O anúncio de que vai começar a cadastrar a biometria dos seus sócios mexeu com os torcedores do Atlético ontem. Muitos concordaram com a medida, que teria como objetivo facilitar a identificação de torcedores arruaceiros e diminuir os índices de violência. Porém, outros torcedores reclamaram de possíveis problemas no acesso ao estádio e, principalmente, com o fim dos empréstimos dos smart cards.

Durante os anos em que ficou longe da Arena da Baixada por causa das obras de reconstrução, o empréstimo dos cartões de sócios virou prática comum em dias de jogos. Como mandou suas partidas em estádios como o Gigante do Itiberê (Paranaguá), Vila Capanema e Janguito Malucelli, os proprietários passavam seus smarts para outros mais dispostos a acompanhar o time.

O torcedor Leonardo Nardin ficou dividido. “Vai atrapalhar a cessão de smarts aos amigos quando não podemos ir ao estádio, embora aumente a segurança na identificação dos baderneiros”, afirmou. O sistema tem que ser impecável para o torcedor, senão o que era para ajudar, pode prejudicar o bom fluxo de pessoas na entrada do estádio. “Depende da logística. Não sei ao certo quantas catracas têm na Arena, mas o maior fluxo é na Getúlio. Imagine se uma catraca dá problema igual as urnas eletrônicas em um jogo grande, digamos para 10 mil pessoas?”, comentou Sandro Santi.

O controle do acesso pela biometria pode gerar perda de receita para o clube, afinal muitos torcedores têm mais de uma cadeira e emprestam o cartão para amigos ou familiares. “Eu tenho uma cadeira que não preciso e sempre empresto pra amigo ou cliente. Se puder apenas usar a biometria, vou cancelar. Não tenho paciência de esperar a outra pessoa”, afirmou o atleticano André Guezen. Até o comércio paralelo será prejudicado. “É importante, mas o clube precisa rever o valor do ingresso avulso. Alugar o smart dos sócios era a saída pra quem não pode pagar 150 reais”, comentou Nicholas Djubatie.

O atleticano Marcelo Cavalli aprovou a ideia. “Esse sistema era necessário. Agora o clube terá um controle maior e mais preciso sobre quem entra e sai do estádio”, disse. Evelen Torrens, mãe de dois pequenos atleticanos, também gostou da medida. “No quesito segurança, uma das coisas mais acertadas que esta diretoria fez até agora”.

Torcedores de outros clubes também comentaram a medida do Atlético. Para o paranista Rodrigo Sanches o sistema é muito interessante. “Talvez dessa forma diminua um pouco a violência, pelo menos dentro do estádio. Fora dele não tem jeito”. A coleta das impressões digitais vai começar pelo setor Fan, onde a torcida organizada Os Fanáticos se concentra durante as partidas. O Rubro-Negro pretende cadastrar todos os sócios deste setor até o início do Campeonato Paranaense de 2015. O clube alerta, no entanto, que é preciso continuar portando os smarts cards até que o novo sistema esteja completamente ajustado. O Atlético não estipulou um prazo para a realização do processo em outros setores do estádio.

Serviço

Para fazer o registro biométrico, os atleticanos do setor Fan devem ir até o Espaço Sócio Furacão. Na terça e na quarta-feira, o atendimento será realizado entre 9h e 18h. Na quinta, entre 9h e 12h. O cadastramento vai recomeçar em 6 de janeiro.

Os torcedores precisam levar um documento oficial com foto e o Smart Card. Em caso de dúvidas, o Atlético disponibilizou três telefone: (41) 2105-5678, 2105-5684 e 2105-5685.