Ambiente no Atlético é outro, depois do Maracanã

O que faz uma vitória, ainda por cima com goleada em pleno Maracanã. Depois de viver momentos de turbulência no CT do Caju, a cara fechada e a preocupação do técnico Givanildo de Oliveira deram lugar a um sorriso e um ânimo maior para a seqüência do Campeonato Brasileiro. ?Isso é uma coisa natural?, aponta o treinador do Atlético, calejado pela experiência de 23 anos de carreira e 18 títulos nas costas. Por isso, ele quer a vitória contra o Internacional para melhorar o desempenho no Rubro-Negro e manter a alegria no clube.

?Até comentei com um repórter lá no Rio de Janeiro, na partida contra o Botafogo, quando ele disse que tinham três nomes para o meu lugar e perguntou se estava preocupado. Disse que não. Brinquei dizendo que estaria se tivessem dez?, declarou. Para ele, o importante é manter o trabalho sério. ?Dedicação, competência e um pouquinho de sorte é preciso também?, enumerou o pernambucano. Até aqui, em quatro jogos, ele tem uma vitória, um empate e duas derrotas. O aproveitamento é de 33,3%, o que gerou inúmeras especulações, inclusive com setores do próprio clube, para a troca de comando da equipe.

?O problema de troca de treinador, vocês sabem muito bem, é a coisa mais natural no Brasil. Não ganha, acaba saindo o treinador?, comentou. Por isso, ele sabe que precisa derrotar o Inter para melhorar esses números e até conclama a galera. ?Nós estamos precisando ganhar dentro de casa, lembramos que o nosso torcedor vai e vai nos ajudar, mas também teremos cobrança se não jogarmos bem e não ganharmos o jogo?, projetou.

Para fazer da Baixada um caldeirão para colocar o Saci e não o Furacão, Giva define hoje a equipe para domingo. Ele ainda estuda a possibilidade de mudar o sistema tático e isso deverá depender do aproveitamento ou não do atacante Dagoberto desde o início da partida. O treinador pode colocar o craque tirando um zagueiro e apostando no 4-4-2, ou ainda tirar um meia e manter o 3-5-2. Outra alternativa é deixar Dago no banco e usá-lo apenas na segunda etapa. Após o coletivo à tarde será possível descobrir algumas pistas do que ele deverá fazer contra os gaúchos.

Voz de Matthäus fica no Furacão

O técnico Lothar Matthäus foi embora, mas seu intérprete ficou no Atlético. Isso mesmo. Após o trabalho prestado na passagem do alemão pelo Rubro-Negro, o curitibano Klaus Junginger acabou sendo contratado e poderá promover a imagem do clube na Europa durante a Copa do Mundo. Ele ainda não sabe exatamente se será essa sua função, mas já dá expediente num novo departamento do Furacão, que tratará de ?projetos internacionais?.

?Faz três semanas que fui efetivado pelo Atlético, mas, por enquanto, só estou aprendendo como funciona o clube?, revelou. Atleticano de carteirinha e com experiência de sobra por ter morado na Alemanha, ele deverá se tornar mais um elo do clube com países europeus. ?Ainda não sei ainda o que vou fazer exatamente, mas essa facilidade com a língua poderá ser útil. No final de maio é que tudo estará definido?, destacou.

Internamente, o clube vem ampliando o seu departamento de comunicação e aliando ao marketing, e Klaus poderá estar inserido nesse contexto. Cursando jornalismo e intérprete profissional, ele foi a principal ponte de Matthäus com clube, jogadores

e imprensa na meteórica passagem do treinador pela Baixada. Com o bom trabalho, elogiado por toda dentro do clube, acabou surgindo a oportunidade de contratação do profissional de 31 anos.

Atlético detém o recorde de 26 jogos sem perder. Inter também

O jogo entre Atlético e Internacional está longe de ser considerado um dos principais clássicos do futebol brasileiro. Mas, sem dúvida, a partida entre eles proporciona o encontro de duas grandes equipes brasileiras, com histórias parecidas de sucesso dentro do futebol.

O Colorado Gaúcho vive um momento ímpar na vida do clube. Atual vice-campeão do brasileiro, classificado para as quartas-de-final da Libertadores da América e 4.º colocado na competição nacional. Tal feito só é possível com uma seqüência de resultados um tanto quanto incomum nos dias de hoje: a equipe não perde uma partida há 26 jogos.

O Atlético sabe bem o que é viver este momento. A equipe paranaense detém a maior série invicta de um time de futebol do Estado. Em 1982, o Furacão chegou a esta mesma marca, de 26 jogos sem conhecer derrota. Aquele foi o ano em que o Rubro-Negro teve uma das melhores equipes de sua história, com o casal 20 Washington e Assis. Naquele campeonato, o time disputou 39 jogos e perdeu apenas dois, sob o comando do técnico Geraldo Damasceno, o Geraldino. Ela foi a base da equipe que foi para o Brasileiro de 1983, mas com Hélio Alves no comando técnico.

A história de disputas destes dois clubes de sucesso do Sul, não poderia deixar de ser equilibrada e carregada de muitas emoções, com promessas de um bom jogo neste domingo, na Baixada. Ao todo, Atlético e Inter já se enfrentaram 30 vezes, das quais o Furacão venceu nove, perdeu oito e empatou 13.

Se no geral a equipe do Paraná leva a melhor, em disputas realizadas na Arena da Baixada, reduto das grandes conquistas rubro-negras, o Colorado mostra-se o maior carrasco do Atlético. Em seis jogos a mando do Rubro-Negro, o Inter venceu quatro. Além disso, o time do Rio Grande do Sul foi o primeiro a derrubar o Furacão dentro da Baixada. Em 1999, ano da inauguração do estádio, em um jogo pelo Brasileiro (ficha à esquerda), foi registrada a primeira derrota do Atlético em casa: 2 a 1 para o Internacional.

Ainda para lembrar os bons tempos, em outubro de 2004 o Atlético conseguiu venceu pela última vez o Inter, com dois gols de Washington (ficha à direita).

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