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Aloísio e Dagoberto treinavam juntos em setembro de 2005. Nesta semana, o encontro é na Justiça.

A semana será movimentada para o departamento jurídico do Atlético. Hoje, o clube enfrenta mais um round na disputa trabalhista com o atacante Aloísio.

Na quinta-feira, é a vez do caso Dagoberto voltar à tona, com uma audiência de conciliação entre o clube e o jogador.

Está marcado para hoje, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 9.ª Região, em Curitiba, o julgamento de um mandado de segurança impetrado pelo Furacão contra a decisão da 1.ª Vara do Trabalho, que liberou Aloísio para atuar pelo São Paulo.

O Rubro-Negro afirma que o atacante não cumpriu contrato com o clube, ao não se reapresentar após o término de seu empréstimo para o São Paulo, em fevereiro.

Inicialmente, a juíza Simone Galan de Figueiredo concedeu liminar determinando que o atleta se apresentasse imediatamente no CT do Caju. Dias depois, a liminar foi revogada e Aloísio foi autorizado a continuar jogando pelo São Paulo até a decisão final do processo. É essa decisão que o clube tenta reverter hoje, no TRT. Caso a audiência seja favorável ao Furacão, Aloísio fica impedido de atuar pelo tricolor paulista até o julgamento final da reclamação trabalhista, marcado para o dia 22 de setembro. Além disso o atacante não poderia jogar as finais da Libertadores contra o Internacional.

O primeiro jogo diante dos gaúchos acontecerá nesta quarta-feira, em São Paulo.

Dagoberto

Já a quinta-feira marcará mais um capítulo da novela envolvendo a renovação do contrato do atacante Dagoberto. Uma audiência de conciliação, proposta pelo Atlético, acontecerá na sede do TRT.

O Rubro-Negro conseguiu na Justiça a prorrogação do contrato com o jogador por 250 dias. Inicialmente, o vínculo de Dagoberto com o clube da Baixada terminaria em julho de 2007. Como a Lei Pelé prevê que a multa rescisória cairia para 20% do valor inicial (o equivalente a R$ 5,4 milhões) a partir do último dia 27 de julho, o Furacão ingressou com uma ação judicial pedindo a renovação do compromisso pelo período em que o jogador ficou afastado dos gramados por contusão e foi atendido.

Dagoberto ainda tentou obter a revogação da decisão, através de um mandado de segurança, mas não teve sucesso. Na próxima quinta-feira, o Atlético tenta mais uma vez um acordo com o jogador, que já manifestou sua vontade de não renovar com o clube.

A Tribuna tentou o contato com o departamento jurídico do Atlético e com o advogado Fernando Barrionuevo, que representa os interesses de Aloísio e Dagoberto, mas não obteve retorno.

Feridas ainda não cicatrizaram

A Agência Placar publicou ontem uma entrevista com Dagoberto, em que ele fala sobre sua disputa judicial com o Atlético e seus planos para a seqüência da carreira. Confira os principais trechos:

O procedimento cirúrgico de sua lesão levantou polêmicas. A opção de operar nos Estados Unidos levou à queda de todo o departamento médico do Atlético na época. Quem escolheu que você operasse nos EUA e não com o médico da ?casa??

Dagoberto – Foi uma decisão da diretoria. Houve muitas especulações na época, dizendo que o Ratinho estava impondo isso ou aquilo, mas não tinha nada disso. Nós estávamos esperando o que eles (diretoria) iriam falar. Eles optaram por escolher o melhor médico do mundo para ter certeza disso, ter certeza daquilo, mas, com certeza, foi ordem da diretoria.

O Carlos Alberto Parreira (ex-técnico da seleção) citou você como potencial selecionável para a Copa 2010. Você se vê na África do Sul?

Dagoberto – Aqui no Atlético me desvalorizam e, de repente, vem o técnico da seleção e te elogia, fala de suas qualidades. É um contraste, pois hoje aqui no clube não sou valorizado e a galera só fala que nunca retribuí o que eles fizeram por mim. Acho que eles (dirigentes) tinham de colocar a cabeça no travesseiro e valorizar um pouco mais as pessoas que vêm da base, que procuram honrar a camisa do Atlético. Mas é uma alegria você escutar um técnico da seleção falar isso. Vou ter que fazer por merecer esses elogios.

Há clima para você continuar no Atlético? Lembrando que recentemente o Petraglia afirmou que, independentemente da conclusão do litígio que há com o Atlético, não há mais ambiente para você no clube.

Dagoberto – Quem entrou na Justiça contra o Dagoberto foi o Atlético. Não fui eu que entrei contra eles. Estou com a cabeça boa e se me colocarem para jogar, vou jogar. Estou preparado psicologicamente e fisicamente. Mandaram eu treinar em separado, treinei. Faço tudo que me mandam. Estou apto, estou pronto e com muita vontade de jogar.

Ter contratado um advogado (Fernando Barrionuevo), que pertence ao escritório do presidente do Coritiba, não soa como provocação para os atleticanos?

Dagoberto – Seria o fim se contratasse um atleticano. Foi o Atlético que entrou contra mim na Justiça. Se contratasse um atleticano seria o fim da picada.

No ritmo em que está o Atlético, ele tem alguma chance de voltar a disputar uma Libertadores em 2007 ou está mais para lutar contra o rebaixamento?

Dagoberto – Difícil. Estamos com um time que procura acertar. Mas o clube vende muitos jogadores e reformula demais. Acho que está muito complicado o momento. Temos de parar para analisar as coisas e se unir acima de tudo, por que sem união não vai longe não!

Você acredita que a saída do Givanildo do comando técnico do Atlético deveu-se ao impasse de que ele não queira escalá-lo contra o Vasco e o presidente Petraglia ordenou que ele o escalasse?

Dagoberto – Não sou o pivô de nada! Apenas falei a minha verdade. Se as pessoas não estão acostumadas com isso, melhor pegar o bonezinho e ir embora mesmo. Se ele falou uma coisa e outro dia veio e falou outra coisa na imprensa, para mim um cara deste está mentindo. Ele se contradisse muito. No meio do grupo ele falou que comigo ele não atuava, não trabalhava mais. Peguei e saí. Passei a trabalhar em separado.

Você quer ir para o exterior logo ou prefere um clube brasileiro que te dê mais projeção?

Dagoberto – Depende de analisar a melhor proposta. Nós, eu juntamente com o pessoal da Massa, temos de estudar qual a melhor forma. Mas com certeza jogar num grande clube da Europa é um sonho.

Há ingratidão para com você dentro do Atlético?

Dagoberto – Muito, muito. Estive cinco anos no Atlético e todas as vezes que vesti a camisa do clube procurei honrar muito ela. A torcida sabe disto. Hoje é muito fácil falar de mim. Isso chateia, deixa triste, mas estou seguindo a minha vida e vou procurar valorizar quem me valoriza.

César deverá estrear contra o Grêmio

Alheio às disputas nos tribunais, o elenco do Atlético começa hoje a se preparar para a partida contra o Grêmio, no próximo domingo. O Furacão tenta se reencontrar com a vitória após perder por 2 a 1 para o Corinthians, no último sábado, em São Paulo.

Contra o tricolor gaúcho, o técnico Vadão não poderá contar com o zagueiro Danilo, que recebeu o terceiro cartão amarelo, e o lateral-direito Jancarlos, expulso contra o Timão. Na zaga, o treinador deve promover a estréia de César.

Na lateral, dois jogadores disputam a posição de Jancarlos. ?Temos o Carlos Alberto, que é lateral de origem, e o André Rocha, que pode jogar por ali também?, afirma Vadão.

Além disso, o Rubro-Negro pode ter mais duas mudanças. Ivan foi mal contra o Corinthians e pode perder a posição para Michel, que faria seu primeiro jogo com a camisa rubro-negra. No ataque, a dúvida é sobre a situação de Dagoberto, que poderia até deixar o clube após a audiência marcada para quinta-feira.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deve confirmar a partida contra o Grêmio em Caxias do Sul. O clube gaúcho, punido pelo STJD com a perda de oito mandos de campo, indicou os dois estádios da cidade para a realização das partidas, que acontecerão com os portões fechados.