O atacante Francis, do Boa Esporte Clube, acusou o zagueiro Antonio Carlos, do Avaí, de racismo. O jogador do time mineiro prestou queixa e registrou boletim de ocorrência em uma delegacia de Florianópolis, local da partida entre as duas equipes, no sábado, em rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.

O ato racista aconteceu durante o segundo tempo do jogo, aos 39 minutos, após disputa de bola entre os dois jogadores, no ataque no time mineiro, no Estádio da Ressacada. As câmeras da TV flagraram o momento exato em que Antonio Carlos chama Francis de “macaco do c…”.

Francis chegou a reclamar contra a ofensa racial na sequência do lance, mas a partida seguiu normalmente. No boletim de ocorrência, ele afirma que avisou o árbitro Guilherme Cereta da Silva da manifestação racista, mas o juiz ignorou a ofensa. “Vamos jogar, Francis. Não foi nada”, teria dito o juiz, segundo relatou o atacante à polícia.

O episódio lembra o polêmico caso de racismo ocorrido na partida entre Grêmio e Santos que causou a exclusão do time gaúcho da Copa do Brasil. Na ocasião, o goleiro Aranha avisou a arbitragem sobre as ofensas feitas por torcedores, mas não foi atendido. O juiz Wilton Pereira Sampaio acabou sendo denunciado por não registrar os atos em súmula. Foi multado em R$ 800 e suspenso por 45 dias pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

No mesmo B.O., o atacante do Boa Esporte Clube revelou que Antonio Carlos o procurou para pedir desculpas pela manifestação racista ao fim da partida. “Mas o atleta não aceitou”, registrou o documento.

Em nota oficial, o clube mineiro cobrou punição ao jogador do Avaí. “Após o ocorrido, a diretoria espera uma posição exemplar da justiça civil e também da justiça esportiva”, registrou a diretoria do Boa. O clube de Florianópolis afirmou que não pretende se manifestar sobre o caso.