Uma ruptura na cúpula diretiva do Atlético trouxe à tona contratos obscuros da CAP S/A com familiares do presidente Mário Celso Petraglia. As denúncias foram feitas pelo vice-presidente administrativo José Cid Campelo Filho, após ser expulso do conselho e da CAP S/A. Cid alega ter sofrido represálias por parte de Petraglia, por ser contrário a concordar com “atitudes imorais” que o presidente tem tomado na contratação de empresas, prestadores de serviços e adiantamentos de pagamentos que não precisariam ser feitos agora. Na lista estão a empresa Kangoo, do filho Mário Celso Keinert Petraglia, que já vendeu cadeiras para a Arena da Baixada, e o escritório de arquitetura do primo Carlos Arcos – responsável pelo projeto do estádio.

A preocupação de Cid é pela maneira com que Petraglia tem conduzido a obra, que para ele tem aplicação de “dinheiro público” e merece uma maneira mais transparente e menos imoral de ser utilizado. Segundo o dirigente, já houve adiantamentos feitos para o filho, que chegam a R$ 7,200 milhões, e R$ 2,530 milhões já pagos ao primo. Esses valores saíram dos R$ 30 milhões que foram concedidos em empréstimo à CAP S/A, cujo valor foi captado junto à Agência de Fomento do Paraná, em troca de títulos de potencial construtivo da Prefeitura de Curitiba dados como garantia para a tomada do financiamento. “É dinheiro público. Temos que levar em consideração isso, pois estamos sujeitos à Lei de Responsabilidade Fiscal. Não se pode contratar parente e é isso que ele tem feito”, justifica Cid.

Além disso, denuncia o vice-presidente, houve ainda adiantamento de R$ 4 milhões para a empresa que fará a cobertura do estádio, cujo valor total está estimado em R$ 20 milhões. O dirigente, que é advogado e também acumula o cargo de vice jurídico, espera que, a partir de suas revelações, haja maior fiscalização ou que Mário Celso Petraglia renuncie ao cargo de presidente do Atlético e gestor da CAP S/A, sob o risco, segundo ele, de Curitiba ficar ameaçada de não sediar a Copa do Mundo ou o clube e o poder público (governo e Prefeitura de Curitiba) serem responsabilizados pela má aplicação dos recursos. “Ele faz o que bem entende. Só sei do que está acontecendo porque sou diretor jurídico e os contratos passam por mim. Mas não existe transparência”, afirma Cid.