rO rubro-negro ingressou ontem com o pedido de impugnação do resultado da partida Fortaleza 1×0 Atlético. O clube da Baixada está alegando que o time cearense não cumpriu os prazos regulamentares para colocar o atacante Macedo em campo. Agora, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) irá decidir se o Furacão tem direito de ganhar os três pontos perdidos em campo e a renda da partida.

De acordo com o regulamento do campeonato brasileiro, em seu artigo sétimo, após a realização da primeira rodada poderão participar da competição os atletas cujos nomes constem do BID publicado até às 19 horas da véspera do intervalo mínimo de três dias úteis antes da realização de cada partida. Ou seja, para a partida realizada no dia 20 de abril, um jogador só poderia atuar se estivesse inscrito até a segunda-feira, dia 14, para dar o prazo regulamentar de três dias. O meia Macedo teve sua inscrição confirmada no boletim de informações diárias (Bid) na terça-feira, dia 15, e não cumpriu o artigo porque na sexta-feira foi feriado (Sexta-feira Santa).

Agora, o presidente do STJD, Luís Zveiter, aguarda dois dias para o Fortaleza se manifestar e depois encaminha o processo para um procurador da casa. Segundo o advogado do clube, Marcelo Ribeiro, na melhor das hipóteses, o julgamento do caso acontecerá em meados da semana que vem. Apesar de estar seguindo à risca o regulamento, o advogado atleticano não garante a vitória no tapetão para o Atlético. “Depende de como a CBF vai argumentar para defender o Fortaleza, que estava embasado numa circular da própria entidade”, analisou. Essa circular foi expedida pelo departamento de registro e relaxava o cumprimento do regulamento devido aos feriados. No entanto, Ribeiro diz que isso caracteriza mudança de regulamento.

Campanha

Os jogadores do Atlético estão aderindo à campanha Fome Zero, lançada pelo governo federal. O goleiro Diego, o atacante Dagoberto e o meia Fernandinho estarão amanhã em uma agência da Caixa Econômica Federal no Centro (Rua Marechal Floriano Peixoto, 275), enquanto o lateral-direito Alessandro, o zagueiro Juliano e o atacante Ilan estão numa agência do Portão (Rua Carlos Dietzsch, 61) para uma manhã de autógrafos e doação de alimentos.

Furacão quer ganhar o mundo

A vitória sobre o Criciúma não só tranqüilizou os ânimos no Atlético como servirá de cartão de visitas para o projeto do clube de se expandir internacionalmente. Depois de se tornar campeão brasileiro, de ter o melhor estádio da América Latina e um dos melhores centros de treinamento do Brasil, o Rubro-Negro quer conquistar novos mercados e encontrar novas fontes de renda. A estrutura e a profissionalização do clube ajudam, mas a volta dos bons resultados em campo devem impulsionar os planos do Furacão de transpor fronteiras, e até uma excursão à Europa no meio do ano.

“Há dois meses que nós estamos trabalhando na questão do relacionamento internacional. Hoje, as rendas estão cada vez mais escassas, a televisão pagando menos e a bilheteria já é uma fonte de arrecadação marginal. Então, a gente está buscando outras alternativas para poder capitalizar”, disse à Tribuna o consultor Alexandre Rocha Lourez, o mesmo que já tinha feito um planejamento estratégico para o clube em 2000, que previa a conquista do título de campeão brasileiro. Segundo ele, o Atlético vai buscar – principalmente em mercados emergentes – intercâmbio de atletas ou delegações, buscar investidores para a Arena e CT do Caju, além de procurar uma maior profissionalização na parte administrativa. “O Brasil está começando a se profissionalizar, mas ainda tem um bom caminho a ser dado. Hoje, toda a estrutura dos clubes europeus é totalmente profissionalizada. Isso é o que a gente vai tentar fazer agora aqui dentro do Atlético”, explica.

Na prática, o trabalho do consultor atleticano será ampliar o trabalho que já vem sendo feito no clube. “O objetivo é pegar mercados emergentes, principalmente a Ásia, o leste europeu, que está difundindo o futebol e hoje nós temos um diferencial: a parte técnica. A gente vai tentar também fazer intercâmbios e trazer clubes árabes e chineses, que prezam muito o futebol brasileiro”, aponta.

Mesmo assim, o projeto ainda está em fase de implantação. “Isso é apenas o início e os resultados deverão vir dentro de três a quatro anos. O Atlético tem hoje, no Brasil, a melhor estrutura para se fazer isso. Temos atletas despontando no cenário internacional e tudo isso ajuda o clube a difundir sua imagem no cenário internacional”, destaca.

No entanto, o grande mercado a ser conquistado é a Europa e o Atlético também quer furar o bloqueio dos europeus, que conhecem bem a seleção, mas muito pouco dos clubes brasileiros. “Na Europa eles conhecem a seleção e os grandes jogadores. Eles não conhecem os clubes brasileiros porque não se assiste os nossos campeonatos lá fora. Se você vai para a Inglaterra, eles conhecem três ou quatro times e nós vamos atrás desse hiato que está sendo deixado.” Uma porta para isso podem ser os amistosos de verão no continente europeu. “A gente tem alguns convites, que eu não posso informar, de equipes que gostariam de fazer amistosos de pré-temporada com o Atlético e estamos analisando a melhor maneira de fazer isso aí devido ao calendário”, finaliza.