Foto: Folha de Londrina
 

Gustavo teve muito trabalho na zaga, que outra vez sofreu com as bolas aéreas.

 

Mais uma vez, o Atlético bobeou e deixou escapar uma vitória fora de casa que parecia garantida. Ontem à noite, no norte do Estado, o Rubro-Negro chegou a abrir uma vantagem de 3 a 1 sobre o Londrina, mas cedeu o empate em 3 a 3.

Com o resultado, o time da Baixada pode perder o lugar entre os oito primeiros do Paranaense. A noite de ontem acabou com o Atlético no limite da zona de classificação, em oitavo lugar. Mas hoje, o Rubro-Negro pode perder a posição para o Iraty, que enfrenta o Iguaçu, em União da Vitória.

Com um time recheado de garotos, o Atlético voltou a sofrer com a inexperiência.

Para o goleiro Vagner, o lateral Edimar e o zagueiro Lucas, revelados no CT do Caju, o jogo marcou a primeira oportunidade entre os profissionais.

A nova geração atleticana não conseguiu corrigir um problema que já é crônico na equipe. A bola aérea voltou a ser o terror da defesa rubro-negra. O Tubarão chegou ao empate com dois gols de cabeça, com os atacantes londrinenses subindo livres em meio à zaga do time da Baixada.

O jogo também ficou marcado pela violência. O meia Márcio, recém-contratado junto ao ABC (RN), fez sua estréia pelo Atlético, mas não ficou sequer um minuto em campo. Na primeira bola que recebeu, sofreu uma entrada duríssima e teve que deixar o Estádio Vitorino Gonçalves Dias de ambulância.

O Ventania sofreu com a pressão do Londrina no início do jogo, com Diego Mineiro acertando a trave. Mas foi o Atlético que saiu na frente.

Após bela jogada de Rogerinho, que trocou a lateral-direita pelo ataque, Chico dividiu com a zaga e marcou o primeiro, aos 17?.

O Atlético ampliou aos 36?, com Evandro. Numa cobrança de falta na entrada da área, ele esperou a barreira pular e bateu rasteiro, surpreendendo o goleiro Ney. Mas o Tubarão descontou ainda no primeiro tempo. Aos 43?, Caio dividiu com Wellington na área e caiu. O árbitro marcou pênalti, bem batido por Edmilson.

O time rubro-negro voltou disposto a liquidar a fatura. Logo aos sete minutos, Edimar roubou uma bola pela direita e rolou para Rogerinho, que apenas tocou para a rede.

Quando a vitória parecia definida, o já conhecido ponto fraco atleticano começou a aparecer. Aos 19?, Macalé aproveitou um cruzamento da direita e, livre na área, diminuiu a diferença. Aos 37?, foi a vez de Edmilson subir sozinho em meio à defesa para decretar o empate.

Agora, o Ventania tem que torcer contra o Iraty para cumprir a meta de passar o bastão ao Furacão entre os oito primeiros. No sábado, os titulares estréiam na temporada contra o Nacional, na Baixada.

Rubro-Negro sofre com a violência do Londrina

O time atleticano deixou o gramado do VGD reclamando muito da arbitragem e da violência do adversário. ?Nosso vestiário parece uma UTI de hospital. Tem jogadores com lesão de joelho, tornozelo, que levou murro, soco, pontapé…

O Londrina abusou demais da violência e o árbitro não soube coibir?, disparou o técnico Ivo Secchi.

O treinador estava revoltado principalmente com a contusão do meia Márcio, que fez uma estréia relâmpago no time rubro-negro. Ele entrou aos 33? e ficou cerca de 30 segundos em campo. Na primeira bola que recebeu, levou um carrinho por trás e teve que abandonar a partida. Como Ivo já havia feito as três substituições, o Atlético ficou com dez homens em campo.

Márcio deixou o VGD de ambulância, mas não foi para o hospital.

Ele foi levado para o hotel da delegação atleticana, onde ficaria em observação.

Por pouco, o Rubro-Negro não terminou o jogo com nove jogadores. Douglas também sofreu com as botinadas dos jogadores do Tubarão, mas conseguiu continuar em campo para fazer número.

Inexplicável

O que ninguém consegue explicar foi porque o Atlético toma tantos gols de cabeça.

?É engraçado até. Temos insistido muito nos trabalhos específicos de bola aérea. Mesmo assim, continuamos errando. Temos que trabalhar mais, que uma hora conseguiremos corrigir?, acredita Ivo Secchi.

CAMPEONATO PARANAENSE 2007
1.ª fase ­ 6.ª rodada
Árbitro: Geraldo Borghezan
Assistentes: Juvenal Oliveira e Marcelo GéaGols: Chico, aos 17?; Evandro, aos 36?, e Edmilson (pênalti), aos 43? do 1.º tempo. Rogerinho, aos 7?; Macalé, aos 19?, e Edmílson, aos 37? do 2.º tempo.
Cartões amarelos: Da Silva, Cirio (Londrina), Gustavo, Edimar, Wellington (Atlético)
Cartão vermelho: Macalé (Londrina), aos 25? do 2.º tempo.
Local: Vitorino Gonçalves Dias, em Londrina (PR)
Público e renda: não divulgados

LONDRINA 3 x 3 ATLÉTICO

Londrina
Ney; Cacá (Júnior ­ 16? 2.º), Macalé, Daniel e Da Silva; Edmilson, Cirio (Caio ­ 41? 1.º), Wilson e Diego Mineiro; Rodrigo (Alan ­ 29? 2.º) e Diego Macedo. Técnico: Roberto Fonseca.

Atlético
Vagner; Alex, Gustavo e Douglas; Edimar, Chico (Lucas ­ 13? 2.º), Wellington, Evandro (Márcio ­ 33? 2.º) e Rodrigo Crasso; Rodrigão (Ricardinho ­ 16? 2.º) e Rogerinho. Técnico: Ivo Secchi.

Ramon não joga mais no Atlético

O principal reforço do Atlético para a temporada 2007 nem mesmo estreou e já deixou o clube. De forma surpreendente, o meia Ramon decidiu rescindir seu contrato com o Furacão e abandonar o CT do Caju. Oficialmente, o motivo de sua saída foi a falta de um acordo sobre onde o jogador iria morar em Curitiba.

Aos 34 anos, Ramon foi contratado pelo Rubro-Negro no início do ano. Além do status de estrela do grupo, ganhou também a confiança do técnico Vadão.

Ele formou, ao lado de David Ferreira, o setor de criação rubro-negro no jogo treino contra o Gyeongnam, da Coréia do Sul, o único teste do time A do Rubro-Negro este ano. Sua estréia deveria acontecer domingo, contra o Nacional, na Baixada.

Mas um problema aparentemente simples de ser resolvido teria feito o jogador desistir de defender o Furacão. ?Chegamos a um acordo sobre todas as cláusulas do contrato, mas ficou pendente a questão de moradia. Não concordamos sobre isso e ele disse que não gostaria de ficar. Como o Atlético não deseja jogador insatisfeito, entendemos que seria melhor liberá-lo?, explicou o diretor desportivo atleticano, Marcos Teixeira.

Segundo Teixeira, o Rubro-Negro tentou de todas as formas um acordo, mas Ramon teria sido irredutível. ?No final, aceitamos o que ele desejava. Mas então ele já não queria mais ficar?, revelou. Segundo nota oficial divulgada pelo clube, o Atlético ?inclusive elevou o teto disponível a todos os demais atletas. Ramon não aceitou?.

A justificativa soou estranha, pois é difícil acreditar que o meia, já em final de carreira, simplesmente deixaria o Atlético, sem proposta de nenhum outro clube. ?O que eu estou colocando é exatamente o que aconteceu. Qualquer outra coisa, vocês devem perguntar ao Ramon?, avisou Teixeira.

A Tribuna tentou ouvir o jogador, mas Ramon decidiu evitar a imprensa, não atendendo às ligações. Rumores dão conta que ele não se adaptou ao rígido sistema de trabalho do Atlético. Acostumado com o badalado futebol carioca, o jogador teria estranhado o intenso ritmo de treinos físicos e o isolamento no CT do Caju. Ramon já retornou ao Rio de Janeiro.