Começou a semana do Atletiba. Já escrevemos isto aqui há alguns dias. Mas, desta vez, é pra valer. Na quarta-feira, às 20h, Atlético e Coritiba vão se enfrentar na Arena da Baixada, enfim deixando o Campeonato Paranaense sem qualquer tipo de atraso em sua tabela. O Estadual chegará à metade com seu principal jogo. Mas se na classificação estará tudo bem, no nosso futebol as coisas nunca mais serão as mesmas.

O reflexo do Atletiba que não foi realizado no domingo da semana passada vai demorar a passar. Na verdade, seus efeitos mal começaram a ser sentidos. A polêmica que vivemos nos últimos dias é apenas a ponta do iceberg. Em jogo está o poder do futebol paranaense. E, além disso, de onde sai, por onde passa, quanto passa e como é dividido o dinheiro dos direitos de transmissão de TV.

A Federação Paranaense de Futebol e o Atlético vêm se desentendendo há anos. O Furacão conseguiu o apoio do Coritiba em 2015, e a partir daí os clubes estão unidos tentando tomar o poder na FPF. Não conseguiram no voto, pois Hélio Cury foi reeleito vencendo Ricardo Gomyde. Então, foram à Justiça.

Desde a época da eleição daquele 2015 corre um processo contra Cury, movido pela dupla Atletiba. Na ação, o presidente da FPF é acusado de gestão temerária por uma série de ações que teriam prejudicado a entidade num período de cinco anos. O objetivo é que seja pedida a intervenção na Federação e que Cury seja destituído. Este pedido na Justiça ficou “escondido” nos últimos dois anos, e “reapareceu” com a polêmica desta semana, que fez os nomes de Hélio Cury, Coritiba e Atlético voltarem ao Judiciário.

Tudo por conta da transmissão do Atletiba pela internet. Sem acerto com o Grupo Globo, detentor dos direitos de transmissão do Paranaense, os dois clubes resolveram passar o clássico pelos seus canais oficiais no YouTube. A iniciativa, uma novidade no Brasil, tem amparo legal na Lei Pelé, e não teve nenhuma contestação. Deveria ter sido liberada. Deveria.

O Atlético credenciou uma equipe, mas “demitiu” os profissionais locais na véspera do clássico. No domingo, chegou com jornalistas do canal Esporte Interativo. A FPF alegou que estes não estavam credenciados e que só poderiam trabalhar caso saíssem do gramado. O Coritiba sugeriu que saíssem e que o jogo e a transmissão ocorressem, mas o Furacão não quis assim. Bateu o pé e com isso criou-se o impasse.

O jogo foi cancelado. Hélio Cury manteve o discurso do não credenciamento. No entanto, viu essa tese ruir quando o vídeo com a “explicação” do quarto árbitro Rafael Traci para o Atletiba não começar. “O pessoal não pode transmitir porque não é a detentora do campeonato. É isso que a gente recebeu de informação”, disse ele. O cartola não tinha o que explicar. Atlético e Coritiba podiam partir para o ataque.