O Atlético questionou, em entrevista coletiva ontem, todas as denúncias e reclamações feitas pelo diretor-executivo da Lanik, César França, sobre a instalação do teto retrátil da Arena da Baixada. Segundo o clube, o representante da empresa disseminou medo e disse inverdades que puseram em risco a credibilidade do Atlético e de diversas empresas paranaenses de competência reconhecida.

Segundo o vice-presidente atleticano Luiz Salim Emed, o porta-voz da empresa tem agido de má fé. “Ele nos obriga a desfazer um rol de inverdades. Esse senhor não imagina o mal que está fazendo. Denigre não apenas a imagem da instituição Atlético. Ele coloca em dúvida toda a credibilidade de empresas que foram selecionadas e contratadas por suas competências e reconhecimento internacional”, afirmou.

O responsável pela empresa afirma que o clube não divulga laudos de segurança e outros documentos que comprovem a ausência de risco para a saúde dos trabalhadores. O Atlético rebate e afirma que está dentro de todas as normas. Emed acusa França de leviano e não admite que se questione os métodos usados na construção do teto. “As ofensas chegam a agredir nossa inteligência e estimulam o medo. Eu, meus netos, filhos, amigos e todos nós estaremos embaixo desse teto. A segurança sempre foi o nosso primeiro plano”, disse.

Para o engenheiro Luiz Volpato, diretor de projetos e construção do Atlético, é impossível mensurar os prejuízos que as declarações têm causado no clube. “Não tem como mensurar [os prejuízos]. Tivemos um evento cancelado e não pudemos contratar outros. O prejuízo à imagem do clube, colocando em dúvida a todos, não se dimensiona.”

Volpato fez uma cronologia dos fatos e se disse surpreso com a postura de César França. O relacionamento com os demais funcionários da Lanik é bom e os relatórios produzidos por Santiago Cizaurre jamais apontaram os erros mencionados pelo executivo da empresa espanhola. “O relacionamento com a Lanik é excepcional. O problema é esse porta-voz que passa informações e relatos que destoam da opinião de todos os outros”, reclamou. Segundo o engenheiro atleticano, a empresa só é responsável pela supervisão e fornecimento do equipamento que faz o deslocamento do teto. Todo o resto é responsabilidade do Atlético. “Quando assinamos o contrato, nem era ele o representante. O Santiago nos disse que não há nada a se questionar”, acrescentou.

Diante do clima de animosidade, a reportagem questionou sobre a troca de empresa ou de representante. Emed lamentou. “É ele quem responde pelas ações da empresa no Brasil. Com toda essa repercussão, tenho certeza que a Lanik vai ficar surpresa com as atitudes dele. Está comprometendo a imagem da empresa no Brasil”. O Atlético reafirmou que irá tomar medidas jurídicas contra o executivo. “Os problemas foram levantados intempestivamente sempre que ele tentava conseguir mais dinheiro do Atlético. Se fossem problemas sérios, falaria sobre eles no primeiro momento. O Atlético vai responsabilizar civil e criminalmente a Lanik pelos prejuízos causados ao clube”, afirmou o advogado Luiz Pereira.

O clube garante que o cronograma deixado por Santiago segue sendo cumprido. Até o dia 15 de janeiro o içamento das peças deve terminar. A partir dali faltam dois serviços: colocação do policarbonato e a automação. “É nesse momento que os engenheiros da Lanik voltam para Curitiba. O teto deve estar pronto entre 5 e 10 de março”, garante Volpato. Questionado se os engenheiros realmente voltam em fevereiro, Volpato disse que é o que prevê o documento deixado pela empresa.

César se defende

O engenheiro César França se pronunciou no início da noite de ontem sobre a coletiva de imprensa dada pelo Atlético sobre a instalação do teto retr&aac,ute;til da Arena da Baixada. Para o representante da Lanik, a empresa “não tem a intenção de constranger o CAP, não necessita da imprensa para praticar publicidade, divulgar seus produtos e nem aumentar lucros no Brasil”.

França mantém a postura de que o Atlético ainda deve dinheiro para a Lanik e que não tem cumprido protocolos básicos de segurança do trabalho. Algumas fotos foram enviadas com marcações de supostas irregularidades durante o içamento das peças e instalação das vigas.

Por fim, França afirma que não quis atentar contra a honra de ninguém. “A recusa em fazer algo não significa que queremos prejudicar ou constranger uma organização como o tradicional CAP, suas equipes, seus diretores, seu presidente, subcontratados e outros. Significa apenas que discordamos dos métodos técnicos e profissionais usados pelo CAP para alcançar seus determinados objetivos. Na verdade, a LANIK I. SA será irresponsável, negligente e desleal se não expressar o que percebemos em nossas supervisões”, concluiu.