Buenos Aires (AE) – Se para Carlos Alberto Parreira o jogo era um "amistoso de luxo", para a Argentina tratava-se de uma decisão. E foi assim. Os argentinos entraram no Monumental de Nuñez na noite desta quarta-feira para o jogo contra o Brasil como se fosse uma decisão de Copa do Mundo. Com uma garra acima da usual os argentinos jogaram tudo o que podiam e venceram o Brasil por 3 a 1, devolvendo o placar do primeiro turno, em Belo Horizonte. Mais que isso. Com a vitória, o time chegou aos 31 pontos e garantiu sua vaga na Copa do Mundo de 2006 com três rodadas de antecipação.

O quarteto de ataque do Brasil – Kaká, Ronaldinho Gaúcho Robinho e Adriano – que encantou o torcedor no jogo contra o Paraguai – não funcionou. Bem marcado, Ronaldinho se irritou com os adversários. Levou cartão amarelo e desfalca o time na próxima rodada. Robinho jogou muito abaixo do que sabe e acabou subtituído no começo do segundo tempo.

O Brasil terminou o jogo com o gosto amargo da derrota para o seu mais tradicional rival, mas tem todas as chances de chegar à Copa. O time de Parreira soma 27 pontos e precisa de uma vitória para garantir a sua vaga no Mundial. Na próxima rodada, dia 4 de setembro, recebe o Chile.

O primeiro tempo foi terrível para o Brasil. Empurrada por quase 50 mil torcedores, a Argentina partiu para o abafa desde os primeiros minutos. Marcava forte na saída de bola e provocava o erro da equipe brasileira. E o primeiro gol saiu muito antes do que Parreira poderia imaginar. Lucho Gonzáles recebe na intermediária de ataque e lança Crespo. A defesa brasileira – completamente desmontada – deixa o atacante livre no meio da área. Crespo invade a área e toca no canto esquerdo de Dida, que nada pôde fazer: Argentina 1 a 0.

O Brasil nem mesmo tinha se refeito do primeiro gol e levou o segundo, aos 18 minutos, outra vez num erro da defesa. Pressionado, Roberto Carlos rebate mal, e os argentinos recuperam a posse da bola. Riquelme recebe de costas para o gol, gira em cima de Roque Junior e bate no ângulo direito de Dida.

A partir daí os brasileiros perderam o controle. Tentavam atacar, mas sem nenhuma ordenação. Nervosos, os brasileiros abusaram das jogadas violentas. Ronaldinho Gaúcho chegou a agredir Sorin com um tapa no rosto. Resultado: Cafu, Roque Junior e Ronaldinho Gaúcho levaram cartão amarelo e por muito pouco não foram expulsos.

No final da primeira etapa, quando o Brasil demonstrava estar um pouco mais controlado e já tentava equilibrar a partida acabou levando o terceiro. Sem marcação, Saviola cruza da direita e Crespo se antecipa a Roque Junior para, de cabeça, marcar o terceiro da Argentina.

No segundo tempo o Brasil voltou melhor. Sem outra opção foi ao ataque e, ao contrário da primeira etapa – quando praticamente não ameaçou o gol de Abbondanzieri – agora colocava pressão no adversário.

Como ainda estava em desvantagem no meio-campo – e por conta disso, levava seguidos contra-ataques – Parreira mudou. Aos 16 minutos, tirou Robinho e colocou Renato em campo. O time ganhou mais consistência e partiu definitivamente para a pressão. O primeiro gol não demorou. Aos 26, numa cobrança de falta – sofrida por Renato – na entrada da área, Roberto Carlos acerta um petardo no ângulo direito de Abbondanzieri: 3 a 1.

A partir daí, o Brasil partiu, defintivamente para o ataque e por muito pouco não diminiu, aos 40 minutos, quando Adriano acerta a trave, quando estava com o gol vazio à sua frente. No finalzinho, Tevez entrou no lugar de Saviola para manter a defesa brasileira ocupada e conseguiu. A Seleção Brasileira parte agora para a Copa das Confederações, entre 15 e 29 de junho, na Alemanha.

Ficha Técnica

Gols: Crespo (4 do 1º t), Riquelme (18 do 1º t) e Crespo (40º do 1º T). Roberto Carlos (26º do 2º t).

Argentina – Abbondanzieri; Coloccini, Ayala, Heinze; González (Zanetti),

Mascherano, Sorín, Kily González; Riquelme; Saviola (Tevez) e Hernán Crespo. Técnico: José Pekerman.

Brasil – Dida; Cafu, Juan, Roque Júnior e Roberto Carlos; Emerson

Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho; Robinho (Renato) e Adriano.

Técnico: Carlos Alberto Parreira.