O Atlético precisa usar de parcimônia ao tratar da influência que Antônio Lopes exerce sobre os trabalhos dos treinadores. A dimensão dessa interferência pode afetar diretamente no rendimento da equipe em campo. Desde Arthur Bernardes, técnico do sub-23 no ano passado, passando por Petkovic no Paranaense deste ano e Miguel Ángel Portugual, a presença do diretor de futebol nos vestiários é constante. Antes, durante (intervalo) e depois.

Para o comentarista Guilherme de Paula o que parece ser bom, que é o repasse da larga experiência de Lopes como treinador, pode prejudicar o andamento do trabalho dos treinadores. “Quando o Lopes interfere no trabalho dos treinadores, uma interferência como treinador, demonstra um certo despreparo para a função. É como não aceitar que ele não é mais treinador. Se ele vê limitações nos treinadores a ponto de interferir, ele tem que demitir esse profissional (prerrogativa da função) e procurar alguém em quem ele confia”.

Lopes, como conhecedor de futebol, é bem melhor do que a maioria dos profissionais contratados para treinar o cube nos últimos tempos (se não todos). Contudo, o temor existente é de que haja ingerência nas decisões do campo. “A hierarquia está torta. Uma coisa é discutir com o técnico na segunda-feira, debater o desempenho do time. É óbvio que ele tem que ser ouvido. Outra coisa é ele ocupar o posto de treinador”, concluiu Guilherme de Paula.