta e colocou no ar em seu site (www.miltonneves.com.br) ontem à tarde. Leia a carta na íntegra.

“Olá atleticana e atleticano, tudo bem? Olha, sinceramente, obrigado pelo e-mail, pelo texto, pelo raciocínio, pela audiência e pelo desabafo. Mas, meu Deus do céu! Então, eu, Milton Neves, tenho poder de mudar curso de rio, de mudar nome de campeão e até de interditar estádio? Raciocine: nunca, antes do Milton Neves, e há 6 anos na TV, um jornalista de rede nacional, com cabeça de rede baseada em São Paulo, deu tanto espaço para um clube “não paulista ou carioca”. Nunca! Ou não tenho razão?

E, agora, considere: não foi burrice do Armandinho Marques da CBF escalar um paulista para dirigir CAP x Paraná? E o Santos? E o Guarani? Só que ele foi feliz, não errou. Por sorte e capacidade. E mais: eu inventei as imagens? Sou mágico para inventar o que fizeram na Arena alguns imbecis infiltrados nessa torcida tão bonita, ordeira e apaixonada de vocês? Repito: sou mágico? Reclamem desses imbecis, não de min. E o Galo e o Santos têm também os seus imbecis. E aos montes, conforme se viu.

Por que no Terceiro Tempo do dia 17 não tinha nenhum jogador ou representante do Furacão? Porque ninguém quis vir. Convidamos a semana inteira. Qualquer jogador, o presidente Fleury, o Petraglia, o Levir e… nada! Liguei pessoalmente para o Toni Casagrande, excelente assessor de imprensa do CAP, e nada! E agora? O que você me diz? E você sabia que tem fanático do Furacão me culpando até pela contusão do Dagoberto? E que eu fiquei feliz com a dor do menino? Tenham a santa paciência.

Esfrie a cabeça e me responda: podendo fazer um programa agitado, nervoso e didático (e ótimo, permita-me) com Zveiter ao vivo e exclusivo, com as imagens de Belo Horizonte e Arena e com o árbitro Simon no estúdio, você acha que eu iria abortar tudo só pelos belos olhos das torcidas do Galo e do Furacão? Sim, tinha as imagens da Arena, mas como adivinhar o vandalismo de Belo Horizonte? Sou mágico, Deus? Vocês reconhecem que a torcida (parte dela) do Furacão errou na Arena nos jogos contra Fla e Galo, mas que “eu não tinha o direito de mostrar as imagens à exaustão”.

Ora, então você é a favor da censura, da autocensura, da ditadura ou de se esconder a sujeira debaixo do tapete? E como o assunto estava dando Ibope, o diretor não mudou de tema. Eu só apresento, não produzo.

Ora, deixe de ser fanático, sou jornalista, quero mais é programa agitado, comentado, polêmico. E quanto mais polêmica melhor. Se quiser, cobre do Zveiter, da lei, das imagens dos torcedores burros. Eu só apresento e tenho defendido há 6 anos o “resto do Brasil” contra o “eixo do mal” composto por Rio e São Paulo, sempre privilegiados na mídia, na política, no social, no futebol, no apito, no STJD e etc… Ou não é verdade?

E fique sabendo que o Santos FC não tem força de mídia em São Paulo e Palmeiras, São Paulo e Corinthians definem o Santos como “time pequeno”, sabia? O Peixe só se f… em São Paulo. O Santos se ferrou duas vezes no STJD (bem feito!) e vou ver as imagens de Santos e Corinthians, prometo. E você se lembra também da pedrada no Antônio Lopes na Arena naquele Atletiba? Ou ele fajutou? Há essa versão também.

Enfim, responda, no meu lugar, você não faria aquele programa polêmico? Ou você preferiria colocar no ar reprises das homenagens emocionantes ao Washington (o Terceiro Tempo fez dois meses antes o que a VEJA publicou dia 17) e ao Diego? Ah, naqueles dias você adorou, né? O Jadson apresentado ao Parreira por mim então… Tá vendo? Pimenta no olho da gente ninguém quer, né? No dos outros é uma delícia, certo? Por falar em homenagem, aquela que vocês fizeram para mim na Arena com aquelas faixas foi emocionante também e igualmente agradeço de coração.

Olha, por favor, lucidez e menos fanatismo. O Furacão está de parabéns pelo que joga e por sua estrutura e se for campeão será por merecimento em 100%. Mas, esqueçam o Milton Neves, “o perseguidor do Furacão”. Sou assim mesmo: chato, competente, brigão, polemico, mas justo e apaixonado pelo futebol. E esse negócio de “boicotar” os patrocinadores do Terceiro Tempo é patético. O sponsor também gosta de barulho, sabia? Se ninguém fala nada, ele saca que o programa é morto, sem repercussão. E pressionar é bobagem. Já “enfrentei” as torcidas do Vasco em 2000 e a do Cruzeiro e a do Corinthians (sempre) e não acontece nada. E são torcidas que goleiam a do Furacão. Ou não?

Fique com Deus, sou jornalista FC antes de Santos FC. O Furacão está de parabéns e eu estou adorando esse barulho todo. Você já conheceu alguém tão sincero? E confesso que teria ficado frustradíssimo se vocês tivessem se calado. Mas, como, né? O Paraná não dorme enquanto o Terceiro Tempo não acaba. Não finjam: vocês vêem mesmo, para minha honra e satisfação. De coração, obrigado. E obrigado também ao deputado oportunista que está é enchendo ainda mais a minha bola. Mas será que ele não tem coisa mais importante para fazer? Gente, o futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes. E leia o Lance desta sexta-feira, dia 22, e veja lá minha resposta ao deputado que não deve ter lá coisa mais importante para fazer, sei lá”.

Milton Neves, jornalista e publicitário.

Atlético cresce mais na cabeça dos paranaenses

Se o Atlético perde no tapetão, pelo menos ganha quando o assunto é marca de clube de futebol mais lembrada no Estado do Paraná. Pelo quinto ano seguido, o Rubro-Negro conquista o prêmio Top of Mind realizado pelo Instituto Bonilha e promovido pela revista Amanhã. Este ano, o Furacão foi citado por 33,2% dos entrevistados, enquanto o Coritiba, segundo lugar, ficou com 23,8%. O Paraná Clube aparece em terceiro com 8,7% e o Londrina, em quarto, com 4,9%.

A vantagem do Atlético mostra que, a cada três torcedores paranaenses, um lembra do clube da Baixada. Nas nove edições do Top of Mind, o Furacão conquistou sete vezes o prêmio. O desempenho rubro-negro mostra o crescimento de sua torcida ao longo dos anos. No ano passado, o clube tinha 30,5% contra 26,9% do Coritiba e agora passou para 33,2% contra 23,8 do Coritiba, que desceu e está a quase 10 pontos do líder na pesquisa.

Os dados fazem parte da revista Amanhã, que chegará às bancas na segunda-feira. De acordo com a publicação, foram feitas mil entrevistas no Paraná, distribuídas nos 22 centros consumidores do Estado. As pessoas foram ouvidas entre os dias 31 de agosto e 5 de setembro de 2004. O universo da pesquisa foi constituído por pessoas de ambos os sexos, com idades a partir de 18 anos e que representam distintos grupos sócio-econômicos. A mostra é definida por meio do sorteio de áreas, quarteirões e domicílios. Variáveis como classe social, sexo e idade foram consideradas, conforme a extratificação da população. A pesquisa do Top of Mind toma como base as estatísticas do IBGE.