Mantido em sigilo, o plano B da gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) para defender a realização do jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014 em São Paulo é a construção de uma arena multiuso em Pirituba, na zona norte, inicialmente planejada para 40 mil pessoas. No final do ano passado, ao receber uma homenagem de moradores da Lapa, na zona oeste, o presidente da São Paulo Turismo S/A (SPTuris), Caio Carvalho, chegou a comentar que a arena seria a alternativa ao estádio do Morumbi.

O projeto conta hoje com apoio de empresários ligados à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e da União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe). “Seria uma boa alternativa para os shows do Pacaembu e para a Copa de 2014”, disse Carvalho no encontro. No dia 26 de janeiro de 2008, quando o projeto do polo de eventos foi lançado, o presidente da SPTuris já havia declarado que o local seria uma opção para o Mundial. Para receber a partida de abertura, um estádio precisa abrigar 65 mil pessoas.

O próprio prefeito confidenciou em março a alguns empresários e a dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que o futuro complexo para eventos, com área de 4,9 milhões de metros quadrados, poderia ser adaptado com capacidade maior e, dessa forma, ficar apto para receber o evento. A prefeitura, inclusive, já tem estimativa de obter, numa fase inicial, investimentos de R$ 320 milhões da iniciativa privada para a construção do novo estádio. O custo final de todo o complexo chegaria a R$ 1 bilhão.

Oficialmente, contudo, o governo municipal adotou nesta terça-feira discurso uníssono para tentar “blindar” a candidatura do estádio são-paulino. Um dos receios da administração é de que os empresários que já declararam apoio à construção do novo centro de convenções se afastem com a possibilidade de a arena ser voltada para jogos de futebol.

Desde o início do projeto, os empresários defendem que a arena seja totalmente adaptada para receber os shows que hoje são realizados, por exemplo, no Morumbi, na Chácara do Jockey e no Pacaembu. Na opinião dos investidores, a capital não conta com uma arena específica para shows de grande porte.

Mas o principal problema, segundo avaliam secretários de Kassab e a SPTuris, é que a licitação e a burocracia para a construção de todo o complexo de eventos demorariam pelo menos dois anos, enquanto a reforma do Morumbi poderia ser viabilizada de forma mais rápida. Também seria necessário mudar ainda este mês todo o projeto original do polo feito pela Cia City, proprietária de uma parte do terreno. Em 2009, a área do complexo de eventos em Pirituba, equivalente a quatro Parques do Ibirapuera, foi declarada de utilidade pública pelo governo. Desde então, nenhuma intervenção foi realizada no local.

No terreno também são planejadas as construções de um hotel e de um pavilhão de eventos quatro vezes maior que o do Anhembi. A obra está prevista para ser viabilizada por meio de Parceria Público-Privada (PPP), cuja licitação pode demorar até três anos para ser finalizada. Problemas à parte, a aposta é de que não existe outra solução para a capital sediar jogos da Copa de 2014 caso o projeto do Morumbi seja reprovado pela Fifa.