Enquanto o Rio de Janeiro se prepara para receber os astros Rafael Nadal e David Ferrer no maior torneio de tênis da América do Sul de 16 a 22 de fevereiro, um elenco de tenistas bem menos badalado entra em quadra nesta semana em São Paulo. A 15.ª edição do Brasil Open, no Ginásio do Ibirapuera, conta com a participação de apenas dois jogadores Top 20 na disputa que começa nesta segunda-feira e vai até o próximo domingo (15). Assim como em 2014, a competição de nível 250 acaba ofuscada pelo Rio Open, que dá o dobro de pontuação no ranking da ATP. Apesar disso, os dois torneios têm um ponto em comum: a “armada espanhola” entra em ação.

A Espanha conta com sete representantes na busca pelo oitavo título do Brasil Open. O grande destaque é Feliciano López, atual número 14 do mundo, seguido por Tommy Robredo (17º), campeão em 2009. Fernando Verdasco, Nicolás Almagro (tricampeão em 2012, 2011 e 2008), Pablo Andujar, Pablo Carreno Busta e Albert Ramos-Vinolas completam a lista. Como muitos tenistas farão a “dobradinha” em solo nacional, o Rio Open já tem oito espanhóis confirmados.

Para tentar acabar com a hegemonia espanhola em São Paulo, o Brasil tem três representantes garantidos na chave principal: Thomaz Bellucci, João Souza (Feijão) e Guilherme Clezar. O canhoto de Tietê, tenista número 1 do País, fez as pazes com a torcida no ano passado e é a maior esperança dos brasileiros. Na última edição, Bellucci foi eliminado na semifinal pelo argentino Federico Delbonis, que se sagrou campeão diante do italiano Paolo Lorenzi e obteve a sua primeira conquista na carreira. Já Feijão e Clezar receberam o wild card (convite) da organização. O paulista se prepara para a sua sexta participação no Brasil Open, mas nunca foi além da segunda rodada (em 2011, 2013 e 2014), já o gaúcho disputará a competição pela quarta vez e até hoje não conseguiu passar da estreia.

DUPLAS – Se na simples o Brasil não fica com o troféu desde Gustavo Kuerten em 2004, quando a competição ainda era disputada na Costa do Sauípe, nas duplas o País tem o que comemorar. Os mineiros Marcelo Melo e Bruno Soares já deram alegrias para os torcedores pelo título conquistado juntos em 2011 e também pelas vitórias ao lado de outros parceiros. Vencedor também em 2012, com a ajuda do norte-americano Eric Butorac, e em 2013, junto ao austríaco Alexander Peya, Soares busca o tetracampeonato depois de uma eliminação precoce no ano passado, quando foi surpreendido logo na primeira rodada por Phillip Oswald e Guillermo García-Lopez. Ele disputará a competição ao lado de Peya pela terceira temporada consecutiva.

Campeão em 2008 com o compatriota André Sá, Melo não aparecerá ao lado de seu parceiro fixo no circuito e formará dupla com o austríaco Julian Knowle rumo ao tri. De acordo com o mineiro, a ausência de Ivan Dodig deve-se à preferência do croata pelos pisos rápidos. Para contentamento da dupla, o estrangeiro vai à Croácia e aos Estados Unidos enquanto Marcelo disputa as competições brasileiras no saibro. A troca de companheiro não é motivo de preocupação para o tenista da casa. “O Julian tem um estilo bem diferente do Ivan. O Ivan saca e devolve muito bem e o Julian é muito rápido na rede. Joguei com o Julian algumas vezes, é um duplista extremamente experiente. São dois jogos diferentes, mas são duas pessoas que eu conheço bastante. Não interfere tanto”, avalia.

Marcelo Melo não acredita que o conterrâneo Bruno Soares seja o seu maior adversário em casa e projeta uma disputa acirrada pela taça. “Vejo outras duplas também muito fortes. Esse torneio está bem equilibrado nas duplas, vai ser interessante”, projeta.

Com presença garantida também no Rio, o mineiro acredita que o fato de o Brasil ter dois torneios no calendário da ATP é positivo para o tênis nacional. “Independente de ser ATP 250 ou ATP 500, é importante para os meninos que estão saindo do juvenil, para nós, profissionais, podermos jogar em casa e para o público acompanhar níveis altos de jogos no Brasil. Acho que os dois são extremamente importantes para o tênis brasileiro.”

Para Marcelo, jogar com a presença dos parentes e dos amigos agrega valor para as competições no Brasil. “Já fui campeão na Costa do Sauípe duas vezes, uma com o André e uma com o Bruno, com certeza foi especial por estar em casa, com a família e com os amigos. Traz um pouco mais de valor para o título.”