Fernandinho entrou no segundo tempo,
o time adquiriu um padrão, mas
foi tarde para chegar ao gol.

A profecia do presidente Mário Celso Petraglia, de que a torcida passaria a viver fortes emoções na reta final do campeonato brasileiro, parece estar se confirmando. Não nas insinuações de possíveis armações de arbitragem e esquemas no tapetão, mas com o próprio time, que não está mais encontrando forças para ultrapassar a crise e se livrar do fantasma do rebaixamento. Pior do que isso, está ameaçado de perder seu principal aliado ao longo da competição: a torcida.

No empate de sábado, torcedores vaiaram as três substituições, chamaram o técnico Mário Sérgio de burro e pediram a contratação de Geninho. Se não bastasse o rompimento dos torcedores com o treinador, principalmente da organizada Os Fanáticos, o comandante atleticano também disparou contra a imprensa e chegou a insinuar que não é bem visto no clube porque não dá dinheiro aos repórteres. Tudo porque ele não gostou de ter sido questionado sobre as manifestações da torcida, chamando a pergunta de sensacionalista.

“Eu sou um cara que não faz lobby, estou sempre bem empregado porque não pago a ninguém nada, nem vou pagar”, apontou. Questionado sobre quem teria pedido ou recebido dinheiro para falar bem do Atlético e do treinador, Mário Sérgio saiu pela tangente. “Estou falando em termos genéricos. Se fosse para acusar alguém, eu acusaria. Eu apenas ilustrei o meu discurso”, desconversou. Além disso, explicou a substituição de Alex Mineiro devido a um pedido do atacante. No entanto, o próprio jogador saiu de campo balançando a cabeça e fazendo um gesto de contrariedade, conforme mostraram as imagens da televisão.

Sobrou até uma farpa para os dirigentes. De acordo com Mário Sérgio, o clube já estava nessa situação quando ele chegou e uma mudança de treinador não iria solucionar os problemas internos. “Essa situação não foi criada por mim. E outro detalhe, ao invés de se procurar culpados, a gente precisa tentar resolver porque desde 2001 a gente não ganhou mais nada e nove técnicos passaram por aqui. Alguma coisa está errada”, analisou. Na verdade, o Rubro-Negro foi campeão estadual em 2002 e vice-campeão da Copa Sul Minas, também no ano passado.

Tudo isso sem nenhum dirigente presente nos vestiários após a partida para comentar os acontecimentos e com os jogadores se esquivando até de dar entrevistas ao lado do técnico. A Tribuna tentou um contato com o presidente Mário Celso Petraglia ontem, mas o dirigente passou a tarde em reunião para tratar de assuntos particulares e não pôde atender ao telefonema.

Torcida deu a sua resposta

O Atlético voltou a decepcionar e irritou a torcida ao empatar com o Fluminense por 0 a 0, sábado, na Arena. Sem treinar adequadamente devido a uma excursão aos Estados Unidos, o time tropeçou nos próprios erros e não conseguiu vencer um adversário que veio a Curitiba apenas para se defender. Jogando com três zagueiros, dois volantes e sem ligação do meio com o ataque, o Furacão até que melhorou na segunda etapa, mas parou nas boas defesas do goleiro Fernando Henrique. Pior para o técnico Mário Sérgio, que perdeu o apoio dos torcedores e começa a viver em turbulência no clube.

Com o calor e o desgaste por uma viagem de nove horas a Dallas, os jogadores entraram em campo em ritmo de recreativo. Muitos toques no meio-de-campo e poucas chegadas à meta adversária. A torcida fez a sua parte, incentivou o time, mas a cada recuada de bola, perdia a paciência e vaiava a equipe. Não dava para esperar muito de um time mais voltado para se defender do que atacar.

Mesmo assim, nos lances de ataque com conclusões, aplaudia e empurrava o time para cima dos cariocas. O time do técnico Renato Gaúcho, que voltava ao comando do tricolor das Laranjeiras, veio com a proposta de apenas evitar levar gol e não ser derrotado. Com Carlos Alberto bem marcado por Alan Bahia, as jogadas de ataque ficavam por conta dos limitados Joãozinho e Marcelo.

Com a falta de criatividade geral, restou a cobrança dos torcedores, que também não pouparam a falta de uma definição tática dos atletas em campo. O atacante Ilan carregava a bola do ataque para a defesa, Alessandro ficava de armador, Luciano Santos de ponta-esquerda e Rogério Correia curtia uma de ponta-direita. Quem ainda mostrou disposição e tentou alguma coisa foi o lateral-esquerdo Ivan, em cobranças de faltas e lances individuais.

Mesmo assim, acabou sendo sacado para a entrada do meia/lateral-esquerdo Fabrício. A torcida ensaiou os primeiros gritos de “burro” e começou a romper com o técnico Mário Sérgio. O futebol atleticano cresceu com as boas cobranças de falta do próprio Fabrício e da maior disposição dos jogadores. Com a entrada de Fernandinho, o time melhorou ainda mais e isolou o Fluminense em seu próprio campo. Só dava Furacão em campo, mas os erros e as precipitações continuavam. A torcida estava apreensiva e na expectativa de um gol a qualquer momento, mas quando subiu a placa da saída de Alex Mineiro para a entrada de Jádson, o estádio explodiu em gritos de “burro, burro” e “Geninho, Geninho”.

Apesar das boas jogadas de Jádson, Fernandinho e Fabrício, que entraram na segunda etapa e mudaram o panorama da partida, começou a brilhar a estrela do goleiro Fernando Henrique.