A Argentina interrompeu, mais uma vez, o sonho da atual geração de jogadores da seleção masculina de basquete de fazer história em um torneio importante. Pelas quartas de final, em Londres, na arena de North Greenwich, o Brasil, com sua força máxima, perdeu por 82 a 77. O time vizinho também estava completo e agora espera o duelo entre Austrália e Estados Unidos (ainda hoje), em sua terceira semifinal olímpica consecutiva, na sexta-feira.

Era visível o nervosismo brasileiro nos três primeiros períodos, com erros infantis nos dois setores. Os argentinos, acostumados à pressão, com boa parte do elenco que foi campeão olímpico em Atenas-2004, chegou a abrir 12 pontos de vantagem no terceiro período. Três jogadores da equipe terminaram o duelo com 15 ou mais pontos: Scola, com 17, e Ginóbili e Delfino, com 16 cada um.

Assim, a história dos Mundiais de 2002, nos Estados Unidos, e 2010, na Turquia, se repete, quando os brasileiros foram eliminados pelos argentinos no mata-mata.

Dois brasileiros foram os cestinhas do jogo: o armador Marcelinho Huertas e o ala-armador Leandrinho, com 22 pontos cada um. A alta pontuação deles é um indicativo de que o ataque brasileiro não funcionou bem, uma vez que a principal função de Huertas é dar assistências.

A primeira etapa mostrou o quão equilibrado seria o duelo. O Brasil foi o responsável por dominar as ações e sempre ficou à frente no placar. Cada cesta de três de Marcelinho Huertas era respondida imediatamente por Carlos Delfino do lado argentino. Huertas marcou 13 pontos apenas nos dez minutos iniciais. Delfino, oito. O segundo quarto começou com liderança brasileira de 26 a 23.

 

Sem muita opção ofensiva, o Brasil passou a falhar na hora de pontuar. A Argentina aproveitou-se para assumir a liderança pela primeira vez, aos cinco minutos do segundo período: 35 a 32. Foi preciso que o técnico Rubén Magnano pedisse tempo para rearranjar o ataque. Não conseguiu. Huertas permaneceu sem opção para distribuir jogadas e os rivais continuaram na dianteira. A seleção não conseguiu encontrar uma maneira de parar Delfino, que anotou seis pontos no quarto, e deixou a Argentina vencendo por 46 a 40 após a primeira metade do confronto.

 

O terceiro período foi ainda melhor para os vizinhos. Eles se aproveitaram das repetidas falhas ofensivas brasileiras, mesmo com todas as alterações na equipe feitas por Magnano. A diferença chegou a ficar em 12 pontos. A Argentina mudou seu estilo de jogo e passou a investir nas jogadas no garrafão com Pipa Gutierrez, que anotou cinco pontos sob a marcação de Nenê.

Os últimos dez minutos começaram com os rivais liderando por dez pontos (64 a 54). Por mais que mexesse na formação em quadra, Magnano não encontrava forma de diminuir a diferença. Só faltando quatro minutos para o fim, o Brasil reagiu. Nenê e Leandrinho comandaram o ataque e a desvantagem caiu para dois pontos.

A 1min40 do fim, Leandrinho acertou uma de três e deixou a partida com apenas uma cesta de diferença: 74 a 71. Foi quando o técnico Julio Lamas, da Argentina, pediu tempo. Mas faltou ofensividade aos brasileiros, que ainda acertaram duas bolas de três com Leandrinho, sua última cesta em Londres-2012.