O confronto do Athletico com o Colo-Colo-CHI, na quarta-feira (23), será o jogo de número 60 do Rubro-Negro na Libertadores. Desde sua primeira participação, em 2000, o Furacão já encarou times de dez países estrangeiros em sete edições, além de disputas com equipes brasileiras. Contra os chilenos, o jogo será às 19h15, na Arena da Baixada, pela quarta rodada do grupo C.

A caminhada do Rubro-Negro na maior competição continental começou no ano 2000. Após participar do torneio seletivo em dezembro de 1999 e conseguir a vaga para a maior disputa das Américas, o Furacão chegou sem muito prestígio, mas surpreendeu os adversários já renomados internacionalmente. Foi o que relembrou o ex-atacante Lucas.

Libertadores: veja a tabela completa

“É especial ter participado do primeiro jogo do Athletico na Libertadores. Ninguém conhecia o clube e não imaginavam dos sonhos tão grandes que o Athletico tinha desde aquela época. Fizemos a melhor campanha da primeira fase e surpreendendo vários grandes. Não chegamos longe por falta de experiência na competição, mas entramos pra história”, destaca o ídolo rubro-negro.

Naquela primeira “aparição”, uma das partidas mais marcantes nesses 20 anos: vitória por 3 a 1 em cima do Nacional, no imponente estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai. Kelly marcou dois gols nos 18 minutos iniciais. Os donos da casa diminuíram aos 13 do segundo tempo, mas logo após cinco minutos, Lucas balançou as redes e decretou a vitória por 3 a 1.

Lucas em ação contra o Nacional na primeira participação do Athletico na Libertadores | Foto: Albari Rosa/Arquivo Gazeta do Povo

“Foi um sonho jogar em um estádio tão importante na história da Copa do Mundo e ter feito gol. Para o Athletico aquela participação foi um crescimento. Pra nós foi um privilégio”, detalha Lucas.  

O comentarista e colunista da Gazeta do Povo, Carneiro Neto, também avalia aquele como um dos jogos mais consistentes do Athletico na Libertadores.

“De todos os jogos que acompanhei nessa longa caminhada continental, considero a atuação perfeita em 2000, no estádio Centenário em Montevideo, quando venceu o Nacional por 3 a 1. Foi uma atuação irretocável e inesquecível”, garante.

Taça tão sonhada ficou no quase em 2005

O Furacão chegou muito perto de se consagrar campeão da Libertadores em 2005. Com uma campanha convincente, o time chegou à final contra o São Paulo, derrotando no caminho Santos e Chivas, do México. Na ocasião, a Arena da Baixada foi vetada e o mando do Athletico para a decisão foi parar no Beira Rio, no Rio Grande do Sul. A decisão causa revolta até hoje os atleticanos.

Além de 2000, 2005 e 2020, o Athletico competiu a Libertadores em 2002, 2014, 2017 e 2019.

Athletico conseguiu classificação para a final após eliminar o Chivas, em Guadalajara | Foto: Arquivo Gazeta do Povo

Comentaristas analisam peso da Libertadores para crescimento do Athletico

No ranking brasileiro, o Athletico é o 11º time com mais jogos pela competição continental, à frente de equipes como Botafogo e Fluminense. Quem lidera a lista é o Grêmio, com 196 jogos em 20 participações.

Na opinião de comentaristas esportivos, a presença do Furacão nesse período de 20 anos na Libertadores fez a diferença para que o Athletico conquistasse projeção.

“O Athletico vem num processo de crescimento desde que retornou à Série A do Brasileirão, em 1995. Os pontos altos dessa vitoriosa trajetória foram os títulos conquistados – no plano estadual, nacional e internacional -, mas sem dúvida a sua constante participação na Copa Libertadores da América criou uma espécie de pigmentação que amadureceu o clube”, comentou Carneiro Neto.

Para o comentarista da Tribuna do Paraná e RPC, Cristian Toledo, ainda que outros títulos tenham sido mais importantes para a internacionalização do Athletico, foi a disputa continental que preparou o time.

Douglas Coutinho marca gol no fim contra a Católica, em 2017,que garantiu classificação do Athletico para as oitavas de final

“A Libertadores acabou não sendo o principal ponto do crescimento do Athletico – foram os títulos da Copa Sul-Americana e da Copa do Brasil, mas foi a constância das participações no torneio que acabou fazendo o continente conhecer o clube. Essa construção desde 2000 também ajuda o clube a criar uma ‘casca’ para grandes eventos. Nesses vinte anos, o Athletico saiu de um clube ‘emergente’ para mudar seu patamar no país e na América do Sul”, analisou.

Torcedores elegem momento marcante do Athletico na Libertadores

Para o casal atleticano Isabela Furtado e Christiano Bonilha não só um jogo, mas o confronto com um rival em específico entrou para o roll de grandes momentos do Rubro-Negro na Libertadores. Duelar com o multicampeão Boca Juniors e golear comprovou que é só uma questão de tempo para que o Athletico consiga, enfim, vencer a Libertadores.

“O jogo que ganhamos de 3 a 0 do Boca Juniors, na Arena, colocou o Athletico em um nível diferente no futebol. Mostrou que queremos sim conquistar esse título e que vamos buscar isso. E a prova é ter enfrentado um dos maiores times do mundo, com peso na camisa enorme e jogadores muito bons, e ter conseguido sair com uma vitória expressiva”, opinou Isabela.

Marco Ruben brilhou e marcou os três gols da vitória do Furacão em cima do Boca, pela Libertadores 2019 | Foto: Jonathan Campos/Arquivo Gazeta do Povo

O jornalista Cristian Toledo também concorda que aquele foi um momento único na história do Furacão.

“Mesmo que tenha sido na fase de grupos, o impacto de um 3 a 0 sobre a principal marca do futebol sul-americano foi gigante, com forte repercussão. Aquele jogo foi o auge da ‘era Tiago Nunes’ e um dos maiores momentos da história do Athletico”, destacou.

Para o casal, a emoção foi tão grande em ver o Furacão “amassar” os argentinos, com direito a hat-trick de Marco Ruben, que eles deram um ‘jeitinho’ para acompanhar a partida da volta, na Argentina, em plena La Bombonera.

“Vendemos brigadeiro e rifamos uma camisa do Athletico e graças ao nosso esforço e a torcida que ajudou, deu tudo certo. Mesmo não obtendo o resultado desejado na Argentina, não desmotivou a gente”, afirmou Christiano sobre o sonho de um dia erguer a mais importante taça das Américas.

Isabela Furtado e Christiano Bonilha consideram os jogos diante do Boca Juniors os mais marcantes na história do Athletico na Libertadores. Foto: Arquivo pessoal

Seis jogos inesquecíveis do Furacão na Libertadores:

  1. Nacional 2 x 3 Athletico – Estádio Centenário – 2000
  2. Athletico 3 x 2 Santos na Arena da Baixada – 2005
  3. Athletico 3 x 0 Chivas – Arena da Baixada – 2005
  4. Athletico 2 x 1 – Sporting Cristal – Vila Capanema – 2014
  5. Universidad Católica 2 x 3 Athletico – Estádio San Carlos de Apoquindo – 2017
  6. Athletico 3 x 0 Boca Juniors – Arena da Baixada 2019

Países estrangeiros que o Athletico já visitou pela Libertadores:

  1. Peru
  2. Equador
  3. Uruguai
  4. Bolívia
  5. Colômbia
  6. Paraguai
  7. México
  8. Argentina
  9. Chile
  10. Uruguai

Times estrangeiros que o Furacão já encarou na Libertadores:

  1. Alianza Lima (Peru)
  2. Nacional (Uruguai)
  3. Emelec (Equador)
  4. Bolívar (Bolívia)
  5. Olmedo (Equador)
  6. América de Cali (Colômbia)
  7. Independiente Medellín (Colômbia)
  8. Libertad (Paraguai)
  9. Cerro Porteño (Paraguai)
  10. Chivas (México)
  11. Sporting Cristal (Peru)
  12. The Strongest (Bolívia)
  13. Vélez Sarsfield (Argentina)
  14. Universitário (Peru)
  15. Millonarios (Colômbia)
  16. Deportivo Capiatá (Paraguai)
  17. Universidad Católica (Chile)
  18. San Lorenzo (Argentina)
  19. Tolima (Colômbia)
  20. Boca Juniors (Argentina)
  21. Peñarol (Uruguai)
  22. Colo-Colo (Chile)
  23. Jorge Wilstermann (Bolívia)

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