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Danilo e Luisão fizeram um duelo
à parte na noite de ontem.

Sem a Arena e o Caldeirão que a torcida promove nela, o Atlético apenas empatou com o São Paulo na primeira partida da decisão da Copa Libertadores da América. Jogando muito bem na primeira etapa, mas recuando demais no segundo tempo, o Rubro-Negro ficou no 1 a 1, ontem, no Beira-Rio, em Porto Alegre. Para ser campeão agora, o Furacão precisa vencer o jogo de volta, quinta-feira que vem, no Morumbi. Antes disso, porém, o time da Baixada tem o Coritiba, domingo, pelo Campeonato Brasileiro.

Como já era esperado, a partida começou nervosa debaixo de frio e chuva no estádio do Internacional. As equipes se estudavam e os ataques tiveram poucas oportunidades até o Atlético ir com força e abrir o placar. A jogada saiu de uma falha do zagueiro Lugano. Ele passou mal uma bola na meia e Marcão agradeceu. Lançou Jancarlos pela ponta-direita, que cruzou na medida para Aloísio cumprimentar de cabeça para o fundo da rede.

Era tudo o que o técnico Antônio Lopes queria. Sair na frente, segurar o ímpeto do São Paulo e deixar o adversário com mais responsabilidade de ir à frente. A tática quase deu certo outra vez. Novamente Lugano errou e Lima ficou quase à vontade para fazer o segundo. Desta vez, Rogério Ceni salvou a pátria tricolor.

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Mesmo assim, o time comandado por Paulo Autuori também mostrou força e quase fez o seu. Só o volante Mineiro deu dois chutes perigosos. O ala Júnior meteu uma bola na trave e Danilo quase acertou num rebote. No entanto, o maior domínio de bola dos paulistas não foi suficiente para, pelo menos, empatar a partida.

Tudo isso mudou na segunda etapa. O domínio do São Paulo, dessa vez, foi traduzido a seu favor. A defesa rubro-negra não suportou a operação abafa. O bombardeio veio de todos os lados, mas foi numa trapalhada da zaga que saiu o gol de empate. Júnior cruzou da direita, Danilo cabeceou para trás, Diego rebateu e Durval, sem querer, colocou a bola para dentro.

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Com o empate, a torcida do Furacão silenciou, os são-paulinos começaram a fazer a festa e vislumbraram a possibilidade da vitória. Continuaram em cima e aproveitaram os espaços deixados pelo time de Lopes. Amoroso perdeu por pouco e Josué só parou numa excelente defesa de Diego. O goleiro ainda esteve presente em outros lances de perigo e fez sua parte.

O técnico atleticano também. Trocou Fernandinho por Evandro e Jancarlos por André Rocha, mas o time continuou sem a força necessária para vencer a defesa tricolor. O árbitro também não ajudou e fez vistas grossas para a violência do meia Danilo, sem dar, ao menos um cartão amarelo. Assim, não restou outra solução às duas equipes senão cozinharem a partida nos últimos minutos e deixar tudo para o jogo decisivo na capital paulista.

Jogadores avisam: não tem nada decidido

Não tem nada decidido. Para os jogadores do Atlético ficou a sensação de frustração pelo Rubro-Negro não ter conseguido a vitória na primeira partida da decisão da Copa Libertadores da América. Mesmo assim, o elenco está confiante no desafio que terá no Morumbi: ter que vencer o São Paulo em seu reduto pelo torneio internacional.

"A gente fez o gol, jogou bem o primeiro tempo, mas tomamos o gol no segundo e perdemos a força", analisou o atacante Aloísio. Para ele, a pressão da torcida na Arena fez falta. "Se fosse lá, a gente teria mais apoio e força para ir em busca da vitória. Mas, temos que pensar na partida de lá", apontou.

E, para essa partida, o goleiro Diego acredita numa recuperação da equipe, mesmo no Morumbi. "A decisão continua no próximo jogo. Nós sabemos que temos condições de ir lá e fazer um grande jogo", destacou. Segundo ele, o Furacão chegou a essa decisão com méritos e também tem condição de ser campeão. "Vai ser mais um jogo equilibrado, mas não podemos errar mais", alertou.

Já o técnico Antônio Lopes reclamou demais da arbitragem. Bastou o apito da partida para ele sair em direção ao gramado, não para reclamar, mas para pegar a bola. "Ele roubou e ainda quer a bola", gritou. Mais calmo na sala de imprensa, citou quais foram os problemas com o apito. "Ele deixou de dar várias faltas próximas da área para nós e só deu cartão para a gente", protestou.

São Paulo satisfeito com empate

Porto Alegre (AE) – O empate caiu do céu para o São Paulo no primeiro jogo da final da Copa Libertadores da América, ontem, em Porto Alegre (RS). Um cruzamento de Júnior, Diego rebateu, a bola explodiu na cara de Durval e voltou para o gol do Atlético-PR. Um lance grotesco, mas muito comemorado pelo São Paulo.

"Foi um resultado bom sim. Em se tratando de Libertadores e jogando fora de casa, não podemos negar que foi um bom resultado", reconheceu Cicinho. "Valeu o empenho da equipe no segundo tempo. Um time mais aguerrido, querendo vencer e alcançamos o empate. Agora, temos a vantagem e vamos fazer prevalecer a nossa força dentro do Morumbi."

Jogando no Morumbi, o São Paulo ganhou todas as partidas nesta Libertadores da América. No entanto, o goleiro Rogério Ceni preferiu manter a cautela. "Foi um jogo duro e, agora, a decisão é no Morumbi, mas não tem favorito", disse. "Quinta-feira que vem no Morumbi, o torcedor vai poder fazer o time brilhar ainda mais. O São Paulo teve as melhores oportunidades no primeiro tempo, fez o gol. O time não se entregou. Mesmo quando estava placar adverso, sendo pressionado pelo adversário, jogamos com raça."

Amoroso ressaltou a eficiência do goleiro Diego, principalmente na defesa realizada no chute à queima roupa de Josué, no segundo tempo. "Tivemos várias oportunidades no segundo tempo, mas o Diego estava em uma noite muito feliz. Quase saímos com a vitória. Vamos nos concentrar e temos tudo para conseguir o título."

Contratado para substituir Grafite (contundido), o jogador fez questão de explicar a declaração polêmica em que prometia mudar o nome do Morumbi para "Morumtri". "Não quis menosprezar ninguém. Mas com uma declaração como essa, o Atlético pode ter marcado mais forte, mais em cima", afirmou.

Caravana chegou em Porto Alegre sem problemas

Carlos Simon

Milhares de pessoas enfrentaram o frio para acompanhar o jogo em frente à Arena.

A viagem a Porto Alegre foi longa e um tanto desgostosa, já que os atleticanos queriam mesmo era torcer na Arena. Mas o esquema de segurança deu certo e ao menos o comboio de mais de 2 mil rubro-negros que saíram da Baixada chegou tranqüilamente à capital gaúcha.

Escoltados por cerca de 40 policiais militares e rodoviários federais, os 55 ônibus de atleticanos saíram juntos, às 6h. A polícia paranaense levou os torcedores pelas rodovias BR-376 e BR-101 até a cidade de Piçarras (SC), onde entregou o controle aos colegas catarinenses, às 9h30. No Estado vizinho e no Rio Grande do Sul a Polícia Rodoviária Federal não registrou qualquer incidente. O comboio chegou ao Beira-Rio perto das 19h.

No trajeto, a polícia tomou alguns cuidados com não permitir nenhuma parada – o que gerou algumas reclamações por parte de torcedores, que não se preveniram por desconhecer a medida. "Recebemos apenas a informação de problemas num restaurante de Joinville, causados por um grupo de São Paulo", disse o policial rodoviário Antônio Bassani, que chefiou a escolta no Paraná.

A operação de volta seguirá nos mesmos moldes: atleticanos vêm pela 101 e são-paulinos pela 116. A escolta será reforçada em relação à ida, já que todos pegam a estrada ao mesmo tempo. "Teremos pontos de observação perto de postos combustíveis, para evitar qualquer transtorno", falou o inspetor Iraci Gehrke, chefe do Núcleo de Operações Especiais da PRF.

Frustração

O único problema na caravana rubro-negra ocorreu ainda na saída. Dois ônibus fretados pela Confraria ETA sofreram panes, e como não havia veículos de reposição os cerca de 80 torcedores não puderam viajar.

Título dá passagem para o Japão

Além da coroa continental, Atlético e São Paulo lutam pela chance de representar a América do Sul no 2.º Mundial da Fifa, a ser disputado em dezembro, no Japão. O novo torneio terá seis equipes e substitui o tradicional Mundial Interclubes, que era disputado apenas entre europeus e sul-americanos em jogo único, também na terra do sol nascente.

A primeira edição do mundial organizado pela Fifa foi realizada em 2000, no Brasil. Na decisão, o Corinthians, convidado por ser campeão nacional do país-sede, derrotou o Vasco e ficou com o troféu. Os milionários Real Madrid e Manchester United jogaram sem muito interesse e ficaram pelo caminho.

O segundo mundial estava marcado para 2001, na Espanha, mas foi cancelado por causa da falência da ISL, empresa de marketing esportivo associada à Fifa na organização do torneio. O presidente da entidade, Joseph Blatter, tentou emplacar o torneio nos anos seguintes, mas encontrou resistência dos europeus, que consideravam o calendário muito apertado para acomodar outra competição. Em 2005, Blatter falou grosso e disse que o Liverpool será obrigado a disputar o mundial.

Além do time da terra dos Beatles, já estão classificados o Deportivo Saprissa, da Costa Rica, pela Concacaf, e o Sydney FC, da Austrália, pela Oceania. O representante africano sairá em novembro, entre um desses times: Al Ahly (Egito), Raja Casablanca (Marrocos), Ajax Cape Town (África do Sul), Enyimba (Nigéria), ASEC Abidjan (Costa do Marfim), Zamalek (Egito), Etoile Sahel (Tunísia) e Esperance (Tunísia). A Ásia também não definiu seu campeão – estão nas quartas-de-final Al Ahli (Arábia Saudita), Shenzhen Jianlibao (China), Shandong Luneng (China), Al Ittihad (Arábia Saudita), Busan I?Park (Coréia do Sul), Al Sadd (Qatar), Al Ain (Emirados Árabes) e Pas (Irã). (CS)

Negociação com Gava pode sair ainda esta semana

A conclusão definitiva da Arena pode tomar novos contornos. Depois de costurar um acordo com o Expoente, o Atlético agora negocia com Marcelo Gava a compra da outra metade do terreno que aloja o colégio. O negócio pode sair ainda esta semana.

O advogado de Gava, Iguacimir Franco, confirma que a negociação "evolui bem", mas não dá detalhes sobre a transação. Paralelamente, o co-proprietário do terreno vai seguir cobrando do Expoente uma dívida de R$ 2,5 milhões valor contestado judicialmente pelo colégio. Tornando-se dono de 100% do terreno, o Rubro-Negro fica livre de qualquer iniciativa contrária às obras por parte de Gava. O advogado do Atlético, Marcus Malucelli, estava ontem em Porto Alegre e não foi encontrado.

Na última sexta-feira, o Atlético obteve do Expoente a autorização para usar o espaço correspondente a duas quadras esportivas e um laboratório para concluir a Arena. Em troca, o Furacão perdoou a dívida do colégio por aluguéis atrasados. O advogado de Gava tinha ciência e autorizou a assinatura do documento, comprometendo-se a não criar empecilhos ao término do estádio.

Franco negou ainda que seu cliente pretendesse pedir na Justiça o embargo das obras de instalação de arquibancadas tubulares na Arena. "Gava não tomou nenhuma providência nem vai tomar. Ele inclusive já assinou uma declaração na qual autoriza esta obra", falou Iguacimir. (CS)