Valquir Aureliano
Dênis Marques cansou de perder gols. Foi substituído e deixou o gramado debaixo de vaias.

O mais velho ditado do futebol foi mais verdadeiro do que nunca, ontem à tarde, quando o Atlético empatou em 1 a 1 com o Cruzeiro, na Baixada. O Furacão poderia ter conquistado uma vitória incontestável, mas abusou de perder gols no primeiro tempo. E como ?quem não faz, toma?, foi castigado na etapa final, quando mesmo com um homem a mais não conseguiu garantir os três pontos.

Num jogo muito movimentado desde o início, os dois times se revezavam no ataque até os 29 minutos. Quando o lateral Michel recebeu passe de Jancarlos na área, passou por dois zagueiros e marcou um golaço, parecia que o caminho estava aberto para o triunfo atleticano.

O Rubro-Negro passou a mandar na partida, envolvendo o time mineiro em jogadas de alta velocidade. Ferreira acertou a trave. Danilo quase marcou de cabeça e Dênis Marques perdeu duas chances incríveis, cara a cara com o goleiro Fábio.

O segundo gol atleticano parecia questão de tempo e as coisas ficariam ainda melhores para o Furacão. Já nos acréscimos da etapa inicial, Martinez acertou uma cotovelada em Michel e foi expulso.

Com um homem a mais e dominando a partida, a expectativa era que o Atlético garantisse a vitória no segundo tempo. Mas a entrada do zagueiro César, no lugar de João Leonardo, contundido, foi um desastre para a equipe paranaense. Insegura, a defesa rubro-negra passou a dar espaço ao Cruzeiro, que quase chegou ao empate com o atacante Ferreira.

Mesmo assim, o Furacão ainda era mais perigoso. Mas Dênis Marques tratou de jogar fora, literalmente, mais duas claras chances de ampliar.

O castigo não demorou. Aos 11?, Leandro dominou junto à lateral esquerda e cruzou para Wagner, livre na área, cabecear e empatar a partida.

Em busca da vitória, Vadão tirou Dênis Marques e Cristian, para as entradas de Pedro Oldoni e Válber. Mas as substituições surtiram efeito contrário ao esperado.

O Atlético perdeu velocidade no ataque e, mesmo com um homem a mais, passou a ser envolvido pela equipe mineira.

O gol da virada por pouco não saiu. Aos 15?, após uma falha grotesca de César, Wagner ficou sozinho e obrigou Cléber a uma grande defesa. No rebote, Gabriel bateu e César tirou em cima da linha. No minuto seguinte, César ficou olhando uma bola que ia em direção a área e Ferreira apareceu para acertar o travessão.

O Cruzeiro chegou a balançar a rede mais uma vez, aos 35?, mas Diego estava impedido quando cabeceou para o gol. O lance acordou o Atlético, que retomou o controle do jogo. Mas daí foi a vez do goleiro Fábio aparecer para garantir o empate, com duas grandes defesas em chutes de Marcos Aurélio.

Ainda houve tempo para César coroar a péssima atuação com um cartão vermelho. Mas não para o gol atleticano. Ele poderia ter saído no último lance da partida, porém o árbitro Paulo César de Oliveira não marcou pênalti de Leandro sobre Ferreira.

Com o empate, o Furacão chegou a 36 pontos e caiu para a 12.ª posição. O Rubro-Negro está apenas quatro pontos à frente da zona de rebaixamento. Pelo Brasileirão, o próximo adversário é o Palmeiras, no domingo, em São Paulo. Antes, o Atlético faz mais um jogo histórico contra o River Plate, quinta-feira, na Baixada, pela Copa Sul-Americana.

Sem justificativa pro empate

Para os jogadores do Atlético não foi fácil encontrar explicação para o empate com o Cruzeiro. Eles bem que tentaram, mas não conseguiram achar justificativas para as inúmeras chances perdidas e a queda de rendimento, justamente quando o adversário ficou com dez homens em campo.

Autor de um golaço, o lateral Michel era o retrato da decepção na saída para os vestiários. ?Dificultou quando ficamos com um homem a mais. É difícil aceitar isso. Facilitamos na marcação e acabamos dando espaço para eles?, lamentou.

O técnico Vadão também estava desapontado com o resultado. ?Foi péssimo. Principalmente pelas circunstâncias. Perdemos muitas chances, ficamos com um jogador a mais e ainda levamos o empate.

O Cruzeiro, mesmo com dez, nos envolveu no segundo tempo?, afirmou.

Agora, o treinador prepara a equipe para enfrentar o River Plate, na próxima quinta-feira, pela Copa Sul-Americana. ?Não podemos nos abater. É outra coisa e temos que estar preparados para duas competições. Temos que saber dividir?, completou.

CAMPEONATO BRASILEIRO 2006
28.ª rodada
Gols: Michel, aos 30? do primeiro tempo; Wágner aos 11? do segundo tempo.
Árbitro: Paulo César Oliveira (SP/FIFA)
Assistentes: Valter José dos Reis (SP/FIFA) e Emerson Augusto de Carvalho (SP)
Cartões amarelos: Cristian, Marcos Aurélio, Michel, Marcelo Silva, César (Atllético); Gladstone, Luizão (Cruzeiro)
Cartões vermelhos: César (Atlético); Martinez (Cruzeiro)
Local: Arena da Baixada, em Curitiba (PR)
Público: 9.615 (7.917 pagantes)
Renda: R$ 112.767,00

ATLÉTICO 1 X 1 CRUZEIRO

Atlético
­ Cléber; Jancarlos, Danilo, João Leonardo (César) e Michel; Marcelo Silva, Alan Bahia, Cristian (Válber) e Ferreira; Marcos Aurélio e Dênis Marques (Pedro Odoni). Técnico: Vadão

Cruzeiro
­ Fábio; Gladstone, André Luís e Luizão; Gabriel, Fábio Santos, Martinez, Élson e Wágner (Diego); Élber (Leandro) e Ferreira (Jônathas). Técnico: Oswaldo de Oliveira

Atlético vence Paraná no clássico dos times B

No clássico disputado na manhã de ontem por suas equipes B, na Vila Olímpica do Boqueirão, o Atlético conseguiu sua primeira vitória na Copa 100 anos, derrotando o Paraná por 3 a 1. Com o resultado, o rubro-negro mantém a invencibilidade na competição. Já o tricolor amargou sua segunda derrota no torneio, ambas nos clássicos regionais – na primeira rodada foi para o Coritiba.

Melhor em campo, o Atlético abriu o marcador aos 29 minutos do primeiro tempo, com Ricardinho.

No início da etapa final, o rubro-negro aumentou a vantagem, dessa vez com Willian.

O Paraná pressionou e, aos 39 minutos, Chulapa desviou de cabeça e diminuiu a diferença. Foi a senha para o tricolor ir para cima tentando o empate. Mas, com isso, deixou espaços para o Atlético contra-atacar. E foi com essa arma que já nos acréscimos, aos 48 minutos, Edimar fez o terceiro do ?Ventania?, fechando o placar em 3 a 1.

O público presente na Vila Olímpica foi muito pequeno, apenas 120 pessoas. Na próxima rodada, quinta-feira, o Atlético recebe o Cianorte, provavelmente na Arena.

Já o Paraná vai tentar a recuperação contra o J.Malucelli, em São José dos Pinhais.