Embora siga vivendo uma temporada decepcionante com a McLaren, Fernando Alonso afirmou nesta quinta-feira, em Sochi, palco do GP da Rússia no próximo domingo, que irá seguir na equipe inglesa pelo menos até 2017. O piloto espanhol assim deixou claro que pretende cumprir o seu contrato com a escuderia e afastou os rumores ventilados no paddock de que poderia deixá-la antes do fim do compromissado firmado anteriormente.

O bicampeão mundial escancarou a sua frustração com o motor Honda – que a partir desta temporada voltou a reeditar parceira histórica com a McLaren – no último GP do Japão, disputado no domingo retrasado. Na ocasião, ele chegou a dizer, pelo rádio do carro, que parecia estar correndo com um “motor de GP2” (categoria de acesso à F1) e que estar sendo ultrapassado pelos outros carros nas retas era “muito embaraçoso”.

Quando questionado se em 2016 irá figurar no grid com a McLaren, Alonso respondeu em entrevista coletiva: “Sim, é claro. E em 2007 também”. E ele falou isso depois de já ter minimizado o peso de suas reclamações feitas no rádio de sua McLaren por meio de declarações no Twitter. Na rede social, o espanhol avisou que “ninguém tenha dúvida de que tenho três anos com a McLaren e minha carreira na Fórmula 1 terminará nesta equipe, e espero ganhando tudo”.

Além disso, Alonso exibiu irritação com o fato de suas reclamações feitas pelo rádio da McLaren terem vindo a público. “Durante toda a temporada temos sidos muito positivos sobre a equipe e o carro, ainda que tenhamos enfrentado momentos difíceis e duros. O que você diz pelo rádio deveria permanecer no âmbito privado porque estás falando com a sua equipe, não publicamente”, reclamou.

Em seguida, o espanhol esfriou ainda mais a polêmica ao dizer que as reclamações feitas pelo rádio aos mecânicos durante a corrida são normais. “Às vezes é normal e compreensível falar com a equipe porque tanto Jenson (Button) como eu estamos muito comprometidos. É normal quando se está lutando e se vê que está perdendo posições e não pode evitar isso”, completou, para depois dar continuidade às reclamações: “Este é um esporte único em que levamos um microfone ao cockpit e o que você diz sai direto na televisão. Imagine o que poderíamos averiguar se fizessem isso com os jogadores da NBA ou do futebol”.

Alonso ainda ironizou ao dizer que ficou feliz com o fato de apenas uma conversa mais polêmica com os mecânicos da McLaren, esta do GP do Japão, ter sido reproduzida pela TV. “Se vocês ouvissem em todas as corridas, todas as mensagens de rádio minhas ou de Jenson, vocês ficaram ainda mais surpresos”, afirmou.

O espanhol ainda adotou um tom otimista ao projetar a reta final do campeonato ao dizer que nas duas últimas corridas, no Japão e em Cingapura, a McLaren “provavelmente tenha sido mais competitiva” do que em todas as outras provas.

Coadjuvante de luxo no grid da F1, o time inglês hoje soma apenas 17 pontos e figura na vexatória penúltima posição do Mundial de Construtores, à frente somente da nanica Marussia, que ainda não pontuou. Dos 17 pontos, 11 foram contabilizados por Alonso, enquanto Button só conseguiu somar seis ao total.