A liberação de recursos para a conclusão das obras da Arena da Baixada, que vai receber quatro jogos da Copa do Mundo de 2014, está ameaçada de voltar à estaca zero. Ontem, foi a CAP S/A – gestora da readequação do estádio – quem embaçou a evolução das negociações que resultarão no empréstimo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O presidente da empresa, e também do Atlético, Mário Celso Petraglia, recuou e decidiu não assinar o contrato de financiamento com a Agência de Fomento do Paraná.

 

A decisão se deu durante reunião ocorrida na sede do banco, em Curitiba, e postergou por tempo indefinido o repasse de verba para as obras da Arena. Com a assinatura, havia a expectativa de que as duas primeiras parcelas, cada uma somando R$ 27 milhões, pudessem ser liberadas ainda este ano pelo BNDES para a CAP S/A. O empréstimo reivindicado junto ao banco soma R$ 131 milhões. Nem o Atlético nem a Agência de Fomento explicaram o motivo do recuo de Petraglia.

 

Especula-se, no entanto, que o contrato contemplava apenas o repasse de R$ 90 milhões em potencial construtivo. A CAP S/A, no entanto, pede o recálculo desse valor, para que ele salte para R$ 123 milhões. Neste ano, um projeto de lei foi enviado pela Prefeitura de Curitiba à Câmara Municipal, para que o valor fosse corrigido. Os vereadores, no entanto, não votaram e o município recolheu o adendo à lei 13.620/2010, que permitiu viabilizar recursos públicos ao estádio do Atlético através de potencial construtivo.

Segundo o secretário estadual para Assuntos do Mundial, Mário Celso Cunha (PSB), que ontem participou de audiência na CPI das Obras da Copa, instalada na Assembleia Legislativa, a notícia da não assinatura do contrata gera ainda mais desconfiança quanto à data de conclusão da Arena da Baixada. “O cronograma de entrega da Arena está mantido para junho [ de 2013] mas o arquiteto da obra falou que é possível que o estádio fique pronto em agosto. A Fifa limita o prazo para dezembro do ano que vem. Há uma folga, mas é evidente que se não houver parte do financiamento liberado, o prazo ficará apertado”, alertou Cunha.
Colabrou Altair Santos