O Atlético anunciou ontem a convocação de uma reunião extraordinária do seu conselho deliberativo, que acontece dia 14 de março, para colocar em discussão assuntos relacionados à Copa do Mundo e às obras na Arena da Baixada. Pelo edital, o Rubro-Negro antecipa que os conselheiros terão de decidir pela “oneração real de bens do Clube Atlético Paranaense para o financiamento das obras de adaptação da Arena para o caderno de encargos Fifa Copas 2013/2014”, que deve ser a colocação do CT do Caju ou do estádio como garantia a ser dada ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na reunião, também será apresentado o projeto de viabilização econômica-financeira para os financiamentos. Recentemente, a comissão da CAP S/A que responde pelas obras no estádio pediu um empréstimo à Caixa Econômica Federal para viabilizar os cerca de R$ 40 milhões que precisará pagar do próprio bolso para completar os custos das obras. Outros R$ 123 milhões virão do financiamento junto ao BNDES. Porém, a Caixa Econômica ofertou apenas R$ 10 milhões, a serem pagos em 36 meses, com caução de R$ 5 milhões que estão aplicados na instituição em nome do Atlético desde o ano passado. A CAP S/A ainda está analisando a proposta que também pode entrar em votação na reunião extraordinária do dia 14.

A expectativa do clube é que o BNDES libere a primeira parcela do financiamento ainda neste mês. O montante corresponde a, no máximo, 20% do total dos R$ 123 milhões – valor que fica em torno de R$ 24,6 milhões. Como ainda não deu as garantias como devedor solidário ao banco, a proposta do clube segue em fase de análise e até que o contrato seja assinado será necessário um tempo maior de espera. O banco só libera esta parcela depois da assinatura do convênio. O governo da Bahia, por exemplo, assinou convênio para a reconstrução da Fonte Nova em janeiro de 2011 e só teve a primeira parcela liberada em maio do mesmo ano.

Depois de receber a parcela inicial, o Atlético terá de passar por novo calvário para seguir liberando o restante do recurso, ou seja, seguir apresentando documentação e atendendo exigências futuras do BNDES. A segunda parcela do financiamento, por exemplo, só será liberada depois que o clube investir todo o valor da primeira parcela e comprovar documentalmente onde foi gasto o dinheiro. Não bastasse isso, o Furacão terá de contratar uma auditoria independente que mostre ao BNDES que os valores estão sendo aplicados da maneira correta.

O banco cobra ainda a descrição dos projetos básicos para o entorno do estádio e a certificação ambiental. Sem todos os dados em mãos, o BNDES não dará continuidade à liberação dos recursos. As informações foram obtidas pela Tribuna com a assessoria técnica do banco, cuja sede é no Rio de Janeiro.