Bonamigo é o mais cotado
para assumir o Atlético.

O sonho do Atlético em contar com Tite no comando da equipe no campeonato brasileiro está esbarrando no salário pretendido pelo profissional. O clube fez uma proposta ao técnico gaúcho e espera para hoje uma definição. Caso ele não aceite o que foi oferecido pelo clube, Paulo Bonamigo, que está no Atlético/MG e Marco Aurélio, sem clube, seriam as próximas opções tentadas pelos dirigentes rubro-negros. Para a partida de quinta-feira, contra o São Paulo, o time será comandado pelo auxiliar técnico Júlio Piza.

Segundo apurou a reportagem, o contato com Tite foi feito ontem pela manhã, tão logo o ex-treinador Mário Sérgio encaminhou seu pedido de demissão ao clube. As partes conversaram, mas esbarraram no salário pretendido pelo gaúcho, que está em Porto Alegre aguardando alguma proposta para trabalhar no Brasileirão. Com isso, a possibilidade dele vir para a Baixada diminuiu, mas o treinador ainda tem até hoje para dar uma resposta, caso aceite.

Se ele não vier, o Furacão põe em prática os planos B e C. O plano B, de Bonamigo, passa por Minas Gerais. O ex-treinador de Paraná Clube e Coritiba já foi sondado em outras vezes e também recebeu proposta para voltar a trabalhar em Curitiba, desta vez no Atlético. Mesmo tendo perdido o campeonato mineiro e sofrendo com a sombra da possível contratação de Vanderlei Luxemburgo, Paulo Bonamigo trabalhou normalmente ontem à tarde e, aparentemente, está prestigiado pelos dirigentes mineiros.

O terceiro nome da lista é Marco Aurélio, que estava trabalhando no futebol árabe e, agora, está aguardando propostas em Campinas, interior de São Paulo. O ex-volante, campeão brasileiro pelo Coritiba, foi campeão da Copa dos Campeões dirigindo Palmeiras e Cruzeiro. Também foi ventilado o nome do ex-goleiro Zetti, vice-campeão de São Paulo com o Paulista.

Time

Para as duas primeiras partidas no campeonato brasileiro, o comando da equipe ficará com o auxiliar-técnico Júlio Piza, que dirigiu a equipe na Copa Sesquicentenário. Na estréia contra o São Paulo, ele já ganha dois problemas: o zagueiro Rogério Correia e o atacante Washington estão machucados. O primeiro voltou a sentir um edema muscular na coxa direita, enquanto o segundo sofreu uma lesão na coxa esquerda.

Prejuízo pode ser ainda maior

Além de ter perdido o título do campeonato paranaense, o Atlético soma prejuízos com o vandalismo nas arquibancadas e ainda pode ser punido pelos objetos atirados no gramado. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD) promete rigor nas punições ocorridas na Arena, quando a torcida atirou diversos objetos. Caso seja condenado, o clube pode perder mando de campo no campeonato brasileiro e ter que jogar em estádio localizado a 150 quilômetros de distância.

De acordo com Luiz Zveiter, presidente do STJD, a entidade nacional vai acompanhar de perto os julgamentos que serão feitos pelos tribunais estaduais (houve outros casos e outras decisões). “Se houver relaxamento, seja de quem for, o STJD vai entrar em ação e punirá com rigor os culpados e os omissos”, afirmou Zveiter. A atitude do magistrado foi motivada pelos incidentes ocorridos também no Mineirão e no Maracanã, onde jogadores brigaram dentro de campo.

“Foram fatos lamentáveis e daremos um prazo de uma semana para saber quais as providências nos âmbitos estaduais. Não pensaremos duas vezes se tivermos de afastar auditores dos tribunais locais”, ameaça. Na Arena, a torcida atingiu o técnico do Coritiba, Antônio Lopes, com um pedaço de papel molhado. O treinador aproveitou o clima quente para encenar uma contusão. No entanto, o pior foi a atitude de alguns torcedores que, revoltados com a perda do título e o aumento dos ingressos, destruíram as cadeiras recém, colocadas em toda a arquibancada.

Prejuízos

Ontem, a diretoria atleticana contabilizou os prejuízos. Foram quebradas 397 cadeiras e serão gastos, num levantamento preliminar, R$ 40 mil para o conserto. Até domingo, o clube espera repor os assentos e terminar o encadeiramento em todo o estádio. Para tentar coibir mais vandalismo, o clube registrou queixa na polícia. Três pessoas foram presas em flagrante e outros ainda poderão ser identificados pelas imagens do circuito interno de televisão. “O Atlético está fazendo a análise das imagens com a ajuda da polícia. Nós gostaríamos que os próprios torcedores ajudassem na identificação de quem destruiu o patrimônio do clube”, pede Antônio Carlos Bettega, vice-presidente do conselho deliberativo.

Torcida entra na Justiça para reduzir ingresso

Alguns setores organizados da torcida do Atlético entraram na Justiça ontem pedindo a redução do preço do ingresso na Arena ou a criação de uma área “popular”. A intenção é conseguir uma liminar para impedir o aumento, mas caso a Justiça não se pronuncie, os torcedores deverão realizar mais protestos antes da partida contra o Figueirense, programada para domingo, no Estádio Joaquim Américo.

“É uma ação judicial pedindo a suspensão do reajuste e pedindo um espaço para ingresso popular”, explicou Doático Santos, presidente da confraria Esquadrão da Torcida Atleticana (ETA). De acordo com ele, essa ação foi subscrita por 10 mil torcedores atleticanos, ajuizada com o auxílio do Procon. “A gente espera uma liminar para amanhã (hoje) para que o ingresso volte para R$ 15,00 ou, na pior das hipóteses, o anel inferior tenha um preço popular”, explica.

Se a estratégia não der certo, a ETA, junto com a torcida organizada Os Fanáticos, o sítio E-Atlético.com e grupos de discussão na internet querem organizar um boicote à partida de domingo. A intenção é colocar um caminhão de som na frente da Baixada para a torcida ouvir o jogo pelo rádio. “O nosso desafio é colocar mais gente no calçadão que dentro do estádio”, finaliza.

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