O futebol paranaense trocou os gramados pelos tribunais durante esta semana. Na segunda-feira, o Coritiba subiu ao banco dos réus no Tribunal de Justiça da CBF e foi condenado pela 1.ª Comissão Disciplinar a perder seis pontos foram 4 votos a 1. Pela suposta utilização irregular do volante Ataliba na partida contra o Guarani, na estréia do Brasileirão, o clube foi incluído no artigo 214 do CBDF. Durante o julgamento, o vice-presidente do Coritiba, o advogado Domingos Moro, ofereceu denúncia ao Atlético Paranaense, alegando que o goleiro Diego também não estava no BID especial e, por isso, também seria passível de condenação. “Foi um instrumento de defesa. As vezes citamos terceiros sem querer prejudicá-los”, defende-se.

Entretanto, independente da justificativa, o Rubro-Negro também foi indiciado e será julgado pela 3.ª Comissão Disciplinar na quinta-feira, dia 12. O Coritiba, que entrou com um recurso no STJD, volta ao banco dos réus no dia 13.

Falhas em registros

A confusão em torno da dupla Atletiba com a justiça desportiva está diretamente ligada a tropeços do departamento de registros da CBF. Tanto Ataliba quanto Diego têm contrato com os seus clubes há algum tempo e curiosamente, na edição especial do Boletim Informativo Diário, divulgado antes do Brasileirão, foram excluídos da listagem. Durante o julgamento do Coritiba, os auditores chegaram a levantar a possibilidade de erro de digitação do departamento de registro da CBF, mas a entidade se recusa a falar sobre os casos. Durante dois dias, a reportagem tentou contato com o diretor do departamento, Luiz Gustavo Vieira, e não foi atendida, em um indício de que de fato houve falhas na elaboração do BID especial, uma compilação dos BIDs de todos os atletas, em ordem alfabética.

As mudanças no BID

No caso do Cortiba, a falha não foi apenas da CBF. Quando o BID especial foi liberado, o departamento de registro do Coritiba não notou a ausência do nome de Ataliba (Carlos Eduardo Soares) e deu brecha para o alarde de Guarani. Mesmo sabendo que Ataliba tinha contrato, o Alviverde teria que alertar a CBF pela ausência.

Foi o que fez o Atlético. Notando a ausência de Diego, funcionários do clube enviaram um comunicado á CBF e receberam, no dia 14 de abril, um fax com um BID do jogador, dando conta de que ele estava regular. Entretanto, esse BID não foi colocado no site da entidade. Quando o Coritiba ofereceu denúncia, misteriosamente o nome de Diego surgiu no Bid especial da internet, para ser excluído novamente dois dias depois. Para fechar a série de equívocos, a CBF divulgou um novo BID com o nome de Diego, na última quinta-feira, o impedindo dessa forma de jogar ontem. No caso Ataliba, que está no Coritiba desde 2000, antes do julgamento seu histórico havia sumido e foi curiosamente encontrado um dia depois, inclusive com a anotação do término do empréstimo ao Sport. O aditivo contratual que prorrogava o contrato do jogador até o final do ano, enviado pela CBF, entretanto, não foi localizado. Curiosamente, Ataliba foi incluído do BID especial oficial sob a inscrição 36. “Se ele não tivesse contrato, teria que aparecer sob o número 55, no final da lista. Na defesa, vamos alegar uma suposta deletação acidental do nome”, concluiu Moro.