Joanna Maranhão anunciou, nesta sexta-feira, a sua aposentadoria das piscinas. Aos 31 anos, a agora ex-nadadora comunicou a sua decisão de deixar as competições em um texto publicado no seu perfil no Instagram. “E é chegada a hora de encerrar um ciclo de tantos anos. Por 17 primaveras defendi as cores do Brasil nos mais diversos campeonatos internacionais”, escreveu a pernambucana.

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Havia a expectativa de que Joanna Maranhão buscasse a classificação para a Olimpíada de Tóquio, em 2020, o que a levaria a participar pela quinta vez de uma edição dos Jogos, o que não ocorrerá diante da decisão de se aposentar. “A menina que caiu na água aos 3 (anos) e encontrou ali sua essência, sua plenitude, seus maiores pesadelos e também seus maiores sonhos, nem nos mais belos prognósticos se imaginaria tendo a honra de representar o Brasil em quatro Jogos Olímpicos”, celebrou.

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Em 2000, com apenas 17 anos, Joanna Maranhão fez história ao terminar a prova dos 400 metros medley na quinta posição na Olimpíada de Atenas, em 2000. Esse resultado foi o melhor da natação feminina do Brasil na história do evento ao lado do quinto lugar de Piedade Coutinho nos 400m livre nos Jogos de 1936, em Berlim.

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“À natação feminina eu faço um pedido: destruam todos os recordes que ainda existam em meu nome. Façam com que o quinto lugar de Atenas seja uma feliz lembrança em minha memória, e que eu (e Piedade Coutinho onde quer que esteja) possamos nos emocionar com o melhor resultado da natação feminina do Brasil em jogos olímpicos no pódio”, disse.

Na sua carta de despedida, Joanna também fez um agradecimento aos treinadores que a dirigiu com a exceção daquele que acusou de ter abusado sexualmente dela quando era criança, em revelação realizada em 2008. “À meus treinadores (exceto um): vocês tiraram o melhor de mim, por todos os ensinamentos, treinos, desafios, conforto nos centésimos que faltaram e abraço nos momentos de alegria: toda minha gratidão”, afirmou.

Além disso, Joanna também lembrou que demorou 11 anos para superar o tempo que registrou nos Jogos de Atenas nos 400m medley, o que só conseguiu no Pan de Toronto, em 2015, para relembrar toda o esforço que empreendeu durante a sua carreira. “E para quem disser que seu tempo já passou, ou que você está velha demais: treine o dobro e mostre que, quem persevera por 11 anos para melhorar o tempo dos 400m medley, não desiste por sistema nenhum”, escreveu a nadadora.

Bastante atuante fora das piscinas em questões políticas e da gestão esportiva, Joanna também pediu mais atuação dos seus colegas e também que o esporte e a natação tenham gestões mais abertas e claras.

“À comunidade aquática: aproveitem o futuro, aproveitem a oportunidade de serem ouvidos, de viverem um esporte democrático onde a competição começa e se encerra na piscina. Que fora dela sejamos dignos do verdadeiro valor do atletismo. Não desperdicem a chance de escrever uma nova história nas páginas da natação brasileira. Chega de segredos, chega de retaliação, chega bajulação. Que o resultado na piscina, e apenas ele, diga quem será ou não convocado, quem será ou não contemplado”, comentou.

Joanna é casada com o ex-judoca Luciano Corrêa, que deixou os tatames no fim do ano passado. Ela estava grávida, mas sofreu um aborto espontâneo em junho. A agora ex-nadadora possui uma ONG, a Infância Livre, que realiza palestras para jovens sobre abuso sexual.