Valquir Aureliano
Mesmo preso, Moura não
pára de receber intimações.

Onaireves Nilo Rolim de Moura não tem descanso. Nem no COT, unidade do sistema penitenciário do Estado, no Ahu, em Curitiba, onde está preso desde 27 de março por formação de quadrilha, falsidade ideológica e sonegação fiscal. Ontem, recebeu uma intimação judicial expedida pela 17.ª Vara Cível. A ação civil pública foi solicitada pela Associação Auxílio, que teria como dirigente Rodrigo Adeodato. Na ação é pedido a renúncia do dirigente ?por ele estar preso?.

Tão logo recebeu a notificação, Moura a repassou para seu advogado Vinícius Antônio Gasparini. ?Tenho agora 15 dias para contestar essa notificação?, disse o advogado que iria avaliar melhor a intimação. Porém ele não vislumbra a hipótese de afastamento do presidente da FPF. ?Não existe sentença condenatória. Também não acredito em intervenção na Federação, pois a entidade está sendo dirigida pelos seus vice-presidentes, conforme rege o estatuto?, explicou o advogado que aguarda o julgamento do habeas corpus para a liberação provisória de seu cliente. ?Estou aguardando a apreciação da sentença?, disse. A previsão é de que o habeas corpus seja analisado somente na próxima terça ou quinta-feira, quando acontecerão as novas sessões da turma do Tribunal Regional Federal, da 4.ª Região, em Porto Alegre.

A notificação para o afastamento dos dirigentes da FPF teria também sido encaminhada para o atual vice-presidente da entidade, Jorge Dib Sobrinho. Mas o oficial de Justiça não o encontrou na sede da Federação.

Procurado pela reportagem da Tribuna no início da noite de ontem, Dib disse que não foi informado oficialmente sobre a nova ordem judicial, nem saberia dizer do que se tratava o assunto. ?Não estive na Federação hoje (ontem). Ninguém me falou sobre isso?, explicou o presidente interino, que alega desconhecer também a autora da ação, a Associação Auxílio.

Segundo o advogado Gasparini, a Associação Auxílio já entrou com outras ações contra a FPF e o presidente Onaireves Moura. ?Mas essas ações não resultaram em nada?, disse o advogado.

Contas não são aprovadas

Fechada para a imprensa. Assim foi a Assembléia Geral Ordinária que a FPF realizou na quarta-feira.

Estranhamente, a grande maioria dos votantes aprovou o balanço da FPF – embora os papéis tenham sido apresentados durante a própria reunião. Apenas sete dirigentes de clubes profissionais compareceram ao evento – entre os presidentes, somente José Carlos de Miranda, do Paraná Clube.

Mas três clubes não aprovaram as contas da FPF: o Atlético, o Nacional do Boqueirão e o River – os dois últimos da Suburbana de Curitiba.