Capixaba ganha mais
responsabilidade na marcação.

A promessa de gols é certa, mas é preciso mais. No primeiro coletivo da semana, enfim o Coritiba treinou com Tuta, Aristizábal e Luís Mário entre os titulares. No ataque, como se esperava, o ?trio de ouro? rendeu bem, mas a equipe apresentou falhas na marcação e vulnerabilidade para os contra-ataques adversários. Mas, segundo o técnico Antônio Lopes, até o jogo de domingo (15h30), contra o Paranavaí, no Couto Pereira, o novo time coxa estará pronto.

Na avaliação do treino, Lopes garante que o onze titular (Fernando; Jucemar, Miranda, Reginaldo Nascimento e Adriano; Márcio Egídio, Ataliba e Luís Carlos Capixaba; Luís Mário, Tuta e Aristizábal) convenceu. “Nós temos até o domingo para acertar, mas esse primeiro trabalho já foi positivo. Nosso ataque fez dois gols, e eu fiquei satisfeito”, comenta o técnico alviverde, que comandou 45 minutos de trabalho tático e meia hora de coletivo.

Mas houve problemas. E seria natural que o compartimento mais afetado seria o meio-campo, que teve sua ?quantidade? reduzida – apesar do pedido de Antônio Lopes para que Ari e Luís Mário voltem para ajudar na marcação, o que por sinal fizeram. Os dois volantes tiveram sua responsabilidade na saída de jogo aumentada, e houve um aumento proporcional nos erros de passe.

Com as falhas, o time ficou aberto para os contra-ataques dos reservas. Num deles, Eder apareceu livre e marcou, e Lopes conversou por um bom tempo com o capitão Reginaldo Nascimento para que fosse acertada a cobertura defensiva. Quando perguntado sobre os problemas, o técnico prefere se esquivar. “Esse é o típico assunto para os jogadores. Se vocês (jornalistas) jogassem, com certeza estariam sabendo”, diz.

Quem ganha maior incumbência defensiva é Luís Carlos Capixaba, que ao mesmo tempo tornou-se o único armador do time – se bem que tem sua tarefa diminuída pela presença de Aristizábal e Luís Mário, que se revezam na aproximação a Tuta. “Quando houve a mudança, eu falei que não iria conseguir chegar toda hora no ataque. O professor Lopes entendeu, e disse que eu tenho que cuidar também da marcação”, explica o meio-campista.

Adriano volta a brilhar no Coxa

Não há nem dúvidas. O melhor jogador do Coritiba nas últimas quatro partidas foi o lateral-esquerdo Adriano – principalmente nos jogos da semana passada, contra Rosario Central e Londrina. Ele conseguiu ser efetivo no ataque e na defesa, e voltou a mostrar o futebol que o transformou em um dos principais jogadores do Brasil na posição. E esta é uma vitória pessoal dele, que passou por momentos complicados no início da temporada, quando chegou a precisar de ajuda externa para vencer o stress.

Tudo por causa das especulações. “Eu fiquei muito abalado com o disse-me-disse que aconteceu. Toda hora falavam que eu iria ser negociado, que iria para a Europa, e isso acabou afetando meu futebol”, confessa Adriano. Ele é um dos exemplos claros do salto de qualidade que a vida de um jovem jogador tem. Em dois anos, ele saiu do time juvenil para a linha de frente do futebol brasileiro, com títulos e passagens pelas seleções sub-20 (campeã mundial) e sub-23. Também viveu a expectativa de compor o time pré-olímpico, sonho que foi tolhido primeiro com a não convocação por Ricardo Gomes para o torneio no Chile e, depois, com a eliminação para o Paraguai.

E, ao mesmo tempo, o nome de Adriano começou a ser veiculado em grandes clubes e observado por procuradores envolvidos com o futebol europeu. O lateral entrou nessa ciranda e acabou se machucando – tal como o protagonista da “Roda-Viva”, a canção de Chico Buarque que virou peça de teatro. “Eu realmente senti essa situação toda e precisei de muita ajuda para recuperar meu futebol”.

Além disso, o lateral viveu problemas físicos, resultado do extremo desgaste que teve no final do ano passado. “E isso também atrapalhou minha cabeça. Quando eu voltei do mundial sub-20, eu tive uma lesão muscular e precisei refazer toda a pré-temporada. Quando estava nesse processo, tive estresse muscular. Aí fiquei com problemas físicos e mentais”, comenta o jogador, com desassombro surpreendente.

Se Adriano procurou auxílio fora do Alto da Glória, ele também contou com a ajuda dos próprios companheiros e do técnico Antônio Lopes. “Eu conversava com todo mundo, e via o interesse do professor Lopes, que dizia que eu tinha que retornar bem. Parei de pensar nessa história de transferência para a Europa e passei a focar apenas no Coritiba”, explica.

Esse ponto pode ter sido decisivo – uma das ?indicações? para quem quer vencer o estresse é adotar um modo de vida mais tranqüilo, sem se irritar com problemas de menor importância. “Eu busquei todo tipo de soluções, e consegui entender que há muita coisa importante, como a minha família. Foi também a ajuda deles que me fez voltar as atenções para o Coritiba e retomar aquele caminho que eu tracei no ano passado”, conta.

Mas ele sabe que ainda falta muito. Quando se pergunta se o Adriano de hoje é o mesmo Adriano que surpreendeu o país na temporada 2002, o jogador é sincero. “Se eu disser que sim, vou estar mentindo. Não estou inteiramente preparado, não estou 100%. Espero que nas próximas partidas eu realmente consiga voltar às minhas condições”, resume.

Contas para classificação na Libertadores

Se o empate – resultado sonhado pelo Coritiba para o jogo de terça entre Olimpia e Sporting Cristal – não veio, a vitória dos paraguaios por 2×1 deu ao Coxa a possibilidade de depender apenas de seus próprios resultados para conseguir a classificação no grupo 9 da Copa Libertadores. E, mesmo sendo improvável, há chances de terminar como campeão da chave, e automaticamente qualificado para a segunda fase da competição.

Com o resultado de terça, o Cristal ficou empatado com o Rosario Central na liderança, com sete pontos. A vantagem no saldo de gols, entretanto, é dos peruanos, que têm três gols de saldo – justamente os três de diferença na goleada de 4×1 sobre o Coxa. Os argentinos, portanto, ficam na segunda posição, com o Olimpia em terceiro (quatro pontos e saldo -2) e o Cori em último (quatro pontos e saldo -3).

Na configuração atual, os quatro times estão na briga – e era por isso que os coxas torciam por um empate, pois ele eliminaria o Olimpia. Com qualquer resultado que acontecer na próxima rodada (que tem Central x Cristal na terça e Cori x Olimpia no dia 6 de abril), ficará tudo para os dois últimos jogos, que acontecem no dia 13 de abril.

Se vencer os paraguaios no Defensores del Chaco, o Cori habilita-se a, com qualquer resultado no jogo da semana que vem, jogar a classificação em casa por uma vitória sobre o Sporting Cristal. Se os peruanos perderem para o Rosario (ou mesmo empatarem), melhor, pois aí serve uma vitória simples. Caso aconteça o contrário, o saldo de gols vai definir quem se classifica. A possibilidade de terminar a fase em primeiro lugar também envolveria o saldo de gols e tem como condição nenhuma equipe passar dos dez pontos, número máximo que o Coxa pode alcançar.