Valquir Aureliano
Marcelo Ramos (esq.) estreou dupla com Taílson e deixou sua marca.

O Atlético demonstrou ontem as virtudes e defeitos que nortearam sua caminhada em 2008. Com a torcida, é uma equipe forte, que teve no sistema defensivo e nos volantes seus destaques. Mas é carente de bons laterais, não tem substituto para Ferreira e sofre com a inconstância de vários jogadores. Com isso, o time teve uma campanha irregular. Mas fica para o ano que vem a alegria de ?carimbar? a faixa do campeão São Paulo, derrotado por 2 a 1 na Arena. O resultado garantiu a classificação rubro-negra para a Copa Sul-Americana.

Apesar de a partida não ter a importância que merecia, o público compareceu em ótimo número, um pouco para empurrar a equipe para carimbar a faixa são-paulina, um pouco para ver uma atuação que desse confiança para a próxima temporada. Dois jogadores ganhavam a chance para mostrar serviço: Vinícius, provavelmente o camisa 1 para 2008, e Taílson, que pela primeira vez era titular do Furacão. Do lado do campeão brasileiro, muita tranqüilidade, mas a exigência de Muricy Ramalho para fechar o ano com vitória. Para evitar maiores complicações, Aloísio e Dagoberto ficaram de fora.

Era sinal da falta de interesse que permeava o São Paulo. O Atlético, querendo vencer (porque era o Tricolor e porque valia vaga na Sul-Americana), não tinha nada a ver com isso e dominou o primeiro tempo por completo. Com mais vontade, o Furacão não teve problemas para abrir o placar. Aos 13?, Rhodolfo fez ótima jogada e cruzou para Marcelo Ramos. Artilheiro, Marcelo fez a sua parte e colocou lá dentro.

Só depois do gol é que o São Paulo tentou pressionar os donos da casa. Mas sempre de maneira lenta, tentando cadenciar a partida e achar espaços na defesa atleticana. Em contrapartida, o Furacão seguia com a iniciativa, mas pecando em várias jogadas de linha de fundo. Taílson e Netinho ainda tentaram, mas a primeira etapa não teve mais gols. Muricy chacoalhou o São Paulo e o time voltou com mais presença ofensiva, colocando o Atlético no seu campo. Mas não era aquela pressão, e sim um domínio típico do Tricolor, em ritmo mais lento. Para a torcida rubro-negra, a festa veio no anúncio do gol de Morais para o Vasco, contra o Paraná.

O resultado fez o Furacão diminuir seu ímpeto, ainda mais depois dos gols vascaínos marcados por Leandro Amaral, que rebaixaram de vez o Tricolor da Vila. Enquanto o São Paulo tentava, a torcida também comemorava o gol do Goiás contra o Internacional, que degolava o Corinthians.

Mas a emoção do campo foi a que o Atlético não esperava. O São Paulo cresceu e Francisco Alex fez um belo gol, aos 37?, deixando tudo igual. Mas a tarde atleticana iria terminar de forma perfeita. Aos 47?, Ramón cobrou falta e Antônio Carlos marcou o gol da vitória. Furacão vencendo o São Paulo, Corinthians e Paraná caindo? Era tudo que a torcida rubro-negra queria.

CAMPEONATO BRASILEIRO

38.ª rodada

Atlético 2×1 São Paulo

Atlético

Vinícius; Danilo, Rhodolfo e Antônio Carlos; Jancarlos, Alan Bahia, Valencia (Roberto, 42 do 2º), Netinho (Ramón, 25 do 2º) e Michel; Taílson (Pedro Oldoni, 12 do 2º) e Marcelo Ramos.

Técnico: Ney Franco

São Paulo

Bosco; Breno, Danilo Silva e Miranda; Richarlyson, Fernando, Leandro (Serginho, intervalo), Júnior (Francisco Alex, 33 do 2º) e Jorge Wagner; Diego Tardelli (Eric, 28 do 2º) e Borges.

Técnico: Muricy Ramalho

Súmula

Local: Joaquim Américo

Árbitro: Leonardo Gaciba da Silva (FIFA-RS)

Assistentes: Fabrício Vilarinho da Silva (GO) e José Antônio Chaves Franco Filho (RS)

Gols: Marcelo Ramos 11 do 1º; Francisco Alex 37 e Antônio Carlos 47 do 2º

Cartões amarelos: Danilo, Antônio Carlos (CAP); Fernando (SP)

Renda: R$ 374.315,00

Público: 24.437 (23.055 pagantes)

Ney e jogadores prometem retribuir torcida

Valquir Aureliano
Rubro-negros fizeram a festa com a vitória sobre o campeão e o rebaixamento do Paraná.

?Foi um campeonato que teve de tudo. A gente só não sonhou com o título. De resto, passamos por tudo.? A frase é do capitão Danilo, um resumo que dificilmente será mais preciso para a campanha do Atlético no Brasileiro. Ficou a decepção de não ter chegado onde se projetava (o título ou uma vaga na Libertadores), mas a alegria da vitória sobre o São Paulo e da classificação para a Copa Sul-Americana acabou servindo de alento ao Rubro-Negro.

O herói da tarde foi o zagueiro Antônio Carlos, que talvez tenha sido o jogador mais regular do segundo turno com a camisa atleticana. ?Estou muito feliz, fico emocionado por ser o responsável pela vitória, mas não fui o único. Não fiz nada sozinho. Eu estou aqui desde o meio do ano, e sei que a gente precisa fazer muito mais no ano que vem. E é isso que vamos tentar?, avisou Antônio Carlos, que foi endossado por Danilo. ?Nós sabemos, a diretoria sabe, e vamos fazer esta torcida sorrir muito mais?, disse o capitão atleticano.

O discurso foi semelhante ao do técnico Ney Franco, que se disse ?surpreso? com os mais de 23 mil pagantes do jogo de ontem. ?Eles esperam muito da gente, e querem que tenhamos uma temporada melhor, lutando por títulos. É isso que eles querem, e é isso que pretendemos fazer em 2008?, disse o treinador, que reconhece que a Sul-Americana não era o objetivo da temporada. ?Acho que pelo que aconteceu este ano, temos que comemorar. Mas pelo que o Atlético tem, temos que estar lutando sempre por títulos?, finalizou.